'Jairo é um psicopata severo. Monique é narcisista', diz promotor em alegação final

Publicado em 03/06/2026, às 15h53
Jairinho e Monique no banco dos réus - Reprodução / TV Globo

Bruna Fantti / Folhapress

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O promotor Fábio Vieira manteve a acusação contra Jairo de Souza, o Jairinho, e a ex-diretora escolar Monique Medeiros, durante as alegações finais do julgamento da morte de Henry Borel. Ele chamou o padrasto de "psicopata severo" e a mãe de "narcisista".

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"Sentada aqui no banco dos réus, ela em nenhum momento disse: 'podem me condenar, a pena maior foi a morte do meu filho'. Ela se coloca em primeira pessoa o tempo inteiro, o filho dela nunca esteve em primeiro lugar. Ela se diz a injustiçada", diz Vieira, referindo-se a Monique, mãe de Henry.

No início da sua fala, o promotor passou um vídeo da psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva que falava sobre psicopatas e narcisistas, o que relacionou ao comportamento dos réus.

Ele tambérm apontou o trecho de um livro para mencionar que o narcisista faz uso de manipulação sofisticada e difícil de detectar, leitura social e charme. "Quando ela diz que procurou ajuda para Henry com psicóloga, professora, médico, ela estava maquiando a preocupação", disse.

Ainda segundo a promotoria, Monique teve preocupações pouco habituais como ir ao salão de beleza antes do enterro do filho e roupas específicas para prestar depoimento.

"Ela ainda demonstrou ciúmes de Jairinho quatro horas após a morte do filho, perguntando onde estava e com quem estava", afirmou a promotora Audrey Marques. Já Monique disse, em seu testemunho, que estava em luto profundo e arrancou o megahair, deixando feridas e buracos no couro cabeludo. Por isso, foi ao salão. Em relação a ter se preocupado com roupa, disse que sofria pressão por parte do advogado da época.

Marques pediu aos jurados a condenação de ambos, e disse que são dez anos por cada caso de tortura (três episódios que Henry foi supostamente agredido). "Do Henry foram tirados 70 anos de vida. Ele não pode ir para a escola, ele não vai virar adolescente, ele não vai namorar, viajar, casar e ter filhos", frisou.

Em seguida, o assistente de acusação, Cristiano Medina, lembrou que Jairinho era chamado de "príncipe de Bangu", bairro da zona oeste do Rio de Janeiro onde a família dele tem influência. Ele ainda afirmou que Monique queria ser a "princesa de Bangu", ao afirmar que ela gostava de ter uma "vida de luxo".

"Tenho dó da Monique, mas ela foi omissa e tem que pagar por isso. Quando ela pagar, tenho certeza de que será ressocializada. O Jairo, não. Duvido que esse anjo do mal, esse príncipe das trevas, saia de dentro dele. Outras crianças podem voltar a ser vítimas dele.", disse.

Medina, em seguida, apresentou dados de contagem de passos dos réus nos momentos que antecederam o crime.

"Jairo deu 349 passos naquela madrugada. O que ele estava fazendo lá dentro? Treinando para uma maratona? Monique deu 132 passos."

Ao final dos debates, os sete jurados decidirão se Jairinho e Monique devem ser condenados ou absolvidos das acusações relacionadas à morte de Henry Borel, ocorrida em março de 2021.

Nesta terça (2), Monique apresentou aos jurados um relato centrado em dois eixos: a alegação de que viveu um relacionamento abusivo com Jairinho e a afirmação de que não tinha conhecimento de agressões contra o filho. Já Jairinho nega as acusações.

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