Homem que morreu ao cair do 14º andar em Londrina tentava escapar de agressores, diz polícia

Publicado em 31/08/2026, às 17h38
Vítima caiu de janela de alojamento em Londrina - Reprodução

Carlos Villela / Folhapress

O delegado da Polícia Civil do Paraná Roberto Fernandes afirmou nesta segunda-feira (31) que o jovem que caiu do 14º andar de um edifício em Londrina, no norte do estado, em 14 de agosto, morreu ao tentar fugir do apartamento e pular para a sacada do andar de baixo.

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Segundo a investigação, Alexandre Rodrigues Ramos, 27, teria sido agredido, ameaçado, amarrado e mantido trancado em um cômodo do apartamento por quatro homens. Conforme a polícia, o grupo o confrontou sob a suspeita de que ele tivesse furtado uma máquina fotográfica avaliada em cerca de R$ 12 mil.

"No curso da investigação, chegou-se à conclusão, por meio de verificação do local, verificação do apartamento de baixo e depoimento de testemunha, de que ele teria então caído do 14º andar ao tentar acessar o andar de baixo para tentar a fuga, uma vez que ele estava preso num dos quartos do apartamento", disse Fernandes.

Segundo o delegado, Alexandre foi levado para um quarto, onde foi mantido preso com as mãos e os pés amarrados por uma extensão elétrica, sofreu agressões e ameaças de morte e teria sido obrigado a ingerir comprimidos de um medicamento controlado.

"Ele não morreu em razão da tortura, mas sim da queda ao tentar fugir do cárcere em que ele estava sendo mantido por aqueles quatro elementos que foram autuados em flagrante pelo crime de tortura", disse Fernandes.

Os quatro suspeitos, com idades entre 22 e 24 anos, foram presos em flagrante e autuados por tortura qualificada pelo resultado morte e fraude processual. Os nomes não foram divulgados.

A Folha de S.Paulo entrou em contato com o Tribunal de Justiça do Paraná e o Ministério Público por email para obter mais informações sobre a defesa dos suspeitos, mas não teve retorno até a publicação deste texto.

Segundo o delegado, o caso configurou tortura porque Alexandre ficou "encarcerado por mais de três horas apanhando, teve as mãos e os pés amarrados e conseguiu se soltar". O cômodo de onde Alexandre caiu estava trancado com a chave do lado de fora.

A hipótese de suicídio, levantada inicialmente, foi descartada pelos investigadores no começo da apuração. Também chegou a ser investigada a possibilidade de Alexandre ter sido arremessado do andar pelos suspeitos ou de ter se jogado sob efeito do medicamento.

O delegado afirmou que o inquérito deve ser concluído nos próximos dias, após a análise dos celulares apreendidos.

No apartamento moravam seis pessoas: a namorada de Alexandre, os quatro suspeitos e um quinto homem, que não estava no local na hora do ataque. O local funcionava como um alojamento para funcionários de uma mesma empresa.

Em depoimento, a namorada disse que tentou entrar no cômodo onde Alexandre estava ao perceber o que acontecia e ouvir pancadas, mas afirmou ter sido ameaçada por um dos suspeitos. Segundo a investigação, o casal estava junto havia poucos meses.

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