O Corinthians decidiu não renovar o contrato com o atacante Memphis Depay, comunicando a decisão ao jogador e seu estafe, que reagiram com irritação e incredulidade, especialmente após a expectativa de continuidade no clube.
A dívida do Corinthians com Memphis é de R$ 42 milhões, podendo chegar a R$ 77 milhões com juros, e a diretoria esperava que o jogador aceitasse um pagamento parcelado, mesmo sem a renovação do contrato, que já havia sido aprovado por diversos departamentos do clube.
A decisão de não renovar foi influenciada por pressões políticas internas e preocupações com valores de marketing, apesar de propostas de empresas para ajudar a cobrir custos. O presidente Osmar Stabile se reuniu com a diretoria para reafirmar sua posição, e a expectativa é que Memphis acione o clube judicialmente em breve.
Memphis Depay foi comunicado pelo departamento financeiro do Corinthians sobre a decisão do clube de não renovar seu contrato.
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O que aconteceu
O UOL apurou que, a pedido do presidente Osmar Stabile, o gerente financeiro André Lavieri entrou em contato virtualmente com o estafe do atacante, enquanto o mandatário corintiano foi ao CT Joaquim Grava comunicar a decisão ao departamento de futebol.
A reportagem também apurou que Memphis recebeu o pedido de que não acionasse a Fifa para cobrar integralmente a dívida que o Corinthians tem com ele. O débito é atualmente de R$ 42 milhões, mas chega a R$ 77 milhões com juros e correção monetária calculados até o momento.
A ideia da diretoria corintiana era que, mesmo sem a renovação do contrato, o jogador mantivesse a disposição de desconsiderar os juros e outros encargos e aceitasse o pagamento da dívida em quatro parcelas. Essa era uma condição que Memphis estava disposto a aceitar caso o vínculo fosse renovado.
Stabile não participou das conversas com Memphis ou com seu estafe. Mesmo na reta final das negociações, o presidente deixou a condução das tratativas a cargo dos departamentos jurídico e financeiro, que, em determinado momento, tiveram opiniões divergentes sobre a renovação.
Segundo pessoas ligadas ao estafe de Depay, a reação da equipe do holandês foi mesclada entre irritação e incredulidade. Assessores, representantes jurídicos e empresários do atleta tratavam a situação como acertada após alinhamento entre eles e os departamentos de futebol, financeiro, jurídico e de marketing.
Não renovação
A decisão de não renovar com Memphis foi tomada por Stabile no fim de semana. Na ocasião, o presidente recebeu a versão final do novo contrato, que teria validade até o meio de 2028.
O vínculo havia passado pela análise e recebido aprovação dos departamentos financeiro, jurídico, marketing de futebol. A versão final também já havia sido assinada pelo lado de Memphis.
De acordo com a apuração do UOL, o atacante reagiu negativamente ao ser informado da decisão da diretoria corintiana. Fontes ligadas ao clube relataram que a expectativa é de que o Corinthians seja acionado por Memphis ainda nesta semana.
Pessoas ligadas ao jogador, por outro lado, apontaram frustração do atleta — principalmente pelo fato de ele ter retornado ao Brasil com a expectativa de continuar no país. A permanência, portanto, era um desejo do holandês.
Segundo fontes relacionadas ao clube, Memphis havia sido orientado a não viajar ao Brasil enquanto a renovação não estivesse acertada. O jogador, porém, decidiu retornar mesmo assim, também como forma de pressionar pela aceleração das negociações.
Fontes ligadas a Stabile afirmam que o presidente ficou incomodado com os valores relacionados às verbas de marketing previstas no novo contrato.
A reportagem, porém, apurou que a quantia, na casa de R$ 15 milhões, estava acordada entre as partes desde o início das tratativas, no fim de julho. O valor também constava da proposta encaminhada pelo Corinthians a Memphis no início de junho, antes de o jogador viajar para disputar a Copa do Mundo pela seleção holandesa.
A previsão era de que o Corinthians se comprometesse a pagar semestralmente uma quantia em verbas comerciais e publicitárias envolvendo Memphis. Ao fim do contrato, a garantia era de que fossem levantados pelo menos R$ 15 milhões nessas ações.
Caso as ações comerciais gerassem uma receita superior aos R$ 15 milhões previstos, o excedente seria dividido entre o clube e o jogador.
Pressão política
As forças políticas contrárias à renovação também tiveram influência na decisão de Stabile. Conforme publicado pelo UOL em 28 de julho, aliados do presidente chegaram a cogitar retirar o apoio político à gestão, alguns deles de forma incisiva.
Mesmo com a decisão de não renovar estabelecida desde o fim de semana, Stabile chegou a ouvir pessoas que tentaram fazê-lo mudar de ideia.
No domingo, o presidente comunicou a integrantes da diretoria alguns dos pontos que o incomodavam. Entre eles estava a previsão de uma ajuda de custo mensal de R$ 250 mil.
O departamento de marketing do Corinthians informou a Stabile, na manhã desta terça-feira, que havia conseguido o aceno de duas empresas dispostas a compor esse valor no primeiro ano do contrato.
Segundo fontes ligadas ao setor de marketing, a expectativa era de que, a partir da assinatura do contrato e da produção das primeiras campanhas comerciais, o mercado respondesse positivamente e novas ações envolvendo Memphis fossem comercializadas.
Ao UOL, fontes ligadas a Stabile confirmaram o aceno das duas empresas para compor o valor da ajuda de custo. Segundo essas pessoas, porém, o presidente não recebeu propostas concretas sobre as possíveis parcerias.
No fim do dia, Stabile se reuniu com todo o corpo diretivo em um encontro que já estava previamente marcado. Na reunião, o presidente voltou a apresentar os argumentos expostos na nota oficial assinada por ele e publicada no site do clube para comunicar a decisão de não renovar com Memphis Depay.