Menino é picado por aranha e mãe faz alerta após quadro evoluir rapidamente

Publicado em 24/04/2026, às 14h16
- Foto: Reprodução/Arquivo pessoal

Revista Crescer

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O que parecia ser um ferimento simples no pé acabou em uma internação hospitalar. Cadu Silva, de 11 anos, morador de Feira de Santana (BA), começou a sentir dores intensas, inchaço, vermelhidão e pontos de necrose no dedo depois de ser picado por uma aranha na fazenda da família, em Biritinga, no interior da Bahia. Janaína Silva Almeida, mãe do menino, relatou o caso em seu perfil do Instagram e acabou viralizando, com mais de 746 mil visualizações.

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Segundo ela, o acidente aconteceu no início de abril. Enquanto os adultos estavam em volta da fogueira, as crianças brincavam de esconde-esconde. Cadu e um primo decidiram se esconder atrás de um pé de mandacaru, no fundo da casa. A parte de trás do cacto estava escura e havia muita teia de aranha naquela área, embora a família nunca tivesse visto animais do tipo na fazenda.

Na hora, o menino acreditou que um espinho da planta havia machucado seu pé. No dia seguinte, contudo, a Janaína o examinou e não encontrou espinho, apenas uma pequena ferida e vermelhidão. “Ele reclamava de muita dor, ao ponto de eu achar que tivesse quebrado o dedo. Chegamos em casa no domingo à noite e ele já estava com dificuldade de andar, sem conseguir apoiar o pé no chão direito”, contou.

Dor aumentou e pé amanheceu inchado

A família ainda discutiu se levaria o menino ao hospital naquela noite ou no dia seguinte. Porém, ao acordar no dia seguinte, o quadro havia piorado bastante. “Quando ele levantou para ir à escola, o pé já estava muito inchado e vermelho. No momento em que fomos olhar melhor, dava para ver marcas lineares, como garrinhas. Pensamos logo em aranha ou cobra e levamos para um hospital particular”, relatou a mãe.

No primeiro atendimento, a hipótese foi de reação alérgica a uma picada de aranha. No entanto, no dia seguinte, o estado do pé piorou novamente, com aumento da inflamação. Foi quando uma amiga orientou Janaína a procurar o Hospital Estadual da Criança (HEC), em Feira de Santana.

Lá, segundo ela, Cadu recebeu atendimento especializado. A equipe médica entrou em contato com o CIATox – Centro de Informação e Assistência Toxicológica, rede pública brasileira que oferece atendimento para orientar sobre intoxicações e envenenamentos por medicamentos, produtos químicos, animais peçonhentos e plantas tóxicas.

“De início, houve dúvida entre picada de aranha marrom e escorpião. A de cobra já tinha sido descartada. Pela evolução da lesão e todo o contexto, deduzimos que tenha sido aranha marrom, mas não com total precisão porque não conseguimos ver o animal”, ela explicou.

Com isso, o menino precisou realizar diversos exames e começou a receber antibiótico venoso mais forte, já que o dedo apresentava pontos iniciais de necrose.

Internação, hidratação intensiva e alívio em casa

Além da lesão no pé, os exames de Cadu apresentou alteração importante em uma enzima muscular. Segundo Janaína, os médicos explicaram que os músculos do corpo estavam bastante inflamados e, sem tratamento, poderia evoluir para lesão renal.

“Eles entraram com hiperhidratação, no volume máximo de soro, para reverter a miosite, além de manter o antibiótico. Como a medicação só existia na forma venosa, não tinha como ele seguir em casa naquele momento.”

Cadu foi internado e permaneceu no hospital por quatro dias. Durante esse período, também apresentou reação a uma medicação administrada anteriormente, mas foi controlado. Para a mãe, outra grande preocupação era o início da necrose no dedo, especialmente porque o filho joga futebol e tem um futuro promissor no esporte.

No hospital, o menino chegou a ter uma crise nervosa por não querer mais permanecer internado. “A gente fazia jogos, tentava distrair, mas ele já estava muito cansado de estar ali”, contou Janaína.

Na alta, ele recebeu recomendações rigorosas de repouso absoluto e ingestão diária entre 1,5 e 2 litros de água. A mãe também fez questão de agradecer aos profissionais que acompanharam o filho. “Médicos, fisioterapeuta, nutricionista e todos os profissionais foram meus anjos na Terra. Nada teria sido tão leve sem a participação de cada um.”

Segundo ela, o apoio da família, do trabalho e das pessoas que comentaram na postagem também foi fundamental durante o susto vivido pela família.

“A família toda se preocupou com Caduzinho. Cada palavra de apoio era um abraço em meu coração. Não tem remédio que chegue perto desse acolhimento tão cheio de amor”, disse Janaína. E concluiu: “No post também recebi muitos comentários cheios de afetos – o que, hoje em dia, é mais difícil de acontecer – e fiz questão de responder o máximo que pude”.

 

O que fazer ao ser picado por uma aranha?

 

Segundo o biólogo Fabiano Soares, os sinais mais comuns após uma picada de aranha costumam ser inchaço, vermelhidão e, em alguns casos, coceira. Vale ressaltar que nem sempre a pessoa sente dor imediatamente, especialmente em acidentes envolvendo a aranha-marrom, o que pode atrasar a identificação do problema.

“A aranha-marrom tem essa característica de a picada não causar dor na hora. Muitas vezes a pessoa nem percebe o momento em que foi picada, porque o veneno vai necrosando o tecido aos poucos”, explica.

De acordo com o especialista, o local da picada pode inicialmente apenas ficar avermelhado, como em outras lesões, mas tende a evoluir nas horas seguintes. “Depois pode surgir mais inchaço, às vezes uma bolha – que já é um sinal característico –, podendo mudar para uma cor mais roxa, que é exatamente a pele sendo necrosada pela peçonha”, ele aponta.

Além dos efeitos locais, também podem surgir sintomas no restante do organismo. Febre, náusea, vômito, dor de cabeça, mal-estar e até alteração na cor da urina merecem atenção, pois podem indicar complicações mais sérias, inclusive renais. “Quando o ferimento passou do vermelho, começou a mudar de cor, aumentou o inchaço ou apareceram sintomas gerais, já é sinal de alerta para procurar atendimento médico”, orienta.

Fabiano destaca que a aranha-marrom é considerada de interesse médico porque o quadro pode evoluir para situações graves, principalmente em crianças, idosos e pessoas com comorbidades. Apesar disso, ele ressalta que o animal não costuma ser agressivo. “É uma aranha discreta, que gosta de ficar escondida. Por isso, é importante evitar mexer em locais sem proteção e sempre verificar calçados, roupas e cantos escuros antes de usar.”

Em caso de suspeita de picada, a recomendação inicial é simples: lavar o local com água e sabão e observar a evolução. O especialista também alerta para práticas caseiras que devem ser evitadas. “Não faça torniquete, não tente sugar o veneno, não aperte e não esprema o local. Isso não ajuda e ainda pode piorar a situação.”

Se a dor aumentar nas primeiras horas ou se a pessoa começar a se sentir mal, a orientação é procurar imediatamente uma unidade de saúde e informar o máximo de detalhes possível sobre o acidente. “Mesmo sem identificar o animal, vale contar onde aconteceu e como começou. Isso ajuda os profissionais a conduzirem o atendimento.”

Por fim, Fabiano também recomenda que famílias com crianças já se informem previamente sobre os locais de atendimento mais próximos em regiões onde há risco de acidentes com animais peçonhentos. “Às vezes, perder uma ou duas horas indo ao lugar errado pode determinar a evolução do quadro. Na suspeita de aranha-marrom, aranha-armadeira ou escorpião amarelo, o ideal é buscar ajuda o mais rápido possível”, conclui.

 

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