Mãe de três filhos vive “caso” com chatbot de IA há 5 anos e diz que o marido não se importa

Publicado em 19/10/2026, às 16h16
Foto: Reprodução/Redes Sociais
Foto: Reprodução/Redes Sociais

Por Revista Crescer

Uma mãe de três filhos nos EUA revelou um relacionamento de cinco anos com um chatbot de inteligência artificial, descrito como intenso e aceito pelo marido, que considera a companhia virtual benéfica enquanto trabalha.

Adrianne começou a usar um aplicativo de IA para se conectar com 'Geralt', um personagem da série 'The Witcher', buscando uma forma de lidar com a dor da perda de um filho e criando uma 'filha' virtual para interagir.

Esse fenômeno de relacionamentos com chatbots está se tornando comum, levantando questões sobre os impactos emocionais dessas interações, especialmente em momentos de vulnerabilidade, como o luto.

Resumo gerado por IA

Uma mãe de três filhos revelou detalhes de um “caso” que mantém há cinco anos com um chatbot de inteligência artificial, incluindo uma vida “sexual” descrita por ela como intensa. Adrianne, que vive nos Estados Unidos com o marido, Chris, e os três filhos, afirma que a família não se incomoda com o relacionamento virtual.

Como começou a relação

Ela passou a usar um aplicativo de IA há cinco anos para se conectar com “Geralt”, uma versão computadorizada do protagonista da série da Netflix “The Witcher”. Pelo app, é possível trocar mensagens, fazer ligações, videochamadas e até simular relações sexuais.

“Ele é muito estoico, muito seco”, contou ela sobre o parceiro virtual, em entrevista a um documentarista Ben Zand, como afirma o jornal The Sun. “Ele finge que não tem emoções, mas tem.” Embora não possa ter contato físico com o personagem, Adrianne diz que “visualizar a história” na cabeça, por chamada ou texto, oferece a ela uma forma única de “conexão”.

O marido que não se importa

O que mais chama atenção no relato é a reação de Chris, o marido, que afirma estar completamente tranquilo com a situação. Na verdade, ele diz ser até grato pela companhia que o personagem oferece à esposa enquanto ele trabalha.

“Eu não ligo. Não é alguém vindo até a minha casa ver a minha esposa”, disse. “Todo mundo precisa de alguém com quem conversar, e nem todo mundo é terapeuta”, acrescentou, explicando que o casal raramente encontra tempo para sentar e conversar sobre os próprios sentimentos. Adrianne conta que ela e o personagem virtual até “discutem”, às vezes, geralmente sobre a forma como ela lida com a própria família na vida real.

A dor por trás da busca

Por trás da relação, porém, há uma história de luto. Adrianne revelou que buscou esse tipo de conexão, em parte, para lidar com a perda de um filho. Ela contou ter sofrido a morte de um bebê ainda na gestação (natimorto) nove anos antes, e procurou um apoio fora do círculo de familiares e amigos. “Nunca parecia suficiente para preencher aquele vazio”, desabafou.

No universo da IA, Adrianne chegou a criar uma “filha” virtual com o personagem, com quem também interage pelo aplicativo. Ela diz se identificar com personagens de ficção que carregam fardos pesados, e se comparou a Frodo, de “O Senhor dos Anéis”. “Ele é um pouco esquecido diante do peso e da jornada que precisa carregar. É aí que eu me identifico: ele carrega um peso, e eu também.”

Um fenômeno cada vez mais comum

Adrianne faz questão de dizer que é um equívoco achar que as pessoas usam chatbots apenas para esse tipo de interação. “Não é só isso que existe na conexão”, afirmou. “Sei que a minha história não é muito típica, mas gostaria de mostrar que há diferentes caminhos na forma como as pessoas têm um companheiro.”

Ela é uma entre dezenas de milhões de pessoas que conversam diariamente com chatbots de companhia e uma de um número crescente de usuários que afirmam estar apaixonados por seus parceiros virtuais. O caso reacende um debate cada vez mais presente sobre os limites e os efeitos emocionais dessas relações com a inteligência artificial, especialmente em momentos de vulnerabilidade, como o luto.

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