Governo Trump acusa Brasil de falhar no combate a PCC e CV

Publicado em 16/09/2026, às 18h14
- Divulgação/Casa Branca

Isabella Menon/Folhapress

Ler resumo da notícia

O governo Donald Trump afirmou que o Brasil "falhou em confrontar" o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o Comando Vermelho e disse que as duas facções transformaram o país em um centro para o fluxo global de cocaína.

LEIA TAMBÉM

A crítica aparece em um documento anual enviado pela Casa Branca ao Congresso americano nesta terça-feira (15), documento publicado anualmente em que a Casa Branca identifica os países considerados grandes produtores de drogas ilícitas ou importantes rotas de trânsito para o narcotráfico e avalia os esforços de governos estrangeiros no combate às drogas.

O documento é exigido por lei e enviado anualmente ao Congresso. A Casa Branca ressalva que a inclusão de um país na lista de grandes produtores ou rotas de drogas não representa necessariamente uma avaliação negativa sobre os esforços de seu governo, já que a classificação também leva em conta fatores geográficos, comerciais e econômicos.

Na lista deste ano, Trump classificou 23 países como grandes produtores ou rotas de drogas, entre eles México, Colômbia, Venezuela, Peru, Bolívia e Equador. O Brasil não aparece nessa relação.

O presidente americano também apontou quatro países —Afeganistão, Bolívia, Mianmar e Colômbia— como governos que, na avaliação de Washington, não fizeram esforços suficientes para cumprir seus compromissos no combate às drogas nos últimos 12 meses em cumprir compromissos internacionais de combate ao narcotráfico. O Brasil também não integra essa categoria.

Apesar de não incluir o país em nenhuma dessas duas classificações formais, Trump reservou um trecho específico da determinação para fazer uma crítica direta ao governo brasileiro.

"Enquanto muitos governos no Hemisfério Ocidental estão tomando medidas corajosas para reduzir o fluxo de drogas e erradicar cartéis, o governo do Brasil falhou em confrontar" o PCC e o Comando Vermelho, afirma o texto.

Segundo a Casa Branca, as duas facções "transformaram o Brasil em um hub para os fluxos globais de cocaína" e representam uma ameaça crescente à paz e à segurança internacionais. Trump afirma ainda que o governo brasileiro precisa tomar "medidas agressivas" para combater e derrotar os grupos.

"Essas organizações terroristas brasileiras representam uma ameaça crescente à paz e à segurança em todo o mundo, e o governo brasileiro precisa adotar com urgência medidas firmes para enfrentá-las e derrotá-las antes que se espalhem e se fortaleçam", diz o governo americano.

A menção ao Brasil representa uma mudança em relação à determinação presidencial publicada um ano antes. No documento de 2025, o país não era citado. A Casa Branca concentrava suas críticas a países como México, China, Colômbia e Venezuela e tratava, de forma mais ampla, do uso de designações terroristas e sanções contra cartéis e outras organizações criminosas transnacionais.

Neste ano, embora o Brasil continue fora da lista oficial de grandes países produtores ou de trânsito de drogas e também não tenha recebido a classificação de governo que "falhou de forma demonstrável" em suas obrigações antidrogas, passou a ser alvo de uma reprimenda nominal da Casa Branca.

A mudança ocorre em meio a uma escalada da pressão do governo Trump sobre as duas principais facções criminosas brasileiras.

Em maio, o secretário de Estado, Marco Rubio, classificou PCC e Comando Vermelho como "Specially Designated Global Terrorists", ou terroristas globais especialmente designados. A decisão foi assinada em 28 de maio e publicada no Federal Register no início de junho.
Na determinação, Rubio afirmou que PCC e Comando Vermelho haviam cometido, tentado cometer ou representavam risco significativo de cometer atos de terrorismo que ameaçassem cidadãos americanos ou a segurança nacional, a política externa ou a economia dos Estados Unidos.

No documento deste ano, Trump também alterou a avaliação sobre a Venezuela. O país permanece na lista de grandes rotas ou produtores de drogas, mas deixou de integrar a relação de governos que, segundo Washington, falharam em suas obrigações antidrogas.
No documento de 2025, Trump acusava o governo de Nicolás Maduro de comandar uma das maiores redes de tráfico de cocaína do mundo. Neste ano, porém, atribuiu a mudança de classificação ao aumento da cooperação com o governo interino de Delcy Rodríguez e afirmou já haver resultados no combate a cartéis.

Gostou? Compartilhe

LEIA MAIS

Quem é o ex-monge budista preso após não cumprir votos de castidade e de renúncia a bens materiais Foragido escapa da Justiça por oito anos ao viver como mulher trans EUA assumem pela 1ª vez possuir armas em órbita: veja o que se sabe Casal de 24 anos morre após ser atingido por trem enquanto estava sentado nos trilhos do metrô