Mulher acusada de matar sargento da PM dentro de casa enfrenta Tribunal do Júri em Maceió

Publicado em 06/08/2026, às 12h34
A sessão ocorre no Fórum Desembargador Jairon Maia Fernandes, no bairro Barro Duro - Foto: Ascom MPE
A sessão ocorre no Fórum Desembargador Jairon Maia Fernandes, no bairro Barro Duro - Foto: Ascom MPE

por Eberth Lins

Publicado em 06/08/2026, às 12h34

O julgamento de Josefa Cícera Nunes Flores, acusada de assassinar o sargento da Polícia Militar Alessandro Fábio da Silva, começou no Fórum Desembargador Jairon Maia Fernandes em Maceió, quatro anos após o crime ocorrido em sua residência.

O Ministério Público de Alagoas classifica o caso como homicídio qualificado, argumentando que a versão da defesa não se sustenta diante das evidências, incluindo a distância do disparo, que foi de cerca de dois metros.

A defesa alega que Josefa agiu em legítima defesa, apresentando testemunhas e laudos que indicam que ela sofreu agressões antes do incidente, enquanto investigações revelaram a apreensão de duas armas de fogo não registradas na casa do casal.

Resumo gerado por IA

Começou nesta quinta-feira (06), o julgamento de Josefa Cícera Nunes Flores, acusada de matar o companheiro, o sargento da Polícia Militar Alessandro Fábio da Silva, de 53 anos. O crime aconteceu há mais de quatro anos, dentro da residência onde o casal morava, no bairro Cidade Universitária, na parte alta de Maceió.

A sessão ocorre no Fórum Desembargador Jairon Maia Fernandes, no bairro Barro Duro, e reúne as teses da acusação e da defesa sobre as circunstâncias da morte do militar.

O Ministério Público de Alagoas (MPAL), representado pelo promotor de Justiça Antônio Vilas Boas, sustenta que o caso trata de homicídio qualificado e afirma que a versão apresentada pela acusada não condiz com as provas reunidas durante a investigação.

Conforme o promotor, o disparo que atingiu Alessandro Fábio foi realizado a uma distância aproximada de dois metros, o que, na avaliação da acusação, afasta a hipótese de que o tiro tenha ocorrido durante uma situação de defesa ou em uma dinâmica conhecida como “roleta-russa”.

“A nossa tese é de homicídio qualificado. O que será trazido pela defesa não encontra eco no que consta nos autos e não dialoga com a vida do casal, marcada por brigas e discussões. Essa tese não dialoga com uma prova técnica”, disse o promotor.

A defesa de Josefa Cícera, conduzida pelo advogado Fidelis Dias, diz que a acusada agiu em legítima defesa. Segundo o advogado, testemunhas e documentos do processo devem demonstrar que ela teria sofrido agressões antes do disparo.

“A defesa acredita que existiu uma conduta marcada pela legítima defesa. A tese será apresentada por meio das testemunhas, tanto da acusação quanto da defesa, além do laudo que aponta que a acusada possuía escoriações e possivelmente sofreu agressões antes do fato”, declarou o advogado.

Desde o dia do crime, a explicação dada por Josefa mudou e passou a ser um dos principais pontos do caso.
Desde o dia do crime, a explicação dada por Josefa mudou e passou a ser um dos principais pontos do caso.

O crime ocorreu na noite de 23 de março de 2022. Alessandro Fábio foi atingido por um disparo de arma de fogo na região do abdômen e chegou a ser socorrido para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Cidade Universitária, mas não resistiu aos ferimentos.

A morte ocorreu no mesmo dia em que o sargento comemorava uma conquista na carreira militar: ele seria promovido da graduação de sargento para subtenente da Polícia Militar.

Durante as investigações, foram apreendidas na residência do casal duas armas de fogo, sendo uma pistola Taurus modelo 938 e uma pistola Glock calibre .40, além de três carregadores. Os armamentos, segundo a Polícia Militar, não possuíam registro.

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