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O ator Gracindo Júnior morreu nessa terça-feira (1º), aos 83 anos. A notícia foi compartilhada pelo ator e amigo, Leonardo Brício, e a causa da morte ainda não foi revelada.
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Em texto publicado no Instagram, Leonardo contou que estava presente na hora da morte de Gracindo. "Quis Deus que eu estivesse ao lado dos seus filhos de sangue e sua esposa nesse exato momento", escreveu.
Ainda não há informações sobre velório e sepultamento. Famosos como Emílio Orcilio Neto, Iran Malfitano e Flávia Monteiro lamentaram a morte do ator.
Carreira
Epaminondas Xavier Gracindo, o Gracindo Jr., começou no rádio ainda adolescente e se dividiu entre diferentes áreas artísticas ao longo da vida. Ele fez teste na Rádio Nacional em 1959, aos 15 anos, e atuou como ator, redator e disc-jóquei na emissora.
Filho do ator Paulo Gracindo (1911-1995), ele chegou a cursar psicologia, mas não exerceu a profissão. A opção foi seguir no rádio e ampliar a atuação para teatro, televisão e cinema, em uma trajetória que também incluiu direção e supervisão de dramaturgia.
Militante do Partido Comunista, Gracindo Jr. foi cassado pela ditadura militar em 1964 e ficou impedido de trabalhar na rádio. Naquele período, ele já tinha passagens por emissoras de TV como TV Rio, TV Excelsior e TV Tupi.
Na Globo, integrou o elenco inicial e participou de novelas da primeira fase da emissora. Ee relembrou a contratação antes mesmo da estreia do canal: "Eu entrei no início da TV Globo. Ela estreia em abril de 1965, em dezembro de 1964 eu já estava contratado", contou em depoimento ao Memória Globo em 2001.
Entre os trabalhos na emissora, esteve em títulos como "Rosinha do Sobrado" (1965), "Padre Tião" (1966), "A Rainha Louca" (1967), "A Próxima Atração" (1970) e "Os Ossos do Barão" (1973). Ele também atuou em "O Bem-Amado" (1973), de Dias Gomes, e em "Supermanoela" (1974).
Papel marcante em "O Casarão" e trabalhos com o pai
O primeiro grande papel de Gracindo Jr. veio em 1976, quando interpretou o pintor João Maciel na novela "O Casarão", de Lauro César Muniz. A trama alternava períodos de 1870, 1926 e 1976, e colocou pai e filho como versões jovem e idosa do mesmo personagem.
No mesmo ano, ele estreou como diretor de teatro com a peça "A Longa Noite de Cristal", de Oduvaldo Vianna Filho. Depois de "O Casarão", viajou para Portugal e dirigiu a peça "É", de Millôr Fernandes, ficando em cartaz por quatro meses.
Direção, TV Manchete e retorno à Globo
De volta ao Brasil, Gracindo Jr. assumiu em 1978 a supervisão do núcleo de novelas das 18h da Globo. A primeira tarefa foi acompanhar a reta inicial de "A Sucessora", de Manoel Carlos, cuidando de etapas como montagem, edição, sonorização e desempenho do elenco.
Nos anos seguintes, passou a dirigir novelas e programas, além de seguir como ator. Ele dirigiu "Memórias de Amor" e "Marron-Glacé" e, em 1983, assumiu a direção de "Os Trapalhões"; no início da década de 1980, também foi um dos diretores e apresentador dos primeiros clipes musicais exibidos no "Fantástico".
Ele também escreveu e encenou, em 1980, a peça "Paulo Gracindo, Meu Pai", em homenagem aos 50 anos de carreira do pai. Gracindo Jr. ainda dirigiu as duas últimas peças em que Paulo Gracindo atuou: "Num Lago Dourado" (1991) e "A História é uma História" (1993).
Em 1984, foi para a TV Manchete e interpretou Dom Pedro 1º em "A Marquesa de Santos". Dois anos depois, voltou a trabalhar com Maitê Proença em "Dona Beija", na qual viveu Antônio Sampaio, e participou ainda de "Tudo ou Nada" (1987) e, mais tarde, "74.5", "Uma Onda no Ar" (1994).
O retorno à Globo incluiu atuações e direção em diferentes projetos ao longo das décadas seguintes. Ele esteve na minissérie "Tenda dos Milagres" (1985), foi Creonte em "Mandala" (1987) e fez participações em novelas como "O Salvador da Pátria" (1989), "Araponga" (1990), "Rainha da Sucata" (1990), "Deus nos Acuda" (1992), "Explode Coração" (1995) e "Anjo de Mim" (1996).
Nos anos 2000, seguiu em novelas e minisséries, como "Esplendor" (2000), "Aquarela do Brasil" e "Celebridade" (2003). Em "Celebridade", interpretou Ubaldo Quintela, personagem que tinha passado 15 anos preso, e em 2004 participou de "Como uma Onda".
A partir de 2006, Gracindo Jr. atuou em produções da Record, como "Cidadão Brasileiro" e "Poder Paralelo" (2009), além da minissérie "Rei Davi" (2012). Paralelamente, manteve uma rotina intensa no teatro, com mais de 20 peças como ator, produtor ou diretor.
No cinema, participou de filmes como "Os Homens que eu Tive" (1973), "Os Trapalhões na Serra Pelada" (1982), "Floresta das Esmeraldas" (1985), "Primo Basílio" (2006) e "Segurança Nacional" (2010). A filmografia inclui ainda títulos como "Bufo e Spallanzani" (2001) e "A Selva" (2004), entre outros.
Gracindo Júnior morava em sua pousada em Visconde de Mauá (RJ), com a mulher, Daisy Poli. Seu último trabalho foi o filme "A Queda", gravado em 2022.
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