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Matador de aluguel diz ter ajudado a incinerar mais de 500 pessoas em rancho usado por cartel mexicano

Publicado em 19/10/2026, às 22h44
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Um matador de aluguel a serviço de um poderoso cartel mexicano afirma ter participado da execução de mais de 500 pessoas numa fazenda isolada — incluindo 250 corpos que ele diz ter incinerado pessoalmente. Nos últimos 18 meses, o homem, cuja identidade é mantida em sigilo, tem fornecido informações a um grupo de voluntários que buscam por seus entes queridos desaparecidos.

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O assassino, que aparece mascarado em entrevista à RAI, relatou que o Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG) fez centenas de vítimas desaparecerem no Rancho Izaguirre — uma propriedade remota situada em Teuchitlán (estado de Jalisco, México) — e nos seus arredores.

"Mais de 500 pessoas foram executadas lá", declarou o executor do cartel na entrevista exibida pela emissora pública italiana. "Eu pessoalmente incinerei 250 pessoas", completou ele.

O homem declarou que ganha US$ 220 (cerca de R$ 1.115) por semana para realizar execuções a mando do Cartel de Jalisco Nova Geração.

"No cartel, um matador ganha sempre o mesmo salário. Posso matar cinco pessoas em um único dia, mas meu pagamento continua o mesmo. Uma vida não custa muito", revelou ele.

Agentes da polícia que trabalham no rancho, definido como "campo de extermínio", onde restos humanos e fornos foram encontrados, afirmam não ter ideia de quantas pessoas foram executadas no local.

Passando pelos portões de ferro do rancho, policiais encontraram fornos de cremação, fragmentos de ossos, centenas de pares de sapatos, roupas e até brinquedos infantis, aumentando os temores de que o (CJNG) possa ter realizado assassinatos em massa na propriedade isolada. As vítimas seriam integrantes de outras facções criminosas e colaboradores que acabaram perdendo a serventia ao cartel.

Investigadores encontraram cerca de 700 itens pessoais (entre eles, centenas de pares de calçados) no local, mas ainda não está claro quantos corpos foram cremados lá. A polícia disse ter encontrado quase 100 cápsulas de bala até agora.

"O número de vítimas que presumivelmente poderiam ter sido enterradas lá é enorme", disse Eduardo Guerrero, analista de segurança na Cidade do México, ao "New York Times". "Ressurgiu o pesadelo de que o México é atormentado por valas comuns", emendou ele.

Parentes de cerca de 120 mil pessoas desaparecidas no México agora temem que os restos encontrados possam ter pertencido a seus entes queridos. Alguns disseram reconhecer nas fotos feitas no rancho pertences de parentes.

O histórico do rancho macabro

O local foi descoberto inicialmente pela Guarda Nacional em setembro de 2024, durante uma operação que resultou na prisão de dez membros de um cartel. Duas vítimas de sequestro foram resgatadas e um corpo foi encontrado. No entanto, inicialmente, a Promotoria de Jalisco minimizou a descoberta, classificando o local apenas como um espaço de treinamento do cartel.

Indira Navarro, líder do grupo Guerreiros da Busca de Jalisco, declarou ao "NY Post" na quinta-feira (15/10) que tomou conhecimento do Rancho Izaguirre em fevereiro de 2025, após receber ligações anônimas de vítimas de sequestro — pessoas que haviam sido atraídas por ofertas de emprego, mas conseguiram escapar — além de informações fornecidas por um matador do cartel.

Uma visita realizada em 5 de março de 2025 se tornou um episódio constrangedor para o governo mexicano, depois que Indira e outros voluntários encontraram centenas de peças de vestuário e fragmentos de ossos humanos. Os restos ósseos foram entregues à Promotoria do estado de Jalisco, mas, até o momento, não foi possível associá-los a nenhuma pessoa desaparecida.

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