Mãe faz alerta após DIU perfurar útero e ficar preso no intestino: "Três anos com dores"

Publicado em 20/08/2026, às 10h03
- Reprodução/Arquivo pessoal

Revista Crescer

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A influenciadora e empresária Sabrina Caminski, 28, de São Paulo, vivia com fortes dores após a colocação do DIU (Dispositivo Intrauterino), realizada um mês depois do nascimento do filho, Cadu. Como foi informada de que era normal sentir um pouco de desconforto no início, imaginou que não era nada grave e passaria logo. Mas não passou, pelo contrário, só piorava.

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Quando decidiu que queria ser mãe novamente, optou por retirar o DIU. Mas, na consulta com o médico, teve uma revelação chocante: o DIU havia perfurado seu útero e estava no seu abdômen.

Este tipo de complicação é rara, mas muito grave. Ela precisou passar por uma cirurgia de emergência e está se recuperando. Agora, Sabrina quer alertar outras mulheres para que não passem pelo mesmo.

"Não pense que toda dor precisa ser simplesmente suportada porque 'é normal do DIU'. Eu passei três anos convivendo com dores que, para mim, já tinham se tornado parte da rotina. Não estou contando isso para dizer que o DIU é ruim ou que nenhuma mulher deve usá-lo. Estou contando porque quero que as mulheres tenham informação", diz, em entrevista à CRESCER.

'Eu me acostumei com a dor'

Sabrina deu à luz o filho em julho de 2023. Um mês depois, em agosto, resolveu colocar um DIU hormonal. "Eu me lembro de sentir dores muito fortes depois da colocação. Mas, havia uma coisa que sempre tinha sido falada para mim: que o DIU poderia causar dores e cólicas durante o período de adaptação", afirma.

Além disso, ela tinha acabado de passar por um parto normal. "Na minha cabeça, aquelas dores eram pequenas perto de tudo que eu tinha acabado de viver. Então, eu simplesmente pensei: 'É normal. É o meu corpo se adaptando'", recorda.

Normalmente, é solicitado que seja feito um ultrassom alguns meses após a colocação do DIU para se certificar que ele está na posição correta. Mas, Sabrina não conseguiu fazer o exame. "Hoje, olhando para trás, reconheço que um dos meus maiores erros foi não ter feito o ultrassom transvaginal de controle que havia sido solicitado cerca de um mês depois da colocação", diz.

"Eu estava com um recém-nascido, vivendo um puerpério complicado, passando por dificuldades pessoais e tentando dar conta de tudo. Acabei não fazendo o exame. E, depois daquele período, a vida simplesmente continuou. Eu nunca mais fiz o acompanhamento que deveria ter feito. Eu me acostumei com a dor", acrescenta.

'A médica me perguntou se eu realmente usava DIU'

Ao longo do tempo, ela reparou algumas mudanças físicas e emocionais. "Eu me sentia mais estressada, mais impaciente e percebia mudanças que eu associava ao meu organismo e aos hormônios, como espinhas que não tinha antes. Outro ponto importante, a menstruação nunca parou. E o DIU que eu coloquei costuma diminuir ou ate cessar completamente o fluxo menstrual. Também sentia dores na lateral da barriga, principalmente durante o período menstrual", conta.

Mas, depois de tanto tempo convivendo com os incômodos, ela já havia se acostumado. "O que realmente começou a me incomodar foram as dores durante as relações sexuais. Eu não entendia por que aquilo acontecia. Era uma dor que aparecia em determinados momentos e que, com o tempo, passei a considerar quase como parte da minha rotina", destaca.

Até que, três anos depois de colocar o DIU, em agosto deste ano, Sabrina decidiu que queria ser mãe novamente. "Foi aí que a minha história tomou um rumo completamente inesperado. Eu fui ao médico para me preparar para uma nova gravidez. Eu queria saber como estava a minha saúde antes de tentar engravidar novamente", diz.

Ela procurou uma ginecologista, que solicitou vários exames, incluindo ultrassom abdominal e ultrassom transvaginal. "Fui fazer os exames sem imaginar que sairia daquele hospital completamente diferente de como entrei", lembra. Durante o ultrassom abdominal, estava tudo aparentemente normal.

"Mas, quando chegou o momento do transvaginal, a médica me perguntou se eu realmente usava DIU. Quando eu questionei a pergunta, ela me disse que era porque não estava encontrando nenhum sinal de DIU ali. Naquele momento, eu entrei em desespero. Eu estava ali pensando em uma futura gravidez e, de repente, descobri que o dispositivo que eu acreditava estar dentro do meu útero não estava onde deveria estar", lembra.

A médica explicou que o DIU poderia ter sido expelido por ela. "Mas, considerando tudo o que eu sentia, aquilo parecia pouco provável para mim. A outra possibilidade era que ele tivesse migrado. Foi aí que eu entendi que 'migrar' poderia significar algo muito mais sério do que simplesmente o DIU sair um pouco do lugar dentro do útero", conta.

'Foi um dos momentos mais assustadores'

Sabrina fez um raio-X, que revelou que o DIU havia perfurado o útero e estava no seu abdômen. "Foi um dos momentos mais assustadores de toda essa história. Eu não sabia há quanto tempo ele estava ali. Não sabia como tinha chegado até aquele lugar. Não sabia o que poderia ter acontecido dentro do meu corpo durante aqueles três anos", diz.

Ela foi orientada a procurar uma emergência ginecológica para realizar uma investigação mais detalhada, incluindo uma tomografia. "Passei alguns dias tentando conciliar tudo com uma rotina intensa de trabalho, até que finalmente consegui ir à emergência. O médico avaliou tudo e me disse que eu precisaria ser internada naquele mesmo dia para realizar uma cirurgia", recorda.

"Foi aí que caiu a ficha. Aquilo não era mais apenas um exame alterado. Eu teria que passar por uma cirurgia para retirar um dispositivo que deveria estar dentro do meu útero e que estava dentro do meu abdômen. Eu nunca tinha passado por uma cirurgia e estava com muito medo. Eu tive uma crise de ansiedade muito forte e precisei tomar medicação para conseguir me acalmar", diz.

Felizmente, a cirurgia, realizada em 3 de agosto deste ano, correu bem. Sabrina passou por uma videolaparoscopia - cirurgia feita por pequenos cortes, usando uma câmera e instrumentos finos - para retirar o DIU. "Depois da cirurgia, em uma consulta de retorno, o médico me explicou algo que tornou tudo ainda mais assustador. O DIU estava preso ao meu intestino. Por isso, a retirada exigiu ainda mais cuidado", conta.

Segundo ela, os médicos precisaram trabalhar com muita atenção para retirar o dispositivo sem lesionar o intestino e sem causar uma perfuração ou outro dano a algum órgão. "Só depois que tudo passou eu comecei a pesquisar e entender a dimensão dos riscos que poderiam existir quando um DIU perfura o útero e permanece na cavidade abdominal", afirma.

Realmente, é uma complicação grave. "Dependendo da localização e do tempo em que permanece fora do útero, uma perfuração pode causar lesões em órgãos próximos, sangramentos, infecções, aderências e danos ao intestino ou à bexiga. Em situações mais graves, podem ocorrer complicações infecciosas importantes e outras consequências que podem exigir procedimentos cirúrgicos mais complexos", afirma Sabrina.

"Eu não tive coragem de pesquisar tudo isso antes da cirurgia. Eu estava com medo demais. Só depois que passou eu consegui sentar e entender o que poderia ter acontecido. E foi aí que percebi ainda mais o quanto eu tinha sido cuidada por Deus", adiciona.

'Não quero transformar a minha história em uma busca por culpados'

A recuperação foi difícil. "Na videolaparoscopia, o abdômen é distendido com gás carbônico para que os médicos consigam trabalhar e visualizar os órgãos. Depois da cirurgia, esse gás pode causar dores muito fortes. E eu senti. Tive dores no peito, no ombro e na região abdominal. Eram dores semelhantes a gases, mas extremamente intensas. Passei aproximadamente uma semana sentindo bastante dor. Os cortes também exigiram cuidados, especialmente o da região do umbigo", conta.

Sabrina está melhor, mas segue em repouso e com bastante cautela. "Fui orientada a não levantar peso durante 30 dias. Depois desse período, poderia retomar minha vida normalmente, respeitando as orientações médicas. Ainda hoje tenho alguns cuidados e presto atenção à região", afirma.

Segundo ela, não foi descoberto o que causou o deslocamento do DIU. "Não existe um motivo específico que tenha sido identificado no meu caso. Conversei com o médico que realizou a minha cirurgia e também com outros médicos que fazem parte da minha vida. O que entendemos é que se trata de uma complicação rara", diz.

"Não foi identificado um erro específico do profissional que colocou o meu DIU. Também não foi simplesmente o fato de eu não ter feito o ultrassom de controle que causou a perfuração. Hoje, eu consigo enxergar que eu deveria ter feito aquele acompanhamento, sim. Mas não quero transformar a minha história em uma busca por culpados", acrescenta.

'Que nenhuma mulher tenha vergonha de questionar uma dor'

Justamente por ser uma complicação tão rara e pouco falada, ela resolveu compartilhar a sua história no Instagram e viralizou. "Se existe uma coisa que eu gostaria que toda mulher levasse dessa história é: não ignore o seu corpo. Se você colocou um DIU ou qualquer outro método contraceptivo e está sentindo dores persistentes, intensas ou simplesmente diferentes do habitual, converse com o seu ginecologista. Faça os acompanhamentos indicados pelo seu médico. Não deixe um exame de controle para depois indefinidamente", destaca.

Sabrina também reforça que é importante falar com o médico se sentir incômodos após colocar o DIU. "Não pense que toda dor precisa ser simplesmente suportada porque 'é normal do DIU'. Eu passei três anos convivendo com dores que, para mim, já tinham se tornado parte da rotina", diz.

Mas, ela também não quer desmotivar mulheres a colocarem o DIU. "Não quero que uma mulher leia a minha história e fique com medo de colocar um DIU. Quero que ela leia e pense: 'Eu vou me informar. Eu vou fazer meu acompanhamento. Eu vou ouvir meu corpo'. Informação não precisa gerar medo. Informação gera cuidado. Espero que a minha experiência possa servir de alerta, não de pânico", afirma.

"Que nenhuma mulher tenha medo de buscar informação. Que nenhuma mulher tenha vergonha de questionar uma dor. Que nenhuma mulher deixe de procurar ajuda quando sentir que alguma coisa não está certa. Eu contei a minha história porque ela aconteceu comigo. Mas espero, de coração, que ela possa ajudar a cuidar de muitas outras mulheres", finaliza.

O DIU é seguro?

O ginecologista Alexandre Pupo Nogueira, ginecologista, médico associado à FEBRASGO (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia), explica que DIU é um termo usado para o dispositivo intrauterino. "Existem diferentes tipos de DIU. O mais simples e antigo é o de cobre — é um dispositivo de barreira, que impede o contato do espermatozoide com o óvulo. O cobre, em contato com secreções do útero, produz uma substância que ajuda a eliminar o espermatozoide, aumentando sua eficácia", diz.

"A eficácia do DIU de cobre é considerada um pouco inferior à laqueadura", revela. "No entanto, por não ter uma proteção contra a presença de bactérias, há um risco maior de infecções. Então, sabemos que esse DIU tem um pouco mais de risco em relação aos outros", explica.

"Já o DIU de cobre com prata, que é uma inovação, aumenta a proteção contra infecções, já que a prata é bactericida. E, por fim, temos diferentes DIU's hormonais e, nesses casos, a progesterona cria uma espécie de barreira dificultando a ascensão de bactérias para dentro do útero", continua.

Quais as chances do DIU sair do lugar?

Segundo o ginecologista, em relação dos DIU's de cobre e cobre com prata, a chance é de cerca de 1%. E, se isso acontecer, o dispositivo perde a função de anticoncepção. Já os hormonais, a chance é de 0,5% e, mesmo saindo do lugar, o DIU não perde totalmente a eficácia.

"Em muitos casos, o DIU acaba saindo do lugar por conta da inserção não ideal. Existe todo um protocolo, mas o procedimento é feito às cegas, sem uma visão direta, então, existe a chance de não ser posicionado corretamente", esclarece.

"Quando inserido em posição baixa, inicia-se um processo com cólicas e sangramento e o dispositivo acaba sendo expelido pelo próprio organismo. Quando inserido com muita profundidade, há o risco de perfurar a parede do útero, que vai gradualmente empurrando o DIU, num processo que chamamos de migração, podendo ser transferido para dentro do abdômen e ficando preso. Nesse cenário, não há risco imediato para a paciente, mas, em algum momento, ele precisa ser removido. Não se trata de um evento comum, mas faz parte do risco de complicação", afirma.

Como saber que o dispositivo está seguro?

Alexandre explica que, o mais indicado é fazer uma ultrassonografia prévia. "É necessário, antes da colocação, fazer uma boa avaliação das dimensões e posições do útero. Cada DIU tem um processo diferente de inserção e os médicos precisam conhecer cada um deles. Após a colocação, é necessário repetir o ultrassom transvaginal para confirmar que o DIU ficou na posição adequada", afirma.

"Idealmente, um mês depois, repete-se o exame e, a partir daí, o acompanhamento varia. Eu recomendo um acompanhamento a cada seis meses, mas, muitos médicos, reavaliam anualmente, o que também não está errado."

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