O alerta urgente dos médicos sobre o polêmico "chip da beleza"

Publicado em 29/07/2026, às 15h15
- Foto: Reprodução/Agência Brasil

Estado de Minas

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Cada vez mais utilizados por mulheres no Brasil, os implantes hormonais devem ser administrados de forma personalizada. No entanto, ainda existem profissionais que os indicam sob o apelo do chamado “chip da beleza” - prática amplamente criticada por especialistas.

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Para o ginecologista e professor Walter Pace, “pacientes diferentes respondem de maneiras diferentes aos mesmos tratamentos. A mulher, por exemplo, desde a puberdade até a menopausa, apresenta perfis hormonais diferentes ao longo de sua vida. Em muitos casos, até mesmo dentro de um mesmo ciclo menstrual ocorrem variações importantes. Não podemos desconsiderar essas diferenças”. 

Hoje, acrescenta o especialista, “uma das principais evoluções da medicina moderna é o reconhecimento da individualidade biológica”.

De acordo com Walter, mulheres com endometriose - que representam um número expressivo no país, além daquelas com adenomiose, sangramento uterino anormal e outras condições hormonais, dependem de estratégias terapêuticas individualizadas para recuperar sua qualidade de vida. “No dia a dia do consultório, constatamos que muitas pacientes convivem com doenças e condições clínicas que exigem um acompanhamento hormonal individualizado”, reforça.

Nesse sentido, observa o ginecologista, “qualquer debate sobre segurança no tratamento deve considerar os riscos do uso inadequado. Por outro lado, é importante avaliarmos os impactos que eventuais restrições podem causar à continuidade de tratamentos legitimamente indicados por profissionais habilitados.” 

Conforme explica Walter, a busca por tratamentos cada vez mais individualizados não surgiu agora. "O Brasil ocupa um lugar de destaque nessa trajetória graças ao trabalho  Professor Elsimar Coutinho, médico e pesquisador reconhecido internacionalmente por suas contribuições à contracepção, à saúde da mulher e às terapias hormonais."

Desde a década de 1960, as pesquisas do professor Elsimar ajudaram a ampliar o conhecimento sobre métodos hormonais de longa duração, além de abrir caminho para abordagens terapêuticas mais adaptadas às necessidades individuais de cada paciente. "Não podemos esquecer desse avanço já naquela época, da maior importância da medicina brasileira”, ressalta.

Ainda, segundo o ginecologista, os debates sobre terapias hormonais não podem ser conduzidos com generalizações artificiais e que não acompanham a realidade da medicina contemporânea. O foco, destaca, “deve estar sempre na avaliação clínica, no diagnóstico correto, na escolha adequada da terapia e no acompanhamento permanente do paciente, uma vez que a segurança não se constrói com simplificações, mas com ciência, responsabilidade e critérios bem definidos”.

 

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