Mulher tem reação alérgica ao ácido hialuronico mais de um ano após preenchimento

Publicado em 29/09/2025, às 15h20
- Foto: Reprodução/Arquivo Pessoa

Revista Marie Claire

Em maio deste ano, a ginecologista Lilian Correa Vilela, de 59 anos, acordou um dia com o rosto muito inchado. O episódio coincidiu com uma infecção de garganta, e ela logo matou a charada. Tratava-se de uma reação ao ácido hialurônico, que ela mesma aplicou na pele um ano antes. Pós-graduada em dermatologia estética, Vilela é adepta do produto há oito anos, sem nunca ter apresentado efeitos adversos, até aquela manhã.

O edema tardio intermitente persistente (ETIP) é uma complicação descrita em procedimentos estéticos com ácido hialurônico. A reação inflamatória aparece tardiamente na região do preenchimento, muitas vezes associada a gatilhos como infecções, vacinas ou processos inflamatórios comuns, como gripes e dores de garganta. Apesar de assustar, na maior parte dos casos a reação é autolimitada e não representa risco grave.

Quando a reação pode ocorrer?

De acordo com Daniel Coimbra, coordenador do Departamento de Cosmiatria da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), o ETIP pode surgir a partir de 28 dias após a aplicação do produto. “Mas eu já vi aparecer até sete anos depois”, diz.

Além das causas inflamatórias, existe a possibilidade de reação infecciosa relacionada a bactérias que entram na pele no momento da aplicação e permanecem latentes por meses. Para reduzir esse risco, Coimbra reforça a importância da assepsia rigorosa: limpeza com clorexidina alcoólica, uso de material estéril e cuidado para que nem o profissional nem o paciente toquem a área após o procedimento.

Quando o quadro é inflamatório, o inchaço costuma se restringir à região do preenchimento e tende a melhorar sozinho ou com o uso de corticoide oral por poucos dias.

Sinais e sintomas mais intensos de ETIP

Já quando há infecção, os sinais são mais intensos. Pode surgir febre e vermelhidão que se espalha além da área onde o produto foi aplicado. Nesses casos, muitas vezes é preciso associar antibiótico ao tratamento e, em situações mais resistentes, recorrer à hialuronidase para dissolver o preenchedor.

“Na prática, a inflamação é uma resposta de defesa do corpo a algum gatilho, como uma gripe. Já a infecção ocorre quando há presença de micro-organismos, como bactérias, que podem ter entrado no momento do procedimento”, explica o dermatologista.

O médico diz que a reação é mais frequente em versões mais modernas de ácido hialurônico, por serem mais resistentes à degradação natural do organismo e permanecerem por um tempo prolongado no tecido. Vilela confirmou isso na prática. “O lado mais inchado do rosto era justamente o que tinha um produto novo”, diz ela, que mora em São Paulo (SP).

Embora o ETIP seja mais frequente com o ácido hialurônico, também pode acontecer com outros injetáveis, como bioestimuladores de colágeno, e tende a ser complexo nos casos de substâncias permanentes, como silicone e PMMA, justamente porque não existe uma enzima capaz de removê-las.

Transparência e cuidados

No caso de Vilela, a reação foi autolimitada e não voltou a ocorrer. Ela considerou retirar o produto com hialuronidase, mas descartou a opção ao perceber que precisaria de ultrassom para guiar a aplicação e que a enzima disponível em seu consultório estava vencida. “No primeiro momento dá uma assustada, principalmente quando você faz em pacientes. Mas nenhuma paciente minha relatou experiência semelhante”, afirma.

O episódio a fez refletir sobre a forma como complicações são abordadas. “Todo mundo mostra só o lado bom dos procedimentos estéticos, mas complicações podem acontecer até muito tempo depois. É fundamental que os pacientes saibam disso”, diz.

Segundo Coimbra, não é possível prever quem tem predisposição ou não para ter ETIP. "Qualquer pessoa pode ter. O importante é frisar não é algo grave", aponta.

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