Um ataque de torcedores organizados resultou na morte de José Alexandre Souza Borges, de 28 anos, durante um jogo entre Bahia e Vitória, evidenciando a violência entre torcidas rivais no futebol brasileiro.
A vítima, ligada à torcida Bamor, foi agredida com uma arma branca por integrantes da torcida Os Imbatíveis, e a situação se agravou com uma perseguição entre torcedores, resultando em disparos de arma de fogo.
Seis suspeitos foram presos e autuados por homicídio qualificado e outros crimes, enquanto o governador da Bahia pediu uma investigação rigorosa, ressaltando que a rivalidade no esporte não deve custar vidas.
Um ataque de integrantes de uma torcida organizada deixou uma pessoa morta neste domingo (23), dia em que as equipes do Bahia e do Vitória se enfrentaram pelo Campeonato Brasileiro de futebol.
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José Alexandre Souza Borges, 28, conhecido pelo apelido Nakombi, morreu após ter sido agredido com arma branca na região da avenida 29 de Março, nas proximidades do estádio Barradão, onde o jogo acontecia com torcida única do Vitória. Ele chegou a ser levado para um hospital, mas não resistiu aos ferimentos.
A principal suspeita é que José Alexandre tenha sido agredido por integrantes da torcida organizada Os Imbatíveis, ligada ao Vitória. A vítima é apontada como como integrante da Bamor, principal torcida organizada do Esporte Clube Bahia.
Em nota, o presidente da torcida Os Imbatíveis, Gabriel Oliveira, lamentou a morte do torcedor do Bahia, prestou solidariedade à família e defendeu apuração do caso.
"Esperamos que os fatos sejam devidamente apurados e que as autoridades adotem as medidas necessárias para que episódios como esse não voltem a acontecer. O futebol deve ser espaço de paixão, festa e rivalidade, mas nunca de vidas perdidas", afirmou.
Após a agressão, os suspeitos teriam seguido em direção à Via Regional, no bairro de Cajazeiras, periferia da capital baiana. Vídeos registraram uma perseguição entre grupos de torcedores, com correria e disparos de arma de fogo.
Durante as buscas, policiais localizaram um grupo de cerca de 60 pessoas nas proximidades do acesso à avenida 29 de Março.
Seis homens foram presos após terem sido encontrados com facas, soqueiras, foguetes e artefatos explosivos artesanais. Segundo a Polícia Militar, parte dos presos apresentava vestígios aparentes de sangue nas roupas.
Os seis suspeitos foram levados ao DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa) e autuados em flagrante por homicídio qualificado, tentativa de homicídio contra outras quatro pessoas, posse de artefato explosivo e promoção de tumulto, crime previsto no Estatuto do Torcedor.
Foram apreendidos três objetos perfurocortantes, dois artefatos explosivos, fogos de artifício e latas de spray. As armas e as roupas com material genético foram encaminhadas para perícia no Departamento de Polícia Técnica.
Os demais integrantes do grupo abordado foram conduzidos à Central de Flagrantes. Segundo a Polícia Militar, foi registrado um Termo Circunstanciado de Ocorrência por atos de vandalismo.
A Polícia Civil também registrou neste domingo a morte de outro integrante da torcida Bamor. Lucas dos Reis Bomfim, 19, foi morto após ter sido atingido por tiros. As investigações preliminares não apontam relação entre a morte e o caso da avenida 29 de Março.
A torcida organizada Bamor emitiu uma nota na qual manifesta tristeza, indignação e solidariedade pela perda de dois de seus integrantes
"A Bamor repudia de maneira veemente qualquer forma de violência, especialmente o uso de armas de fogo, armas brancas ou qualquer outro instrumento utilizado para promover atos de covardia. Não compactuamos com esse tipo de prática e defendemos que os fatos sejam rigorosamente apurados, com transparência, responsabilidade e respeito às vítimas e seus familiares" afirmou.
O governador Jerônimo Rodrigues (PT) lamentou a morte dos torcedores e determinou uma apuração rigorosa do caso: "É inadmissível que alguém saia de casa para torcer pelo seu time e não volte. Nenhuma camisa, rivalidade ou paixão pode valer uma vida", afirmou.
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