G1
Sabrina da Silva, filha de Marilda da Silva, afirmou que, em conversa com o médico após a cirurgia que implantou uma prótese no joelho errado da idosa, o profissional teria tentado "culpar" a paciente. Segundo Sabrina, o médico alegou que a idosa, já sob o efeito de medicamentos de sedação, "insistiu" para que o joelho direito fosse operado. O joelho que deveria passar pelo procedimento, no entanto, era o esquerdo.
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"Expliquei tudo o que o médico tinha me falado e ela falou: 'Em momento algum, eu lembro de ter falado isso. Eu não me recordo de ter falado isso'. [...] Ela se culpou, porque eles imputaram uma responsabilidade, uma culpa a ela. Uma culpa que não é dela. Agora, além dos danos físicos, tem também o abalo emocional", diz a filha da paciente.
O caso foi registrado em um hospital particular de Curitiba, capital do Paraná, no dia 30 de setembro, mas veio à tona nesta quinta-feira (8), após Sabrina da Silva fazer um relato nas redes sociais. Abalada, Sabrina relatou que a mãe está sofrendo com a recuperação do pós-operatório e que deverá passar por uma segunda cirurgia para operar o joelho certo.
Sabrina ainda revelou que questionou o porquê da equipe médica não ter feito uma marcação no joelho a ser operado, e que o médico disse que não sabia explicar de quem seria esta responsabilidade.
A filha da idosa relatou nas redes sociais ter ficado indignada, pois a decisão de qual joelho seria operado deveria ser da equipe médica e não do relato da paciente, já em centro cirúrgico, e sob o efeito de medicamentos.
"Ele me falou que a minha mãe, sedada, quando ela estava com sedação, ela foi muito insistente e ela quis mudar o joelho na hora ali. E segundo ele, isso é comum acontecer, e se o paciente quer trocar eles trocam ali na hora, não tem protocolo a seguir", contou Sabrina. "Não é o paciente que deveria decidir isso, não são os familiares, é o médico, nesta hierarquia, ele é o responsável, ele que comanda a cirurgia", disse em vídeo publicado nas redes sociais.
Idosa passou por cirurgia para implantar prótese no joelho no Paraná
Segundo a filha, a cirurgia de artroplastia no joelho esquerdo tinha sido planejada, liberada pelo convênio de saúde de Marilda da Silva. A idosa de 72 anos passou por exames e agendou a operação no Hospital da Cruz Vermelha Brasileira. Ao acordar, porém, percebeu que o joelho direito que havia sido operado.
A família da idosa afirma que houve erro médico. O Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) abriu uma sindicância para apurar a conduta dos profissionais de saúde.
O g1 procurou o Hospital Cruz Vermelha, que disse, em nota, ter aberto uma apuração interna para esclarecer o ocorrido e analisar os registros dos procedimentos adotados. O hospital afirma ainda que está programando a continuidade do acompanhamento da paciente por um médico ortopedista da equipe.
Sabrina também relatou que não foi feita nenhuma marcação para sinalizar qual membro deveria ser operado. Segundo ela, o médico argumentou que a equipe fez um exame de imagem antes de iniciar a cirurgia, mas que o documento não ficou salvo no sistema e que ela não pôde ter acesso.
Sabrina afirmou que já foi chamada pelo hospital para uma reunião e que recorreu a um advogado para tratar da situação.
Conselho Regional de Medicina apura o caso
O Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) afirmou em nota que acompanha o caso e que abriu uma sindicância para verificar a conduta da equipe responsável pelo procedimento. Disse ainda que, caso comprovada violação das regras éticas, as punições podem ir de uma advertência à cassação do registro profissional. Veja a íntegra da nota abaixo:
"O Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) informa que está acompanhando o caso e que instaurou processo de sindicância para apurar o ocorrido. Caso comprovada conduta violadora das regras éticas, as sanções previstas na Lei de criação dos Conselhos de Medicina vão desde advertência confidencial, podendo chegar à cassação do exercício profissional, a depender do grau de culpa e da gravidade das consequências apuradas.
Conforme estabelece o Código de Processo Ético-Profissional (Resolução CFM nº 2.306/2022), as sindicâncias e os processos ético-profissionais tramitam sob sigilo processual, garantindo às partes envolvidas os direitos constitucionais ao contraditório e à ampla defesa."
O que diz o Hospital Cruz Vermelha
Procurado pelo g1, o Hospital Cruz Vermelha de Curitiba disse, em nota, que iniciou uma apuração interna para esclarecer o ocorrido e analisar os registros dos procedimentos adotados. Diz ainda que está programando a continuidade do acompanhamento da paciente por um médico ortopedista da equipe. Veja abaixo a íntegra:
"O Hospital Cruz Vermelha do Paraná informa que, ao tomar conhecimento dos fatos relatados pelos familiares da paciente, iniciou imediatamente uma apuração interna, com o objetivo de esclarecer as circunstâncias envolvidas, mediante análise técnica dos registros assistenciais e dos procedimentos adotados.
A instituição acompanhou a alta hospitalar e a evolução inicial da paciente, mantendo contato com seus familiares e adotando as providências necessárias à continuidade da assistência.
Considerando a interrupção da relação médico-paciente com o profissional anteriormente responsável, o Hospital está programando a continuidade do acompanhamento por médico ortopedista de seu corpo clínico, incluindo a avaliação e a programação do tratamento fisioterapêutico, no momento oportuno, conforme indicação médica.
Em respeito ao sigilo médico, à privacidade da paciente e à legislação vigente, informações clínicas específicas não serão divulgadas.
O Hospital reafirma seu compromisso com a segurança e a qualidade da assistência prestada, bem como com a apuração responsável dos fatos e a adoção das medidas eventualmente cabíveis."
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