Janadaris Sfredo: condenada por morte de advogado se apresenta à polícia após nova decisão do TJ

Publicado em 06/10/2025, às 10h42
- Reprodução

Redação

A advogada gaúcha Janadaris Sfredo, condenada pelo homicídio do também advogado Marcos André de Deus Félix, na Praia do Francês, no ano de 2014, se apresentou à polícia nesta segunda-feira (6), depois de o Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL) revogar a liminar da concessão do habeas corpus e manter a prisão da mulher, na última semana.

LEIA TAMBÉM

Janadaris Sfredo foi condenada a 28 anos de reclusão, em agosto deste ano, depois do júri realizado no Fórum Desembargador Jairo Maia Fernandes, no Barro Duro, com duração de cerca de 19 horas. Ela cumprirá 50% da sentença em regime fechado. Como já passou quatro anos presa, a pena foi subtraída para 24 anos. Então, a advogada passará 12 anos no sistema prisional. 

Em vídeo divulgado nas redes sociais, Janadaris destacou que o placar do júri, de 4 a 3, mostra o "quão grande é a dúvida" sobre a condenação. "O Judiciário levou em conta o depoimento de um traficante internacional, de uma organização criminosa, uma das primeiras do país. Eles não foram investigar a vida dele e o patrimônio que ele teme. Tudo o que foi dito no depoimento foi o que levou para me condenar. Mas eu acredito na Justiça e tenho certeza que vamos reverter. O que for imposto eu vou cumprir", disse.

No último dia 26, a Justiça havia concedido a soltura da advogada, porém, quatro dias depois, o TJAL proferiu nova decisão com a revogação da liminar. As duas determinações foram proferidas pelo desembargador Tutmés Airan. Ele destacou que a decisão do juiz de primeira instância seguiu precedente do Supremo Tribunal Federal (STF), que considera válida a execução imediata da pena imposta pelo Tribunal do Júri, independentemente do tempo da condenação. O entendimento se baseia na soberania dos veredictos dos jurados, que não podem ser substituídos por outro tribunal.

Segundo o STF, apenas em casos excepcionais, como nulidades evidentes ou condenações manifestamente contrárias às provas, é possível permitir que o réu recorra em liberdade. Para o relator, o fato de a votação no júri ter sido apertada — quatro votos a três — não se enquadra nessa hipótese.

O caso

Marcos André foi surpreendido por dois homens armados no dia 14 de março de 2014, na Praia do Francês, em Marechal Deodoro. Ele foi atingido por tiros e encaminhado ao Hospital Geral do Estado (HGE). Depois, o advogado foi transferido para o Hospital Universitário Professor Alberto Antunes (HUPAA), onde foi tratado por duas semanas, antes do falecimento. O atentado teria sido motivado por uma disputa judicial de reintegração de posse do imóvel.

Marcos André e Janadaris Sfredo tiveram uma desavença devido a uma ação de reintegração de posse de imóvel (uma pousada). A disputa teve decisão favorável para o alagoano que, com a ordem de despejo em mãos, esteve na pousada para retirar pessoas do local. Janadaris era advogada do dono da pousada, até então.

Por vingança, ela teria contratado duas pessoas e ordenado a morte do alagoano mediante a quantia de R$ 2 mil. Os executores já estão presos e foram condenados.

Gostou? Compartilhe

LEIA MAIS

Justiça mantém prisão de jovem suspeito de dopar e estuprar colega de escola em Alagoas Justiça mantém preso homem que chutou rosto de filha no Paraná Justiça do RJ condena acusado de matar ator Jeff Machado Defensoria Pública aciona Estado por superlotação e condições degradantes em cadeia de Maceió