Jogador que xingou rival de “macaco” recebe pena menor que vítima; entenda

Publicado em 22/10/2025, às 11h31
- Reprodução/Redes sociais

CNN Brasil

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O Tribunal de Justiça Desportiva do Paraná, o TJD-PR, condenou um jogador vítima de racismo com uma pena maior que o acusado.

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O incidente de racismo foi registrado durante partida entre Batel Guarapuava e o Nacional-PR pela Taça FPF, no dia 4 de outubro, em Guarapuava, no Paraná. O volante Diego, do Batel, chamou o zagueiro Paulo Vitor, o PV, do Nacional, de “macaco” durante uma discussão em campo. O jogador do Nacional reagiu com um soco no adversário, que caiu no gramado e precisou de atendimento médico de uma ambulância.

Após um julgamento de quatro horas, a decisão condenou Diego, o autor da injúria racial com 7 jogos de suspensão e multa de R$ 2 mil. Em defesa, o ex-volante do Batel alegou que ao invés de “macaco” teria xingado Paulo Vitor de “malaco”. A versão, porém, não foi aceita pela corte.

Porém, a decisão mais pesada restou para o zagueiro do Nacional. Ele foi denunciado por uma cusparada e pelo soco. Ele negou cuspe, porém foi suspenso por 10 jogos na soma das punições.

Entenda o caso

Um caso de racismo foi registrado durante partida entre Batel Guarapuava e o Nacional-PR pela Taça FPF, no último sábado (4), em Guarapuava, no Paraná.

O volante Diego, do Batel, chamou o zagueiro Paulo Vitor, o PV, do Nacional, de “macaco” durante uma discussão em campo. O jogador do Nacional reagiu com um soco no adversário, que caiu no gramado e precisou de atendimento médico de uma ambulância.

O árbitro Diego Ruan Pacondes da Silva acionou o protocolo antirracismo da FIFA, cruzando os braços em “X”, e relatou o caso na súmula. PV foi expulso pela agressão, enquanto Diego permaneceu em campo até o fim da partida. O Batel venceu por 1 a 0, resultado que garantiu sua classificação e eliminou o Nacional da competição.

O volante PV lamentou o incidente. “Quero deixar minha indignação com o ocorrido do último jogo que fui vítima de racismo, não sou a favor da violência mas parece q só assim eles sentem na pele. Quem é da cor vai entender minha reação, espero que a justiça seja feita e que casos como esse não só no futebol sejam resolvidos e não julgados como vitimismo ou algo do tipo. Fogo nos racistas”, publicou.

A reportagem não conseguiu contato com a defesa com o zagueiro acusado.

Pelas redes sociais, o Batel confirmou a demissão do atleta Diego. “O Batel Guarapuava informa que, após apresentar-se às autoridades competentes em relação à ocorrência registrada na partida de ontem, contra o Nacional, o atleta envolvido foi imediatamente desligado de suas atividades e não integra mais o elenco profissional do clube. O Batel reafirma seu compromisso com o respeito, a igualdade e os direitos humanos, repudiando veementemente qualquer forma de preconceito, racismo ou discriminação. O clube continuará colaborando integralmente com as autoridades para que os fatos sejam esclarecidos e as medidas legais cabíveis sejam devidamente aplicadas”, disse o clube em nota.

A Federação Paranaense de Futebol repudiou o episódio. Leia a nota na íntegra:

Combater o racismo é um compromisso da Federação Paranaense de Futebol. Repudiamos o ocorrido na partida entre Batel x Nacional pela Taça FPF neste sábado (04), em Guarapuava.

Após uma situação de jogo que causou confusão na área, o zagueiro do Nacional acabou expulso por agressão contra um jogador do Batel, ao supostamente reagir a uma injúria racial, desferindo um soco no adversário.

O árbitro da partida, Diego Ruan Pacondes da Silva, seguiu o protocolo global antirracismo da FIFA, com o gesto característico dos braços cruzados, sinalizando o ocorrido, e a partida ficou parada por cerca de 18 minutos.

Racismo não!

A FPF mantém campanhas permanentes antirracismo nos estádios (com placas, cartazes e faixas), no site e redes sociais e lançou em 2005 um vídeo explicativo sobre o protocolo da FIFA contra o racismo. Também reiteramos nosso posicionamento contra a violência no futebol, dentro e fora dos gramados.

Os atos desse sábado serão encaminhados e julgados pelo Tribunal de Justiça Desportiva do Paraná.
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