João Arthur Sampaio
Um motorista por aplicativo, de 49 anos, foi vítima de uma tentativa de homicídio após se recusar a levar um passageiro que apresentava sinais de embriaguez. O caso foi registrado na tarde desse domingo (10), Dia das Mães, na Avenida Dr. Antônio Gomes de Barros, antiga Amélia Rosa, no bairro da Jatiúca, parte baixa de Maceió.
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O TNH1 teve acesso ao boletim de ocorrência, registrado pela vítima minutos após o atentado. Segundo as informações do B.O., o condutor recebeu a chamada da corrida de uma mulher em um bar da região e, ao chegar ao local, ela estava acompanhada de dois homens. O mais velho estaria embriagado e, por este motivo, o motorista disse que não os levaria.
O motorista conta que havia acabado de iniciar o trabalho e, devido à falta de sobriedade do passageiro, o risco de ele vomitar no veículo era grande, fazendo com que perdesse o dia. Mesmo assim, a mulher insistiu, dizendo que, caso acontecesse, o homem pagaria a lavagem do carro. A vítima ainda sim teria rejeitado a corrida.
“Rapaz, não teve discussão nenhuma, não teve briga. Simplesmente, o cara que não deu uma palavra comigo, porque estava falando com a mulher, perguntou a ela o que houve. Ela disse ‘ele não vai levar a gente porque está com medo que você vomite e vai cancelar’. Depois disso, ele puxou a arma, não disse nada, e atirou. Nunca vi uma coisa dessa na minha vida. Apontar uma arma para alguém já é algo extremamente grave, ainda mais sem motivos. Eu não entendo”, relatou ao TNH1 o condutor que, por medo, não quis se identificar.
O homem contou que a bala perfurou cinco ou seis pontos do carro, aparentemente um BYD Dolphin Plus, entre a porta, banco e a mala. “Ainda não fiz o orçamento do conserto, mas ele fez um estrago grande. E não conseguiu atirar mais de uma vez porque o pessoal do bar foi para cima dele, com a mulher e um rapaz que conseguiram desarmá-lo e o levaram para dentro. Do jeito que ele estava, não sei o que poderia ter acontecido”.
No B.O consta que uma pessoa teria gritado a seguinte frase, em alerta: “vá embora que ele é policial e vai lhe matar!”. Logo após o atentado, o motorista foi à base da Oplit (Operação Policial Litorânea Integrada) para registrar a ocorrência. Os policiais foram ao local para fazer os primeiros levantamentos da investigação e descobriram que o suspeito seria um segurança, que estava com a companheira.
A Polícia Civil procurou por imagens de câmeras de segurança da região, que poderiam ter flagrado o caso. Em contato com a empresa responsável pelo aplicativo usado pelo motorista, os agentes de segurança descobriram o nome completo da pessoa que solicitou a corrida, assim como a localização do destino final. No entanto, o suspeito ainda segue sem identificação.
“A sensação é de insegurança, de impotência. Você não pode fazer nada, é um absurdo. A ficha só caiu hoje de manhã. Não consegui pregar os olhos, levantei da cama com o rosto inchado. Fisicamente estou bem, mas psicologicamente estou destruído. É horrível, algo que nem consigo descrever”, lamentou.
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