A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (11) uma operação contra o Clã dos Balcãs, investigado por tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro. O grupo usa barcos pequenos e veleiros para envio de droga do Brasil ao exterior.
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São cumpridos 12 mandados de busca e apreensão nas cidades de São Paulo (SP), Santos (SP) e Guarujá (SP), expedidos pela 17ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária da Bahia, durante a ação batizada de "Balcãs". A Justiça Federal também determinou o bloqueio de contas bancárias, aplicações financeiras, veículos, imóveis e demais ativos patrimoniais dos investigados, até o limite de R$ 20 milhões.
A investigação teve início após a apreensão de aproximadamente 2,7 toneladas de cocaína encontradas a bordo de um veleiro, interceptado em águas internacionais nas proximidades de Cabo Verde, na costa africana.
Ao longo de quase três anos de investigação, a Polícia Federal identificou uma sofisticada estrutura criminosa voltada ao envio de cocaína da América do Sul para a Europa por meio de rotas marítimas transatlânticas.
O Clã ou Máfia dos Balcãs, um dos maiores grupos de tráfico de cocaína para a Europa, impulsionou há anos o comércio ilegal por meio de países da África Ocidental, como Senegal, Serra Leoa, Gâmbia, Guiné-Bissau e Cabo Verde, segundo um relatório de 2025 da Iniciativa Global contra o Crime Organizado Transnacional.
O órgão afirma que a organização criminosa se aproveita de alianças de grupos holandeses e notavelmente o PCC (Primeiro Comando da Capital), para aprofundar as atividades em toda cadeia do tráfico.
As apurações apontam a atuação coordenada de operadores logísticos, financiadores, intermediários e integrantes ligados à organização criminosa internacional reconhecida por sua atuação no tráfico de cocaína destinado ao mercado europeu. Segundo as investigações, veleiros e outras embarcações utilizadas em travessias oceânicas serviam como plataforma para o transporte de grandes carregamentos de droga, ocultando uma complexa rede de apoio responsável pelo financiamento, logística e comunicação entre os diversos integrantes da organização.
Além do tráfico internacional de drogas, as investigações avançaram sobre a movimentação financeira dos envolvidos. Relatórios de inteligência identificaram movimentações incompatíveis com a capacidade econômica declarada de parte dos investigados, indicando a possível utilização de empresas e estruturas patrimoniais para ocultação e dissimulação de recursos provenientes das atividades criminosas.
Na semana passada, a CNN Brasil revelou que a PF identificou uma mudança na rota do tráfico internacional das facções após queda em apreensões em portos brasileiros. As apreensões de cocaína no porto de Santos e nos demais despencaram nos últimos seis anos e os investigadores apontam que os grupos migraram para outras estratégias e usam barcos pesqueiros.
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