Henry Borel: pai diz que apresentará em júri caso de menina que teria sido queimada por Jairinho

Publicado em 25/05/2026, às 10h18
Leniel Borel - Tomaz Silva/Agência Brasil

Extra Online

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O pai de Henry Borel, Leniel Borel de Almeida Junior, afirmou, nesta segunda-feira, que pretende apresentar aos jurados informações sobre um suposto episódio envolvendo outra criança que, segundo ele, não teria sido investigado nem divulgado anteriormente. A declaração foi dada antes da retomada do julgamento do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Jairinho, e a mãe do menino, Monique Medeiros Costa e Silva, no 2º Tribunal do Júri da Capital, no Centro do Rio.

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Sem apresentar detalhes sobre o caso, Leniel afirmou que aguardou anos para abordar o assunto durante o julgamento e sustentou que a informação fará parte dos elementos que serão levados ao conhecimento dos jurados.

— Vocês sabiam que tem mais um outro caso que não apareceu, que não foi investigado, que o Jairo queimou uma menina e a mãe não falou? Mas eu aguardei cinco anos para estar aqui. Eu aguardei cinco anos segurando a estratégia porque eu não poderia falar — declarou.

Segundo Leniel, a assistência de acusação pretende utilizar o júri para expor fatos que, de acordo com ele, ajudam a traçar o perfil do ex-vereador e sua relação com crianças.

— A esse júri vamos mostrar a verdade. Vamos mostrar quem são Jairo e Monique — afirmou Leniel.

Em um discurso emocionado antes do início da sessão, Leniel classificou a retomada do julgamento como um momento decisivo na busca por responsabilização pela morte do filho.

— Acho que chegamos ao começo do fim — disse.

O pai de Henry agradeceu o apoio recebido ao longo dos últimos cinco anos e afirmou esperar que o julgamento resulte na condenação dos dois réus.

Durante a entrevista, Leniel voltou a defender a tese apresentada pela acusação de que os dois acusados devem responder pela morte da criança.

— Se três pessoas entraram vivas naquele apartamento, dois adultos e uma criança, e depois saem dois adultos e uma criança morta, o que é que aconteceu naquele apartamento? — questionou.

Ele acrescentou que, na sua avaliação, os réus nunca explicaram de forma convincente o que ocorreu na madrugada da morte de Henry.

— Nunca falam o que aconteceu naquele apartamento. Se ambos não falam o que aconteceu, os dois estão na mesma pena, os dois estão no mesmo crime — disse.

Críticas pela demora do julgamento
Leniel também criticou o tempo transcorrido entre a conclusão da fase de instrução do processo e a realização do júri popular.

— Por que cinco anos para fazer justiça por uma criança? — questionou.

Segundo ele, sucessivos recursos apresentados pelas defesas contribuíram para prolongar a tramitação do caso.

Quem é Jairinho

Com base eleitoral na Zona Oeste, o ex-vereador entrou na política em 2004, aos 27 anos, herdando os passos eleitorais do pai, o então deputado Coronel Jairo, sendo o candidato mais votado do Partido Social Cristão (PSC) para a Câmara do Rio. No mesmo ano, se formou em medicina pela Unigranrio mas optou por seguir a carreira na política. Ele chegou a ser líder do ex-prefeito Marcelo Crivella no legislativo.

Em depoimento na 16ª DP (Barra da Tijuca), dias depois da morte do enteado Henry Borel, em 8 de março de 2021, ele disse que não tentou fazer massagem cardíaca no menino antes de levá-lo para o hospital por falta de experiência. À polícia, disse que a última vez que realizou o procedimento foi em um boneco, durante as aulas do curso de graduação.

Um dos motivos para ele ser acusado de coação foi o depoimento de um alto executivo da área de saúde, que foi contatado por Jairinho para tentar impedir que o corpo do menino fosse encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML), onde foram atestadas as agressões.

Quem é Monique

Monique Medeiros, a mãe de Henry Borel, está presa preventivamente no Complexo Penitenciário de Gericinó, a exemplo do ex-vereador Jairinho. Ela chegou a ser liberada para responder o processo em liberdade, em agosto de 2022 por decisão do Superior Tribunal de Justiça STF). Mas voltou a ser presa depois que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, em julho de 2023, ao analisar um recurso dos advogados do Leniel Borel, pai da criança.

Monique conheceu Leniel Borel, pai de Henry Borel no fim de 2011, quando os dois comemoravam o aniversário de uma amiga, no restaurante Faenza, na Barra da Tijuca. Formada em Letras (Português e Literatura), tinha sido recém-aprovada em um concurso para professora da prefeitura do Rio. Em dezembro de 2012, quando já moravam juntos, os dois se casaram. Com os anos, o relacionamento esfriou porque Leniel arrumou um emprego em Macaé e só retornava para a casa no Recreio nos fins de semana. Eles se separaram em julho de 2020 e ela voltou a morar com a mãe em Bangu.

Em agosto de 2020, Monique conheceu Jairinho em um almoço profissional no Shopping Village Mall, na Barra. Em outubro, quando já haviam saído algumas vezes juntos, começaram a namorar. Um mês depois, o ex-vereador convidou ela e o filho para os três morarem juntos em um apartamento no condomínio Majestic, no Cidade Jardim.

Em janeiro de 2021, quando ja vivia com Jairinho, ela foi nomeada assessora do Tribunal de Contas do município, onde passou a ganhar mais. Antes, na condição de diretora da Escola Municipal Ariena Vianna da Silva, em Senador Camará, ganhava cerca de R$ 4,5 mil. No TCM, onde foi exonerada após a prisão, o salário era de R$ 12.177,04.

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