Joyce Maia*
Indígenas da comunidade Wassu Cocal interditaram, na manhã desta quarta-feira (12), um trecho da BR-101, em Joaquim Gomes, Zona da Mata alagoana. A manifestação faz parte de uma mobilização nacional dos povos indígenas contra o marco temporal e em defesa da demarcação de terras.
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Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), a rodovia está interditada e, até o momento, não há previsão para a liberação do trecho. A situação provoca impactos no tráfego da região, uma das principais ligações rodoviárias de Alagoas.
Mais cedo, indígenas também bloquearam um trecho da BR-423, na região do povoado Maria Bode, em Água Branca, no Alto Sertão de Alagoas.
Participam da mobilização povos como Katokinn, Karuazu e Jiripankó, de Pariconha; Koiupanká, de Inhapi; Kalankó, de Água Branca; e Kraunã, de Olho d’Água do Casado. Em Joaquim Gomes, a mobilização ocorre na comunidade Wassu Cocal em parceria com os povos Xukuru-Kariri de Palmeira dos índios.
Além da defesa da demarcação dos territórios, os indígenas reivindicam mudanças na forma como o processo relacionado ao marco temporal vem sendo conduzido. As lideranças defendem que as discussões sejam realizadas de forma presencial, e não virtual, como vêm ocorrendo.
O atual julgamento e recursos sobre o marco temporal no Supremo Tribunal Federal (STF) teve início dia 7 deste mês de agosto e deve ir até o dia 18.
O marco temporal é uma tese jurídica segundo a qual os povos indígenas teriam direito à demarcação apenas das terras que ocupavam ou que estavam em disputa judicial na data de 5 de outubro de 1988, quando foi promulgada a Constituição Federal.
* Estagiária sob supervisão
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