Mais da metade dos usuários de IA afirma usá-la como conselheira emocional

Publicado em 31/08/2026, às 14h47
- Feito com I.A.

ISABELA PALHARES/Folhapress

Mais da metade (54%) dos usuários de ferramentas de inteligência artificial no Brasil afirma usá-las como conselheiras ou suporte emocional, aponta levantamento do Cetic.br (Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade e Informação).

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Os dados inéditos divulgados na tarde desta segunda-feira (31) são da terceira edição da Pesquisa Privacidade e Proteção de Dados Pessoais. O centro é vinculado ao CGI.Br (Comitê Gestor da Internet no Brasil).


Foram ouvidos 2.500 usuários de internet com mais de 16 anos em todas as regiões do país. A amostra é tratada para refletir a distribuição do perfil da população de usuários, conforme estimado pela TIC Domicílios.


Embora o uso profissional ou acadêmico dessas ferramentas seja o mais comum, os dados mostram que não são raros os casos de aconselhamento emocional ou companhia.


A pesquisa perguntou aos usuários quais os tipos de informação fornecidos por eles para as ferramentas de inteligência artificial generativa. Das categorias investigadas, temas de trabalho ou de estudo foram mencionados por 73%. Em seguida, 58% apontaram preferências e gostos pessoais, como filmes ou músicas.


Tratar de sentimentos e emoções foi apontado por 54% dos usuários. Além disso, outros 52% responderam fornecer dados de saúde, como sintomas e exames, e 50% relataram enviar fotos suas ou de pessoas conhecidas.


As categorias menos citadas foram dados de finanças pessoais, como orçamentos e investimentos (41%) e dados pessoais, como nome, endereço, data de nascimento ou CPF (37%).


"A incorporação da IA generativa ao cotidiano dos usuários de Internet traz novas questões para a agenda de privacidade e proteção de dados pessoais. Os resultados mostram a importância de acompanhar não apenas a disseminação dessas ferramentas, mas também os tipos de informação que os usuários compartilham e suas preocupações em relação ao tratamento desses dados", afirma Alexandre Barbosa, gerente do Cetic.br.


A pesquisa identificou ainda que a maioria (66%) dos usuários declara estar preocupada ou muito preocupada com o uso de dados pessoais pelas empresas responsáveis por essas ferramentas de IA. Outros 22% dizem estar pouco preocupados, e 11%, nada preocupados.

GOLPES
A pesquisa também identificou que 32% dos usuários de internet relataram já ter sofrido tentativas de golpes com o uso de seus dados pessoais, o equivalente a 45 milhões de pessoas. Uma parcela de 20% relatou ter sido vitimada por esse tipo de crime.


O levantamento revela que as tentativas de golpe relatadas pelos usuários ocorrem por múltiplos canais de comunicação, combinando meios digitais e tradicionais. Entre os usuários que informaram terem vivenciado tentativas de golpe, os aplicativos de mensagem lideram como a principal via de abordagem (84%), seguidos por ligações telefônicas (79%), sites ou aplicativos falsos (71%), SMS (71%), email (69%) e redes sociais (67%).


"Os resultados mostram que as tentativas de golpes envolvendo dados pessoais ocorrem por diferentes canais e podem trazer consequências que vão além das perdas financeiras. A disseminação dessas situações reforça a importância de iniciativas de prevenção e conscientização, combinadas a políticas de proteção de dados e segurança no ambiente digital", diz Barbosa.

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