Lúpulo alagoano, prazer em conhecer!

Publicado em 29/05/2026, às 10h31
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Nide Lins

Você sabia que Alagoas tem uma fazenda de lúpulo? Pois tem. Em União dos Palmares, a Fazenda Sete Léguas vem mostrando que o Nordeste também pode produzir a flor que é considerada o coração da cerveja artesanal. O projeto é pioneiro, conta com o apoio do Sebrae e já inspira novos rótulos produzidos com lúpulo alagoano. Mais uma história de inovação que nasce na terra de Zumbi dos Palmares.
Mas afinal, o que é o lúpulo? É a flor responsável por equilibrar o dulçor do malte, garantir a estabilidade microbiológica da bebida e, principalmente, conferir os aromas e o amargor que definem o estilo de cada cerveja. Sem lúpulo, a cerveja não seria a mesma.

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Flor do lúpulo. Foto: Julio Vasconcelos


O início de tudo
Em 2021, uma reportagem despertou a curiosidade do empresário Aluysio Righetti, da Hoop Is All. A matéria mostrava experiências bem-sucedidas de cultivo de lúpulo com iluminação artificial em regiões do Sul do país e em áreas próximas a Campos do Jordão. “Na época, 99% do lúpulo consumido no Brasil era importado e o preço chegava a cerca de R$ 300 por quilo. Encarei aquilo como um desafio e resolvi fazer um teste com algumas mudas em março de 2022”, recorda Aluysio.

Aluysio, pioneiro com a plantação de lupo no Nordeste. Foto: Julio Vasconcelos

Quatro anos depois, em maio de 2026, ele recebeu mais caravana de cervejeiros de Alagoas e Pernambuco para vivenciar a experiência da colheita da flor na Fazenda Sete Léguas, em União dos Palmares.

A terra que produz inovação
A área inicial do projeto ocupava 2 mil metros quadrados, com cerca de 500 plantas distribuídas em oito variedades diferentes. O objetivo era entender quais delas melhor se adaptariam às condições climáticas da região e também quais seriam mais atrativas para as cervejarias. Após seis safras, os resultados permitiram selecionar quatro variedades com melhor desempenho agronômico e maior aceitação pelo mercado cervejeiro. “Existem quase 200 variedades de lúpulo. Não é uma escolha fácil”, explica o empresário. Hoje, a nova área de cultivo já conta com mais de mil mudas. A meta é alcançar duas mil plantas em um futuro próximo.

A iluminação artificial para dar certo


“Acredito que estamos no caminho certo. Atualmente tenho cerca de 500 plantas em produção, mas meu plano é chegar a duas mil em aproximadamente um ano. Vou concentrar o cultivo nas quatro ou cinco variedades que melhor se adaptaram à região e que possuem maior aceitação pelas cervejarias. Com duas mil plantas, conseguiremos atender os mercados de Alagoas e Pernambuco”, afirma Aluysio.


Parceria
A parceria com o Sebrae vem de longa data. “O Sebrae chegou junto desde a década de 1990. Fizemos aqui na fazenda o primeiro programa 5S Rural e muitos outros cursos e treinamentos. Neste projeto específico, o Sebrae acompanha desde a primeira safra e tem nos ajudado muito na organização dos eventos e na divulgação do plantio”, destaca Aluysio.
O Sebrae Alagoas atua como articulador do setor, apoiando iniciativas voltadas à inovação, capacitação e acesso ao mercado, como explica a analista Januacele Vieira.

Lúpulo pronto para o mercado. 


“Nosso papel é acompanhar e apoiar os empresários, porque quando o empreendedor sonha, o Sebrae está junto para ajudar a realizar. Somos uma grande rede parceira e acompanhamos a plantação de lúpulo desde o início, sempre atentos ao potencial de mercado para o setor cervejeiro do Nordeste e também do Brasil. O evento deste ano teve o dobro de participantes em relação ao ano passado, o que demonstra o interesse crescente pelo segmento”, afirma.
Segundo ela, o terceiro encontro realizado em 2026 consolidou a Fazenda Sete Léguas como um importante polo de conhecimento, pesquisa e inovação para a cadeia cervejeira nordestina.
“Enxergamos esse projeto como um grande hub de conhecimento para o setor. Nesta edição, os participantes puderam acompanhar não apenas o cultivo, mas também os processos de secagem e peletização do lúpulo, etapas fundamentais para a comercialização. Hoje existe uma oportunidade real de acesso ao mercado, geração de negócios e fortalecimento da produção local.”

Januacele do Serbae: próximo passo rotulagem e benificiamento. Foto: Julio Vasconcelos


Januacele destaca ainda que o Sebrae continuará apoiando o empreendimento por meio de consultorias em mercado, rotulagem e beneficiamento, além da articulação com pesquisadores especializados.
“Nosso objetivo é ampliar o acesso ao mercado, aumentar a produtividade e o faturamento do produtor. Também queremos fortalecer o mercado cervejeiro de Alagoas, incentivando a produção de uma bebida genuinamente local e contribuindo para que o lúpulo alagoano seja reconhecido como parte da identidade do estado.”

Visita técnica a fazenda de lúpulo. Foto: Julio Vasconcelos

 

Resultados

Ao longo dos anos, os resultados obtidos têm chamado a atenção do setor. Entre eles, a premiação na 4° edição da Copa Brasileira de Lúpulos, maior evento de reconhecimento de produtores da planta no país, onde Righetti conquistou o 2° lugar na categoria “Nugget”.
A primeira cerveja 100% com lúpulo da propriedade também é outro destaque. A partir do viveiro experimental que conta com 500 plantas de oito variedades, surgiu a Righetty IPA, cerveja desenvolvida pela primeira turma do curso de sommelier de cerveja realizado pela Associação Brasileira de Sommeliers em Alagoas (ABS/AL) e pela Associação de Cervejeiros Caseiros Artesanais (Acerva), em 2025.

Lúpulo alagoano. Foto: Julio Vasconcelos

 

 

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