Greve da Caixa entra no 13º dia sem acordo; como pagar contas, liberar FGTS e financiar casa?

Publicado em 23/09/2026, às 14h17
- Agência Brasil

Folhapress/CRISTIANE GERCINA

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A Caixa Econômica Federal pretende resolver o conflito com os bancários para encerrar a greve nacional por meio de negociação —sem reabrir oficialmente a mesa com sindicalistas— e não deve levar o caso para a Justiça ao menos por ora, em dissídio coletivo no TST (Tribunal Superior do Trabalho), como havia anunciado no início. A possibilidade, no entanto, está em estudo.

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Trabalhadores da Caixa, do Banco do Brasil e dos Correios iniciaram paralisações em 10 de setembro e apenas o BB chegou a acordo e encerrou o movimento. Na Caixa, a greve entra no 13º dia nesta quarta-feira (23). Nos Correios, o caso deve ser decidido pelo TST nesta quinta (24).

O impasse nos três casos é o plano de saúde. Com rombo, as empresas públicas propuseram mudanças de regras e cobranças que os empregados não aceitam. No caso da Caixa, o Ministério Público do Trabalho buscou o TST para tentar um acordo.

O caso dos Correios é o mais crítico—entrega própria de gigantes como Amazon, Mercado Livre, Shein e Shopee agrava a arrecadação— e há socorro do governo previsto pelo governo no Orçamento de 2027.

Em nota, a Caixa informa que "segue empenhada na construção de uma solução que preserve os interesses dos empregados, da instituição, dos clientes e da sociedade brasileira".

O banco informa ainda que pagamentos de benefícios estão sendo feitos sem atrasos. Depósitos de setembro do Bolsa Família e do Pé de Meia, principais programas do governo federal, começaram a ser realizados nos últimos dias, sem registros de reclamação ou tumultos em agências, como já ocorreu em ocasiões anteriores.

Isso porque todos os pagamentos estão automatizados.

O QUE A CAIXA OFERECE AOS BANCÁRIOS?

O banco público ampliou de 6,5% para 9% o teto de participação sobre a folha de pagamento no custeio do Saúde Caixa a partir de 2027, mantidos o pacto intergeracional e o convênio no acordo coletivo de trabalho. Não haveria cobrança diferenciada por faixa etária.

Não haverá reajuste nas mensalidades em 2026 e a Caixa assumirá o déficit do plano. A partir de 2027, a contribuição do titular passa a ser de 3,7% da remuneração-base dos funcionários e a de dependente direto, de R$ 560.

Para dependente indireto que for filho de 21 a 24 anos, a mensalidade será de R$ 660. Para filhos de 24 a 27 anos e pais/mães remanescentes, a mensalidade será de R$ 900. O limite do grupo familiar (titular e dependentes diretos) será de 9%.

Na comparação entre as propostas apresentadas pelo banco, a Caixa reduziu de R$ 150 para R$ 120 a cobrança de consulta em pronto atendimento e manteve a isenção de coparticipação para atendimentos por telemedicina. Além disso, garantiria o reajuste de 4,6% já pago para todos os demais bancários do país, que representa 0,6% acima da inflação do período.

Nas contas dos empregados da Caixa, no entanto, o valor a ser pago pelo plano de saúde ainda é o ideal, porque faria com que o reajuste real em seus salários fosse zerado ao custear o convênio. Na prática, não receberiam nada.

COMO PAGAR CONTAS E BOLETOS?

As contas bancárias não podem deixar de ser pagas, mesmo com a greve dos funcionários e com as agências fechadas. Isso porque a Caixa mantém todos os canais online funcionando, além dos caixas eletrônicos.

Quem busca atendimento nas agências encontra portas fechadas, com cartazes feitos pelos sindicatos de servidores explicando sobre a greve e dando alternativas de atendimento. Há ainda trabalhadores terceirizados que podem orientar os clientes.

ONDE PAGAR E CONSEGUIR ATENDIMENTO:

- Caixas eletrônicos
- Aplicativo da Caixa
- Site da Caixa
- WhatsApp Caixa, no 0800-1040104
- Caixa Tem
- Aplicativo Cartões Caixa
- Aplicativo Habitação Caixa
- Aplicativo FGTS
- Lotéricas
- Correspondentes Caixa Aqui
- Aplicativo DPVAT
- Alô Caixa, nos números 4004-0104 (capitais e regiões metropolitanas) e 0800-1040104 (demais localidades)
- Rede Banco24Horas

COMO FICAM OS FINANCIAMENTOS DA CASA PRÓPRIA?

Gerentes de agências relataram à reportagem que os efeitos variam conforme a unidade e a área envolvida. Em algumas agências, funcionários que não aderiram à paralisação conseguem receber documentos, tirar dúvidas de clientes e dar andamento aos financiamentos imobiliários, mas outras etapas dependem de setores regionais ou de áreas que estão com atendimento afetado.

Etapas como a conformidade, que envolve a conferência dos documentos do comprador, do vendedor e do imóvel antes da elaboração do contrato e da assinatura estão sendo comprometidas, assim como análise de propostas, liberação e recebimento de documentos e assinatura dos contratos.

Enquanto o impasse permanece, compradores e vendedores podem ir adiantando outros documentos, indica Murilo Arjona, especialista em financiamento imobiliário, como documentos pessoais, de comprovação de renda, a matrícula atualizada do imóvel e as informações dos vendedores.

Também é possível corrigir pendências apontadas pelo banco, acompanhar a avaliação de engenharia e manter contato com o correspondente responsável pela proposta.
"Ficar parado durante a greve pode aumentar ainda mais o prazo da compra [quando a greve acabar]."

COMO TER ACESSO AO FGTS?

Segundo a Caixa, todas as modalidades de saque do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) podem ser solicitadas pelo aplicativo, com exceção daquela que utiliza os recursos para a casa própria.

O trabalhador também pode indicar uma conta bancária de sua titularidade, em qualquer instituição, para receber os recursos, sem necessidade de comparecer a uma agência.

No entanto, nem todas as etapas internas do FGTS são automáticas e há processos e controles com supervisão humana, conforme o tipo de solicitação, mas, em geral, as solicitações de saque do FGTS são processadas em até cinco dias úteis.

Para saques por doenças graves, o prazo inicial é de 30 dias úteis, contados a partir do recebimento do pedido. O motivo é a necessidade de avaliar a situação e emitir parecer sobre o caso.

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