Inmetro reage contra possível transferência para Ciência e Tecnologia

Publicado em 06/12/2018, às 23h01
-

Redação

A possível transferência do Inmetro para o Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), que será comandado pelo ex-astronauta Marcos Pontes, já causa insatisfação em setores da autarquia, que consideram as atividades do instituto muito mais ligadas ao Ministério da Economia.

LEIA TAMBÉM

A transição entre as pastas pode ocorrer devido à extinção do Ministério de Indústria, Comércio Exterior e Serviços, que hoje abriga o instituto, que será integrado à Economia no governo de Jair Bolsonaro.

Entre algumas competências do Inmetro estão a regulamentação e a certificação de segurança de produtos, a execução de políticas de metrologia e a verificação de normas técnicas e legais relativas a unidades de medida e a instrumentos de medição.

Além disso, a agência tem um papel estratégico junto à OMC (Organização Mundial do Comércio). Funciona como uma autoridade notificadora nacional em questões ligadas a barreiras técnicas.

O presidente do Inmetro, Carlos Augusto Azevedo, que já passou pelo MCTI, é contrário à realocação da autarquia.

"A nossa natureza demanda que estejamos cada vez mais ligados à indústria. Há uma dificuldade de as pessoas de ciência pura entenderem o Inmetro, que é relacionado ao comércio exterior; ele lida com regramentos que não são comuns a outras ciências", diz Azevedo, há 10 anos no Inmetro.

Para Azevedo, a mudança pode deixar o trabalho "mais complicado", já que o instituto está habituado à interlocução do comércio.

"Os problemas que precisamos resolver são de regulação, não necessariamente científicos", diz.

Uma funcionária do Inmetro há 24 anos afirma que o instituto tem uma visão central de política industrial e comércio exterior, com atribuições bastante técnicas.

"O lugar do Inmetro não é no MCTIC. Cumprimos exigências para que um produto brasileiro ou importado esteja em conformidade com as regras para impedirmos barreiras técnicas. Isso exige provisão de transparência com outros países. Tudo é inerente a uma pasta que dialogue com o comércio exterior, não com pesquisa", diz.

Segundo ela, o sentimento geral entre os funcionários é de dúvida sobre as motivações de uma possível transição que não seja para o Ministério da Economia.

O Inmetro foi criado em 1973 e tem 800 profissionais. Sua lei de criação estabelece como finalidade aprimorar a qualidade da produção industrial, tanto para a melhoria dos produtos colocados à disposição do consumidor nacional, quanto dos produtos industriais nacionais destinados ao mercado externo.

Correios

Os Correios seguirão subordinados à pasta da Ciência e Tecnologia e privatização ainda não está na pauta, disse o futuro ministro Marcos Pontes nesta quinta-feira (6), de acordo com a Reuters.

"Os Correios são com a gente, nós temos a parte de comunicações junto e continua junto no nosso organograma", disse ele na saída do comitê de transição em Brasília.

"Por enquanto não está na pauta (privatização)", completou o ex-astronauta.

Gostou? Compartilhe

LEIA MAIS

Vereador por cidade no RJ relata tentativa de homicídio em casa Mulher morre ao ser lançada sem corda de 'rope jump' no interior de São Paulo "Vovô Anésio", idoso que viralizou com vídeo sobre cachaça, morre aos 88 anos Conheça o idoso de 102 anos que dirige e malha cinco vezes por semana