Filhote de gorila nasce após cesariana de emergência em caso raro da espécie

Publicado em 01/06/2026, às 23h37
- Nichole Hamilton / MFM Sonographer

Galileu

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Uma cesariana de emergência realizada por uma equipe médica acostumada a operar humanos garantiu o nascimento de um filhote de gorila-das-terras-baixas-ocidentais no Zoológico Woodland Park, em Seattle, nos Estados Unidos. O procedimento, considerado extremamente raro na espécie, foi realizado após exames indicarem complicações que impediriam o parto natural.

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O filhote macho nasceu em 24 de maio, pesando 2,45 quilos e estava acima da média de aproximadamente 1,8 quilo registrada para gorilas recém-nascidos da espécie. Sua mãe, Olympia, passou pela cirurgia após veterinários detectarem redução do líquido amniótico e dilatação incompleta do colo do útero, sinais de que o trabalho de parto não avançaria sem intervenção médica.

Segundo o zoológico, este foi o primeiro nascimento por cesariana entre os 17 registrados na instituição ao longo de seus 126 anos de história. No mundo, menos de uma dúzia de procedimentos semelhantes já foram realizados em gorilas.

"Isso significava que Olympia não conseguiria dar à luz sem nossa ajuda, então tomamos a decisão crucial de realizar o parto por cesariana", explicou Tim Storms, diretor de saúde animal do Zoológico Woodland Park, em comunicado.

Uma operação digna de hospital

O caso chamou atenção não apenas pela raridade do procedimento, mas também pela complexa operação montada para realizá-lo. Após a anestesia da gorila, uma equipe multidisciplinar formada por obstetras, ultrassonografistas, neonatologistas e veterinários foi convocada para avaliar a situação e conduzir o parto.

Os especialistas vinham acompanhando a gestação de Olympia há meses. Exames de ultrassom eram realizados a cada duas semanas para monitorar o desenvolvimento do filhote e identificar possíveis alterações.

“Ter as informações do ultrassom para acompanhar as mudanças no líquido amniótico, na posição e na frequência cardíaca fetal, que indicaram a necessidade de uma intervenção crítica, nos permitiu compartilhar informações e realizar uma mobilização rápida”, disse a Sachita Shah, ultrassonografista envolvida na operação.

Após o nascimento, os mesmos equipamentos foram usados para orientar os cuidados neonatais e a estabilização do recém-nascido. "Quando o bebê nasceu, usamos a sonda para guiar os cuidados intensivos neonatais e a reanimação. Foi incrivelmente bem coordenado para que todos visualizassem as mesmas informações na tela, permitindo a tomada de decisões compartilhadas", acrescenta a médica.

Parceria entre mães

Enquanto Olympia se recuperava da cirurgia, os tratadores precisaram encontrar uma forma de garantir os cuidados contínuos ao filhote. Jamani, outra gorila do grupo que havia dado à luz poucos dias antes, passou a cuidar do recém-nascido junto com seu próprio filhote. Segundo a equipe do zoológico, ela carregou os dois bebês, permitiu o monitoramento pelos tratadores e chegou a amamentar o filho de Olympia diversas vezes.

"Não ficamos surpresos e sabíamos que havia a possibilidade de Jamani pegar o filhote de Olympia", disse Arden Robert, gerente de cuidados com primatas do zoológico. "Na noite passada, Jamani amamentou o filhote de Olympia várias vezes."

O comportamento é visto como um exemplo da forte sociabilidade dos gorilas. Na natureza e em grupos sob cuidados humanos, fêmeas podem demonstrar interesse pelos filhotes umas das outras e colaborar nos cuidados.

As horas mais críticas

Os especialistas destacam que as primeiras 72 horas de vida representam o período mais delicado para qualquer filhote de gorila. Nesse intervalo, fatores como temperatura corporal, alimentação e vínculo com os cuidadores são determinantes para a sobrevivência.

Nesse período, o filhote apresentou sinais considerados positivos. Segundo a equipe, ele manteve temperatura corporal estável e vem respondendo bem aos cuidados recebidos.

"Graças ao trabalho em equipe dos médicos, veterinários e da equipe de cuidados com gorilas, Olympia e seu filhote estão com boa saúde e se recuperando bem", afirma Martin Ramirez, curador de mamíferos do Zoológico Woodland Park. "Permanecemos otimistas, mas também cautelosos, pois a situação ainda é muito delicada."

Com as gestações bem sucedidas de Olympia e Jamani, o Zoológico Woodland Park passa a abrigar 13 gorilas-das-terras-baixas-ocidentais. Essa é uma subespécie ameaçada principalmente pela destruição de habitat, pela caça ilegal e pela disseminação de doenças.

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