Infraestrutura e alimentos devem atrair investimento chinês, diz embaixador

Publicado em 04/09/2015, às 19h06
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Redação


As mudanças de rumo da economia chinesa são oportunidade para mudar a relação entre Brasil-China, na opinião do embaixador Roberto Jaguaribe, que assume o posto na China no mês que vem. "A China já está ciente da incapacidade de ser o que planejava há 20 anos: o santo global de manufatura de tudo. Eles estão cientes de que é necessário investir em produção fora do país. E o Brasil é candidato importante e natural para avançar neste mercado", disse Jaguaribe ao jornal "O Estado de S. Paulo".


Com o fim do boom das commodities e a desaceleração da economia chinesa, o Brasil precisa atrair investimentos chineses em outras áreas, sendo as mais promissoras, segundo o embaixador, infraestrutura e produção de alimentos.


A China está intensificando o processo de urbanização, o que aumenta a demanda por produtos industrializados agrícolas e de produção animal, áreas com potencial de expansão para o agronegócio brasileiro. O embaixador se reuniu com a ministra da Agricultura, Kátia Abreu, que insistiu na necessidade de se firmar um acordo de preferência tarifária com o país asiático. Por meio desse acordo, os dois países escolhem um grupo de produtos que pode ser vendido livremente.


Jaguaribe disse que o Brasil ainda quer ampliar os investimentos em infraestrutura, energia e ciência e tecnologia. Antes de assumir o cargo, ele está passando por uma romaria entre os ministérios. "Essa conjuntura de volatilidade que vemos nos dois países não afeta os compromissos já assumidos, nem a ampliação do potencial da relação", afirma. 


Assim como o Brasil, a China enfrenta desafios econômicos. Uma combinação de fatores levou à deterioração das expectativas: mesmo com estímulos, a desaceleração da atividade se agrava, queda na bolsa, saída de capitais e incertezas quanto à nova política cambial são alguns dos ingredientes.


O Brasil tem parceria com a China em duas grandes fontes de financiamento em infraestrutura: o Banco Asiático de Desenvolvimento em Infraestrutura (AIIB) e o banco dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). A primeira instituição, sob liderança da China, se contrapõe ao Banco de Desenvolvimento da Ásia, que tem forte influência americana. Já o banco dos Brics, com sede em Xangai, foi concebido como alternativa desses países ao Banco Mundial e ao Fundo Monetário Internacional (FMI).


Além da relação comercial, o embaixador tem a missão de estreitar o entendimento dos dois países sobre governança global. O País tenta angariar o apoio chinês na defesa do Brasil como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU. A China já declarou apoio à pretensão brasileira, mas na prática ficou na retórica.


Interessa ao Brasil também a experiência da China como anfitriã dos Jogos Olímpicos, em 2008. A próxima Olimpíada terá como sede o Rio de Janeiro, em 2016. Segundo o embaixador, a China foi exitosa tanto na organização do evento como na formação dos atletas.


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