Contextualizando

Gestão Lula-4: quase nada a declarar

Em 29 de Julho de 2026 às 18:00

O praticamente garantido quarto mandato presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve sair mais pelos desencontros dos concorrentes do que pelos méritos da sua terceira gestão.

Na realidade, o petista, do alto dos seus 80 anos de idade, ainda se ufana mesmo é dos seus dois primeiros mandatos presidenciais e, mais ainda, da sua versão sindicalista.

É como entende o jornalista Rodolfo Borges:

“A campanha de reeleição de Lula empolgou a militância petista com uma versão do Rap do Silva, que destaca a faceta de ‘brasileiro, trabalhador e família’ do presidente, contando sua história desde a origem humilde, mas sem praticamente mencionar o que ele fez no terceiro mandato presidencial.

A única menção, bem de leve, ocorre quando a letra da música fala que Lula ‘não baixa a cabeça, sempre defende a nação’, enquanto aparece uma imagem sua ao lado de Donald Trump.

É isso que sobrou de um terceiro mandato que não tem praticamente nada para mostrar: o confronto com Trump, embalado pelo discurso da soberania nacional oferecido pela família Bolsonaro.

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O presidente passou os primeiros três anos de governo prometendo uma colheita que não veio, e simplesmente parou de falar sobre o assunto. Agora, Lula apela ao passado mais longínquo, de sindicalista, para tentar justificar uma aposta dos eleitores num futuro governo seu.

A letra do jingle chega a dizer que Lula ‘enfrentou o sistema’ quando foi preso pela Operação Lava Jato. Na verdade, ele foi usado como pretexto para proteger o sistema e livrou todo mundo.

Apresentar a história que conduziu o petista à Presidência da República pela primeira vez, em 2002, faz sentido do ponto de vista da tentativa de cativar o eleitorado mais jovem, conhecedor apenas deste último governo, que não tem praticamente nada para mostrar ou perspectiva para vender.

Mas a estratégia, que reforça uma herança popular que Lula perdeu vivendo no palácio e usando roupas de grife, expõe essa falta de motivo para votar em Lula: se não entregou nada no terceiro mandato, o que poderia fazer numa quarta gestão?

Resta apenas o argumento de que a alternativa é pior, que já foi usado em 2022 contra Jair Bolsonaro, hoje preso por tentativa de golpe de Estado.

O governo Lula resolveu apagar boa parte das produções das Agência e TV Brasil, entre outras publicações de ministérios, xcom medo do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), como informou O Antagonista.

Pelo jeito, os lulistas entendem que vão precisar apagar a gestão da memória do brasileiro também, sob o risco de não conseguir reeleger o presidente.”

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