Eberth Lins
Um prejuízo estimado em mais de R$ 82,57 milhões está no centro da ação apresentada pelo Ministério Público de Alagoas (MPAL) após a morte de 80 cavalos da raça Mangalarga Marchador no Haras Nova Alcatéia, em Atalaia. O caso envolve a Nutratta Nutrição Animal Limitada S.A., seu sócio majoritário e o administrador operacional e financeiro da empresa, denunciados pela 2ª Promotoria de Justiça do município.
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Para garantir uma possível reparação dos danos, o promotor de Justiça Ary Lages Filho pediu à Justiça o sequestro e a indisponibilidade de bens móveis e imóveis, ativos financeiros e participações societárias da empresa e dos denunciados. O valor do prejuízo, segundo os autos, considera a perda dos animais de alto valor genético e os impactos provocados ao longo de décadas de trabalho na criação e seleção da raça.
Os 80 cavalos mortos faziam parte do plantel do haras, que atua há mais de 50 anos na criação de Mangalarga Marchador. De acordo com o MPAL, além do impacto financeiro, a perda representou a destruição de um patrimônio genético construído ao longo de gerações.
A investigação aponta que os animais morreram após apresentar sintomas compatíveis com intoxicação alimentar, como letargia, ataxia, marcha em círculos, cegueira, compressão cefálica e insuficiência hepática. Laudos citados no processo relacionam o quadro à contaminação das rações NutriMax e Forragem Horse.
Conforme informações do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) reunidas na investigação, foram encontradas na ração substâncias consideradas altamente tóxicas, entre elas a monocrotalina e alcaloides pirrolizidínicos, associados a plantas do gênero Crotalaria. A suspeita é de que a contaminação tenha ocorrido a partir de resíduo de soja contaminado, apontado como insumo proibido para alimentação animal.
Durante as inspeções também teriam sido identificadas falhas no armazenamento de matérias-primas, ausência de segregação de insumos, mistura de materiais e falta de pesagem individualizada no processo de fabricação.
Para o promotor Ary Lages, o prejuízo não pode ser medido apenas pelo valor financeiro dos animais. Ele destaca que os proprietários tiveram de lidar também com a perda de um plantel construído durante décadas e com o sofrimento provocado pela morte dos cavalos.
O processo aponta ainda que a empresa começou a receber reclamações relacionadas à morte de animais em 24 de abril de 2025, mas teria iniciado uma investigação interna somente semanas depois. O recolhimento parcial dos produtos ocorreu em 5 de maio, quando, segundo os autos, o número de mortes já havia aumentado em diferentes estados brasileiros.
Além dos 80 cavalos mortos no Haras Nova Alcatéia, foram registradas, conforme a investigação, pelo menos outras 284 mortes de equinos no país. O caso também resultou em denúncias relacionadas à possível prática de crimes ambiental e contra as relações de consumo.
A medida de bloqueio de bens solicitada pelo MPAL tem como objetivo preservar patrimônio suficiente para uma eventual indenização. A responsabilização dos denunciados, no entanto, ainda depende da análise e decisão da Justiça, assegurados o direito de defesa e o contraditório.
O TNH1 tentou falar com a Nutratta Nutrição Animal para solicitar um posicionamento, mas não conseguiu contato. O espaço segue aberto para uma eventual resposta.
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