Justiça nega liminar ao Safra e autoriza venda da Braskem

Publicado em 08/07/2026, às 07h00

Flávio Gomes de Barros

Informação do portal "Painel Político":
 

"A Justiça negou o pedido do Banco Safra para suspender a venda do controle da Braskem para o fundo IG4 Capital. O Safra, credor da petroquímica, argumentava que a venda direta violaria a Lei das S.A. e exigiria um processo competitivo.

A Novonor classificou a manobra judicial como oportunista, em meio a uma crise de dívida de mais de R$ 50 bilhões. A decisão destrava a transição de controle e permite que a IG4 inicie seu ousado plano de reestruturação.

O Safra argumentava que a venda direta para o fundo FIP Shine, ligado à IG4, desrespeitava a Lei das Sociedades Anônimas. A tese do banco era de que cláusulas de exclusão de sucessão só seriam válidas em processos competitivos de leilão, e não em negociações diretas com comprador pré-selecionado. 

A movimentação do Safra não foi um ato isolado de defesa patrimonial, mas uma jogada de pressão em meio ao colapso financeiro da Braskem. O banco, que possui cerca de R$ 500 milhões em créditos com a petroquímica, chegou a ameaçar compensar unilateralmente R$ 200 milhões dessas dívidas, uma medida que geraria um caos contábil e jurídico para a empresa em meio ao seu processo de reestruturação.

A petroquímica amarga um passivo que supera a casa dos R$ 50 bilhões, com uma fatia bilionária em moeda estrangeira, o que a torna refém das oscilações cambiais e das taxas de juros globais. Em 2025, a empresa registrou um prejuízo líquido superior a R$ 10 bilhões.

A entrada da IG4 Capital não é apenas uma troca de CNPJ no organograma; é uma tábua de salvação. O fundo, conhecido por apostar em reestruturações de alto risco e alto retorno, possui o capital e a expertise para renegociar essa dívida monumental e tentar salvar o ativo industrial.

Barrar a venda neste momento, como pedia o Safra, seria condenar a Braskem a uma paralisia operacional e financeira, corroendo ainda mais o valor dos próprios créditos que o banco diz querer proteger."

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