Leite materno ajuda a formar microbiota intestinal saudável mesmo após o desmame, diz estudo

Publicado em 01/07/2026, às 22h24
- Reprodução/Wikimedia Commons

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Uma pesquisa publicada na Nature Communications em 27 de maio revelou que a amamentação ajuda a moldar a microbiota intestinal de crianças mesmo durante o desmame ou a transição para os alimentos sólidos.

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A ciência já tinha conhecimento dos benefícios biológicos do aleitamento materno há tempos. A novidade, segundo Maher Abou Hachem, da Universidade Técnica da Dinamarca, é que agora é possível explicar como os chamados oligossacarídeos do leite humano (HMOs) ajudam a selecionar comunidades bacterianas associadas a uma microbiota intestinal saudável até quando a criança já não é mais considerada um bebê.

Ecossistema estomacal

O estudo demonstrou que certas bactérias apresentaram uma vantagem na competição para ocupar o intestino do bebê devido, justamente, ao leite materno. Essa luta – e consequente vitória – ocorre durante o desmame, momento que os resultados mostraram ser um “janela de desenvolvimento” importante para a saúde do lactente. É nesse período que os HMOs do leite materno são metabolizados e, a eles, somam-se as fibras de alimentos de origem vegetal que começam a ser introduzidos na alimentação da criança.

Da seleção bacteriana, permanecem os seres vivos que integrarão quase que integralmente a microbiota intestinal da futura criança. Para os pesquisadores, isso revelou que o leite materno fornece muito além dos nutrientes necessários ao bebê. Não à toa, a longo prazo, esse conhecimento poderá contribuir para o desenvolvimento de melhores soluções nutricionais que beneficiem a vida dos pequenos.

Em comunicado, Lise Aunsholt, da Universidade de Copenhague, destacou que “os resultados (...) reforçam a já forte ênfase na promoção da produção de leite materno e do aleitamento materno quando bebês e crianças pequenas são internados em uma unidade de terapia intensiva neonatal devido a parto prematuro ou doença grave”.

Situações de risco de vida como as exemplificadas por Aunsholt poderão ser embasadas em dietas mais nutritivas para os bebês e que sejam à base de leite materno. O saber em relação aos benefícios do aleitamento materno servirão para o desenvolvimento de futuras soluções alimentícias e intervenções direcionadas que apoiem o estabelecimento de uma comunidade bacteriana intestinal saudável.

Os resultados também sugerem que o período de desmame pode ser um momento crucial para medidas preventivas contra doenças que, mais tarde na vida, estão associadas a distúrbios na microbiota intestinal.

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