Governo Federal alerta Nordeste para possíveis impactos do El Niño e orienta gestores

Publicado em 24/08/2026, às 16h37

Sec. Comunicação Social

O Governo Federal reuniu, nesta segunda-feira (24), representantes dos governos dos nove estados do Nordeste e de prefeituras da região para discutir medidas de prevenção e resposta aos possíveis impactos do El Niño em 2026 e 2027.

LEIA TAMBÉM

O encontro, realizado de forma virtual, teve mais de 400 participantes e apresentou informações técnicas sobre o cenário climático, além de orientações sobre medidas de preparação e os mecanismos de apoio disponíveis para estados e municípios.

A reunião regional “Diálogos Federativos – Emergências Climáticas 2026/2027” foi coordenada pela Casa Civil e contou com a participação dos ministros das Relações Institucionais, José Guimarães; da Integração e do Desenvolvimento Regional em exercício, Valder Ribeiro; e da ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima em exercício, Ana Flávia, além de representantes de órgãos federais.

Entre os cenários considerados para o Nordeste estão a possibilidade de chuvas abaixo da média, temperaturas mais elevadas e períodos de seca. Durante a reunião, foram apresentadas medidas relacionadas à segurança hídrica, abastecimento de alimentos, saúde, monitoramento climático e hidrológico, prevenção de incêndios e atendimento à população. 

R$ 10,2 bilhões previstos para segurança hídrica

Um dos principais temas discutidos foi a segurança hídrica. Segundo o Governo Federal, estão previstos R$ 10,2 bilhões em investimentos no Nordeste por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), distribuídos em obras estruturantes nos nove estados.

Entre as ações previstas estão 2.800 quilômetros de canais e adutoras, 2,2 milhões de metros cúbicos em novos reservatórios, a recuperação de 162 barragens e a implantação de 172,4 mil cisternas.

Também foram apresentadas obras de integração e expansão do Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF), incluindo os ramais do Apodi e do Salgado, o Cinturão das Águas, a ampliação do bombeamento do Eixo Norte e a Adutora do Agreste.

Segundo o governo, essas intervenções somam R$ 4,8 bilhões e alcançam cerca de 12 milhões de pessoas.

Em situações emergenciais de escassez de água, a Operação Carro-Pipa é utilizada para abastecer comunidades atendidas pelo programa. Desde 2023, a operação recebeu R$ 2,1 bilhões e atende, em média, 1,6 milhão de pessoas por mês. 

Monitoramento climático será ampliado

O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) está ampliando a instalação de equipamentos pluviométricos nos municípios nordestinos, com investimento de R$ 28 milhões.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) também está ampliando e modernizando sua rede de estações meteorológicas. Desde janeiro de 2023, foram incorporadas 162 novas estações, totalizando 171. A previsão é chegar a 272 estações em 2027.

A estrutura de monitoramento também acompanha a situação dos reservatórios. Atualmente, dos 354 açudes monitorados no Nordeste, 68 estão abaixo de 20% da capacidade, condição que requer acompanhamento local.

A Defesa Civil Nacional apresentou ainda o cronograma das Oficinas Regionais de preparação, que serão realizadas presencialmente em diferentes regiões do país. A iniciativa prevê o compartilhamento de metodologias e orientações para o planejamento das ações locais e a organização das estruturas de resposta. 

Municípios poderão solicitar recursos federais

Durante a reunião, os gestores também receberam orientações sobre os procedimentos para solicitar apoio da União em situações de emergência e sobre as ações que podem receber recursos federais.

O reconhecimento federal de situação de emergência ou de estado de calamidade pública permite que estados e municípios solicitem recursos da União para ações de resposta e recuperação.

Segundo os dados apresentados no encontro, o Nordeste registrou, em 2026, 838 reconhecimentos relacionados a secas e estiagens e 174 relacionados a chuvas.

Os pedidos de reconhecimento e de recursos são realizados por meio do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2ID). Na etapa de resposta, os recursos podem ser utilizados em ações de socorro, assistência às vítimas e restabelecimento de serviços essenciais.

Desde 2024, os recursos destinados à assistência humanitária também podem contemplar ações de acolhimento de animais domésticos resgatados em situações de desastre. Na etapa de recuperação, os recursos podem ser destinados à reconstrução de infraestrutura pública destruída ou danificada por desastres. 

Prevenção a incêndios

As medidas de prevenção e combate a incêndios florestais também foram apresentadas aos gestores. A atuação considera a Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo e a articulação entre União, estados e municípios.

Já foram destinados R$ 521 milhões a estados e municípios para ações de prevenção e combate a incêndios florestais. Desse total, R$ 371 milhões foram destinados a nove estados da Amazônia Legal e R$ 150 milhões a cinco estados e ao Distrito Federal.

Os recursos podem ser utilizados na aquisição de veículos e equipamentos, estruturação de bases operacionais e capacitação de brigadas voluntárias e comunitárias.

Entre 1º de janeiro e 20 de agosto de 2026, o Nordeste registrou 562.422 hectares de área queimada. A média histórica para o mesmo período entre 2012 e 2025 é de 1.029.446 hectares. Segundo os dados apresentados, a área registrada em 2026 é 45,37% inferior à média histórica. 

Estoques de alimentos e preparação na saúde

As medidas de preparação também incluem a produção e o abastecimento de alimentos. Está prevista a ampliação dos estoques públicos para 310 mil toneladas de arroz e 180 mil toneladas de milho. O semiárido nordestino está entre os principais destinos previstos para o milho.

Na área da saúde, está prevista a implantação de oito Centros de Informação em Saúde e Clima (CISC) nas cinco regiões do país. As unidades deverão reunir e analisar dados sobre os impactos epidemiológicos de eventos climáticos.

As informações serão utilizadas para orientar a atuação do Sistema Único de Saúde (SUS) diante de situações como ondas de calor, secas, incêndios, chuvas intensas e inundações. 

União, estados e municípios

A reunião faz parte da articulação entre União, estados e municípios para a preparação diante dos cenários climáticos previstos para 2026 e 2027.

Entre as orientações apresentadas pela Defesa Civil Nacional estão a organização das estruturas municipais de proteção e defesa civil, a elaboração e atualização dos planos de contingência, o acompanhamento das informações produzidas pelos órgãos oficiais de monitoramento e a articulação com os governos estaduais.

A preparação também envolve protocolos de monitoramento e mobilização, comunicação com a população e estabelecimento de salas de situação.

A próxima reunião regional está prevista para quarta-feira (26), com gestores municipais da Região Norte.

Gostou? Compartilhe

LEIA MAIS

Ataque de torcida organizada em dia de Ba-Vi termina com um morto em Salvador Espalhadas pelo ar, partículas de isopor se acumulam em ruas e piscinas de região de Fortaleza Mulher denuncia assédio após ser mordida e agarrada por instrutor de academia Promotora do Amazonas morre afogada em praia de Salvador antes de congresso