Mais de mil pessoas já morreram no Nepal, segundo as autoridades do país nesta terça-feira (1º). Além disso, mais de 4.400 pessoas estão desaparecidas. A destruição da maioria das pontes e as fortes chuvas têm dificultado o acesso das equipes de resgate às áreas afetadas. Enquanto isso, as autoridades demoram a solicitar ajuda internacional. Até o momento, apenas alguns especialistas asiáticos conseguiram se juntar aos esforços de busca.
No dia do desastre, Deepak Koirala, jornalista nepalês, estava em Katmandu. Ele retornou à sua região, o distrito de Dhading, no dia seguinte e testemunhou a dimensão da tragédia.
"Fui até a área afetada. Vinte e nove dos meus vizinhos estavam a caminho de Gosaikunda, um local de peregrinação muito popular. Eles tinham ido lá para rezar e foram surpreendidos pela enchente. Desde então, não tivemos notícias deles. Todos estão desaparecidos", disse Deepak Koirala à RFI.
O jornalista continua escrevendo artigos e produzindo reportagens sobre o desastre para emissoras locais de televisão e rádio, enquanto ajuda a comunidade de sua região.
"Minha missão é procurar os corpos dos meus vizinhos desaparecidos. Estou trabalhando com a polícia e o governo para recuperar seus restos mortais", explicou. "Também participo dos esforços humanitários na minha região. Estamos enviando suprimentos, alimentos, roupas e equipamentos e arrecadando tudo o que podemos, porque os danos são enormes", acrescentou.
Cerca de 20 pontes foram destruídas e quase 40 quilômetros de estradas desapareceram.
A devastação torna ainda mais difícil a chegada de ajuda e a realização das operações de socorro. Com estradas e pontes arrastadas pela água, algumas áreas continuam de difícil acesso ou permanecem completamente isoladas.
Ajuda lenta
O desastre ocorrido em 26 de agosto tem sobrecarregado severamente os recursos do governo nepalês, aumentando a impaciência da população.
Na cidade de Trishuli, famílias estão abrigadas em escolas e enfrentam a lentidão da assistência. O município mantém ligação com o mundo exterior por apenas uma ou duas estradas estreitas, cobertas de lama, onde até veículos com tração nas quatro rodas ficam atolados. Em alguns trechos, percorrer poucas dezenas de quilômetros pode levar até quatro horas.
Parte da população expressa frustração ao ver ministros viajando de helicóptero para as áreas atingidas, enquanto o Exército enfrenta limitações operacionais. Segundo a imprensa local, duas aeronaves estariam retidas na Índia para manutenção. Ainda assim, as autoridades recusaram ofertas de ajuda de outros países.
Países vizinhos, como China e Paquistão, dispõem de helicópteros de grande porte. O Exército indiano, por sua vez, opera 15 helicópteros Chinook, de fabricação americana, capazes de transportar até 11 toneladas de suprimentos.