Mesma dose de cafeína pode "bater" de forma diferente para jovens

Publicado em 25/05/2026, às 22h08
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Galileu

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Seu dia não começa sem a boa e velha xícara de café? Você não está sozinho: o consumo de cafeína faz parte da rotina, e para muita gente, vai além do cafezinho em casa e no escritório, se estendendo também para energéticos e suplementos. Especialistas alertam, porém, que o excesso da substância pode provocar impactos importantes na saúde, principalmente entre adolescentes e crianças.

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Presente em cafés, refrigerantes e bebidas energéticas, a cafeína pode aumentar a frequência cardíaca, elevar a pressão arterial, intensificar quadros de ansiedade e comprometer a qualidade do sono. De acordo com estudos, os efeitos variam de acordo com fatores como idade, genética, rotina de descanso e até o horário em que a substância é consumida.

Apesar de existirem recomendações de consumo ideal, cientistas afirmam que não há uma quantidade universalmente segura que funcione da mesma maneira para todas as pessoas. Segundo a FDA, agência reguladora de alimentos e medicamentos dos Estados Unidos, adultos saudáveis devem consumir no máximo 400 miligramas de cafeína por dia. Para menores de 18 anos, a recomendação é de menos de 100 miligramas diários, de acordo com o Centro Médico Irving da Universidade Columbia.

Estimativas, não regras

Jennifer Temple, pesquisadora especializada em exercícios e nutrição, afirma que esses limites funcionam mais como estimativas do que como regras absolutas. Ela escreveu sobre o tema em um estudo publicado na revista Frontiers in Psychiatry em 2017. 

“Não é que aconteça alguma mágica no dia em que você completa 18 anos e, de repente, você possa quadruplicar sua ingestão de cafeína com segurança”, afirma Temple em entrevista revista Discover.

Segundo a pesquisadora, fatores como genética, rotina de sono e horário do consumo podem alterar significativamente a forma como cada pessoa reage à substância. Temple explica que uma mesma dose pode provocar efeitos muito diferentes entre indivíduos da mesma idade.

“Muitas pessoas têm problemas cardíacos subjacentes, especialmente crianças e adolescentes, que ainda não foram diagnosticados. Às vezes, níveis muito altos de cafeína podem trazer esses problemas à tona”, disse.

Além dos riscos mais graves, considerados raros, especialistas apontam preocupação com impactos cotidianos do consumo excessivo de cafeína, principalmente em relação ao sono e ao desempenho escolar. Mesmo em jovens saudáveis, o consumo frequente pode reduzir a qualidade do sono, aumentar a ansiedade e afetar a concentração e a saúde mental.

Limites para jovens

A Academia Americana de Pediatria recomenda que crianças e adolescentes evitem completamente bebidas com cafeína, incluindo energéticos. Especialistas também destacam que bebidas energéticas merecem atenção especial, já que muitas combinam cafeína com outros estimulantes e aditivos cujos efeitos em conjunto ainda não são totalmente compreendidos.

Uma nota de alerta emitida pela Sociedade Brasileira de Pediatria em 2022 aponta que "crianças e adolescentes são mais propensos aos efeitos agudos da cafeína, com maior risco de intoxicação, devido ao fato de não terem sido expostos cronicamente, portanto sem tolerância farmacológica". O texto reforça que, por isso as doses de cafeína que são consideradas seguras são bem menores.

"Alguns autores definem que, neste caso, o consumo igual ou superior a 50mg/dia já seria considerado alto e potencialmente associado a sintomas quando da sua retirada, enquanto outros acreditam que isso ocorreria a partir de 100mg/dia", completa o documento.

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