Insuficiência renal crônica: entenda por que a doença afeta principalmente os idosos

Publicado em 14/07/2026, às 13h30
- A insuficiência renal crônica pode permanecer silenciosa durante muito tempo (Imagem: Fida Olga | Shutterstock)

Redação EdiCase

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 674 milhões de pessoas em todo o mundo vivem com doença renal crônica, condição que reduz progressivamente a capacidade dos rins de filtrar o sangue e eliminar toxinas do organismo. Bastante comum entre os idosos, ela preocupa por evoluir de forma silenciosa e, muitas vezes, ser confundida com uma consequência natural do envelhecimento.

Com o passar dos anos, é esperado que os rins sofram uma redução gradual da capacidade de funcionamento. No entanto, essa alteração fisiológica é diferente da insuficiência renal crônica, que exige acompanhamento e tratamento médico.

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“O envelhecimento provoca uma redução fisiológica da função dos rins, mas isso não significa que toda pessoa idosa desenvolverá insuficiência renal crônica. Na maioria dos casos, a doença surge pela associação entre idade, hipertensão, diabetes, doenças cardiovasculares e outros fatores que comprometem progressivamente o funcionamento renal”, explica a geriatra Dra. Priscila Guerra.

Doença costuma evoluir sem provocar sintomas

Diferentemente de outras enfermidades, a insuficiência renal crônica pode permanecer silenciosa durante muito tempo. Isso faz com que muitos pacientes descubram o problema apenas quando os rins já perderam parte importante da capacidade de filtração.

“Nos estágios iniciais, a doença renal crônica geralmente não causa sintomas. O paciente pode se sentir completamente bem enquanto a função dos rins está diminuindo lentamente. Por isso, exames periódicos são fundamentais, especialmente para idosos e pessoas com fatores de risco”, alerta a nefrologista e clínica médica Dra. Renata Asnis.

Inchaço nas pernas, cansaço excessivo, alterações na urina, perda de apetite, náuseas e dificuldade para controlar a pressão arterial estão entre os sintomas mais comuns. O problema é que eles costumam surgir quando a doença já está avançada.

Por isso, a ausência de sintomas não significa que os rins estejam funcionando normalmente. “A doença renal crônica é silenciosa justamente porque o organismo consegue compensar a perda da função dos rins durante muito tempo. Quando os sintomas aparecem, muitas vezes já existe um comprometimento importante, o que reforça a necessidade dos exames preventivos”, explica a Dra. Renata Asnis.

Fatores de risco para a doença renal crônica

Grande parte dos casos de insuficiência renal crônica está relacionada ao controle inadequado da pressão arterial e da glicemia. Isso porque a hipertensão e o diabetes provocam lesões progressivas nos pequenos vasos sanguíneos dos rins.

“Quando hipertensão e diabetes permanecem descontroladas por muitos anos, os rins sofrem um desgaste contínuo. O acompanhamento médico e o tratamento adequado dessas doenças ajudam a reduzir significativamente o risco de evolução para insuficiência renal”, ressalta a Dra. Priscila Guerra.

Além disso, a automedicação é um hábito frequente entre idosos, principalmente com anti-inflamatórios utilizados para dores musculares e articulares. Porém, o uso indiscriminado desses medicamentos pode prejudicar ainda mais a função renal.

Segundo a Dra. Renata Asnis, qualquer tratamento deve ser acompanhado por um profissional de saúde. “Os rins são muito sensíveis a determinados medicamentos. O uso repetido de anti-inflamatórios sem orientação médica pode agravar lesões renais existentes e favorecer a progressão da doença, principalmente em pacientes idosos”, ressalta.

Diagnosticar precocemente a insuficiência renal crônica ajuda a preservar a função dos rins por mais tempo (Imagem: fizkes| Shutterstock)

O diagnóstico precoce pode retardar a evolução da doença

Mesmo sem cura na maioria dos casos, a insuficiência renal crônica pode ser controlada quando identificada precocemente. O tratamento adequado reduz complicações e ajuda a preservar a função dos rins por muitos anos.

“Quanto mais cedo identificamos alterações na função renal, maiores são as possibilidades de retardar a evolução da doença. Isso permite que o paciente mantenha sua autonomia, qualidade de vida e reduza o risco de tratamentos mais complexos no futuro”, explica a Dra. Priscila Guerra.

Cuidar dos rins é cuidar do envelhecimento saudável

Manter hábitos saudáveis continua sendo uma das principais estratégias para proteger os rins. Alimentação equilibrada, hidratação adequada, atividade física, controle das doenças crônicas e consultas regulares fazem parte desse cuidado.

Para a Dra. Renata Asnis, preservar a função renal significa proteger todo o organismo. “Os rins participam do equilíbrio de diversos sistemas do corpo. Quando preservamos sua função, também contribuímos para a saúde cardiovascular, metabólica e para um envelhecimento com mais qualidade de vida. A prevenção ainda é o melhor tratamento”, finaliza.

Por Sarah Carvalho 

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