Novo teste promete detectar anemia olhando apenas os olhos do paciente

Publicado em 27/05/2026, às 21h43
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Galileu

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Cansaço generalizado, falta de apetite, palidez de pele e mucosas são sintomas comuns da anemia, condição em que a quantidade de hemoglobina no sangue está abaixo do normal. Em um novo estudo, cientistas desenvolveram um método de identificar o quadro através de vídeos curtos dos olhos, técnica que pode facilitar o diagnóstico.

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Descrita em um estudo em 8 de abril na revista Npj Digital Medicine, a tecnologia ainda não substitui exames de sangue tradicionais. Mas poderá ajudar no processo de triagem de pacientes, identificando aqueles que precisam de um hemograma completo. Além disso, o método pode ser especialmente útil em locais onde o acesso a exames laboratoriais é limitado, tal como países de baixa renda.

Outras alternativas similares já existem, como o dispositivo Pronto-7, que mede os níveis de hemoglobina no sangue emitindo luz através da unha. Essa tecnologia, aprovada em 2021 pelo órgão regulatório americano FDA (Food and Drug Administration, equivalente à Anvisa nos EUA), porém, é menos precisa para pessoas de pele escura.

A parte branca do olho, por outro lado, contém muito pouco pigmento e tem uma aparência praticamente igual em populações de diferentes etnias. Por isso, a região pode ser bastante útil para medir parâmetros de saúde.

Microscópio ocular

Os pesquisadores usaram uma câmera de microscópio com ampliação de 50x para gravar vídeos de 10 segundos da parte branca dos olhos de 224 participantes do estudo, que vinham do Centro Médico Sheba, em Israel. Entre os voluntários, estavam indivíduos saudáveis e com câncer que sofriam de distúrbios sanguíneos.

Através de um software processador chamado Video-to-Vessels, os pesquisadores obteram vídeos em imagens em time-lapse dos vasos sanguíneos do olho. Em seguida, eles usaram o VesselNet, um modelo de IA, para prever o nível de hemoglobina e o número de glóbulos vermelhos dos pacientes analisando padrões no fluxo de células sanguíneas.

Eles compararam os valores de hemoglobina previstos pelo modelo com os valores reais medidos por meio de exames de sangue padrão, descobrindo que o modelo identificou corretamente se uma pessoa tinha anemia em cerca de 83% dos casos. Em comparação, o Pronto-7 apresenta uma taxa de acerto entre 80% e 88% na detecção de baixa hemoglobina em homens e entre 84% e 87% em mulheres.

Os autores do estudo acreditam que também poderão contar os glóbulos brancos se desenvolverem uma câmera com maior resolução e ampliação. Eles ainda planejam realizar testes repetidos do método e estudos envolvendo grupos maiores e mais diversos, incluindo pacientes com anemia por deficiência de ferro, que foram sub-representados na amostra.

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