O praticamente garantido quarto mandato presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve sair mais pelos desencontros dos concorrentes do que pelos méritos da sua terceira gestão.
LEIA TAMBÉM
Na realidade, o petista, do alto dos seus 80 anos de idade, ainda se ufana mesmo é dos seus dois primeiros mandatos presidenciais e, mais ainda, da sua versão sindicalista.
É como entende o jornalista Rodolfo Borges:
“A campanha de reeleição de Lula empolgou a militância petista com uma versão do Rap do Silva, que destaca a faceta de ‘brasileiro, trabalhador e família’ do presidente, contando sua história desde a origem humilde, mas sem praticamente mencionar o que ele fez no terceiro mandato presidencial.
A única menção, bem de leve, ocorre quando a letra da música fala que Lula ‘não baixa a cabeça, sempre defende a nação’, enquanto aparece uma imagem sua ao lado de Donald Trump.
É isso que sobrou de um terceiro mandato que não tem praticamente nada para mostrar: o confronto com Trump, embalado pelo discurso da soberania nacional oferecido pela família Bolsonaro.
Parte inferior do formulário
O presidente passou os primeiros três anos de governo prometendo uma colheita que não veio, e simplesmente parou de falar sobre o assunto. Agora, Lula apela ao passado mais longínquo, de sindicalista, para tentar justificar uma aposta dos eleitores num futuro governo seu.
A letra do jingle chega a dizer que Lula ‘enfrentou o sistema’ quando foi preso pela Operação Lava Jato. Na verdade, ele foi usado como pretexto para proteger o sistema e livrou todo mundo.
Apresentar a história que conduziu o petista à Presidência da República pela primeira vez, em 2002, faz sentido do ponto de vista da tentativa de cativar o eleitorado mais jovem, conhecedor apenas deste último governo, que não tem praticamente nada para mostrar ou perspectiva para vender.
Mas a estratégia, que reforça uma herança popular que Lula perdeu vivendo no palácio e usando roupas de grife, expõe essa falta de motivo para votar em Lula: se não entregou nada no terceiro mandato, o que poderia fazer numa quarta gestão?
Resta apenas o argumento de que a alternativa é pior, que já foi usado em 2022 contra Jair Bolsonaro, hoje preso por tentativa de golpe de Estado.
O governo Lula resolveu apagar boa parte das produções das Agência e TV Brasil, entre outras publicações de ministérios, xcom medo do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), como informou O Antagonista.
Pelo jeito, os lulistas entendem que vão precisar apagar a gestão da memória do brasileiro também, sob o risco de não conseguir reeleger o presidente.”
LEIA MAIS
+Lidas