Flávio Gomes de Barros
De uns tempos para cá o futebol brasileiro passou a seguir a tendência mundial e enveredou por um emaranhado que envolve muito dinheiro.
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Quem sentiu isso diretamente foi o ex jogador Ronaldo Fenômeno, que tentou ser presidente da CBF e desistiu, pois de todas as federações estaduais só conseguiu agendar reunião com um dos presidentes - os demais sequer retrornaram seus contatos.
O que, embora lamentável, é explicável: cada um desses presidentes recebe hoje de CBF uma remuneração mensal de cerca de R$ 200 mil.
Até o Judiciário se envolve nisso: um filho do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, é quem de fato manda na CBF - e ai de quem ouse judicializar alguma questão contra a entidade.
Além disso, estão enraizadas no sistema futebolístico as nefastas BETS, esquema de apostas esportivas que vicia e empobrece ingênuos cidadãos, enquanto enriquece bastante gestores dessas empresas e seu entorno - veículos de comunicação, jornalistas, jogadores...
Não é mais incomum o envolvimento, mediante suborno, de jogadores e árbitros em fabricação de resultados, normalmente para atender a esses esquemas de apostas.
A influência do dinheiro no atual futebol brasileiro explica, em boa parte, altos investimentos de clubes em jogadores em final de carreira, com altos salários e normalmente com contusões crônicas, enquanto os clubes se desfazem de atletas ainda na base, por valores irrisórios e em negociações suspeitas.
Um exemplo concreto de o quanto o futebol virou negócio foi revelado pelo jornal "Lance" sobre a implantação de institutos privados vinculados à Federação Alagoana de Futebol (FAF) que movimentou cerca de R$ 6,3 milhões em emendas parlamentares no último ciclo.
Segundo o "Lance", o presidente da FAF, Felipe Feijó, e seu pai, Gustavo Feijó - ex-presidente da entidade, ex-prefeito de Boca da Mata e atualmente dirigente da CBF - têm a ver com o Instituto FAF de Potencial Pleno (IFPP), criado em 2017 e que recebe muito dinheiro público enquanto a FAF deve mais de R$ 6,2 milhões.
O próprio Felipe Feijó emprestou pessoalmente mais de R$ 1 milhão à Federação e Mariana Feijó, sua irmã, é credora da entidade através da empresa Uniball Sports.
Como se vê, o futebol pode ser também um excelente negócio de família.
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