PF e PGR negam que Vorcaro tenha afirmado que financiou documentário sobre Lula

Publicado em 09/10/2026, às 15h08
Daniel Vorcaro está preso por fraudes ligadas ao Banco Master - Reprodução
Daniel Vorcaro está preso por fraudes ligadas ao Banco Master - Reprodução

Por José Marques / Folhapress

A Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República negaram que Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, tenha prestado depoimento ou apresentado documentos relacionados a uma suposta delação sobre o financiamento do documentário 'Lula', dirigido por Oliver Stone, lançado em maio de 2024.

A revista Veja havia reportado que Vorcaro teria afirmado em áudio ter financiado o filme, mas tanto a PF quanto a PGR esclareceram que as propostas de delação não foram aceitas por não atenderem aos requisitos legais, e que não houve contato direto entre Vorcaro e a PGR.

A defesa de Vorcaro também desmentiu as alegações da reportagem, afirmando que ele não prestou depoimento e que possui informações relevantes para o caso, reiterando sua disposição para colaborar com as autoridades.

Resumo gerado por IA

A Polícia Federal negou nesta sexta-feira (9) que o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, tenha prestado depoimento ou entregue documentos na sua tentativa de delação premiada a respeito de um suposto financiamento do documentário "Lula", do diretor Oliver Stone, sobre a vida do presidente.

Integrantes da PGR (Procuradoria-Geral da República) também negam que haja um anexo que trate desse tema, assim como a defesa de Daniel Vorcaro.

A revista Veja publicou nesta sexta que o ex-banqueiro disse, em áudio, ter bancado o filme de Stone. Segundo a reportagem, o material teria sido anexado a sua proposta de delação, o que a PF e a PGR negam. O documentário foi lançado em maio de 2024 e produzido entre 2022 e 2023.

"Daniel Vorcaro não prestou depoimento com o teor relatado na matéria, tampouco entregou à instituição anexos, documentos ou informações com o conteúdo ali descrito", diz a Polícia Federal, em nota.

"As propostas de colaboração premiada que foram apresentadas à PF pela defesa do investigado não foram acolhidas em razão do não atendimento aos requisitos legais, conforme decisão fundamentada de conhecimento da defesa."

A PGR também divulgou nota no fim da manhã desta sexta negando as afirmações. A instituição diz que as negociações sobre a colaboração premiada de Vorcaro foram mediadas apenas por advogados contratados por ele.

"Todas as propostas formalizadas pela defesa foram recebidas na forma como livremente elaboradas por ela, sem juízo nem recusas prévias. Não houve interlocução direta de Vorcaro com qualquer representante da PGR. Não houve depoimento oral de Vorcaro, justamente por conta da rejeição da proposta, cujos motivos foram expostos à defesa", diz a PGR.

A defesa de Vorcaro também divulgou nota em que afirma que o ex-banqueiro não prestou nenhum depoimento à PF ou à PGR no âmbito das tratativas de colaboração premiada.

Os advogados Sergio Leonardo e Engels Augusto Muniz, que assinam o texto, dizem não confirmar o conteúdo da reportagem e repudiar a "divulgação de supostos anexos que estariam relacionados a tratativas de colaboração premiada que não foi celebrada".

"A defesa reafirma que Daniel Vorcaro possui informações personalíssimas e relevantes para o caso e segue disponível para contribuir com as autoridades", diz a nota da defesa.

Segundo a Folha de S.Paulo apurou com investigadores, a única menção a um filme de Lula na proposta de colaboração está em um anexo sobre o financiamento do filme "Dark Horse", sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em que o ex-banqueiro afirma que já havia patrocinado anteriormente filmes sobre Lula e sobre o ex-presidente Michel Temer (MDB).

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