Flávio Gomes de Barros
Presidente da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, Renan Calheiros divergiu publicamente de Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, por conta do Banco Master.
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O parlamentar de Alagoas disse, em meio à discussão na CAE, que apresentaria um áudio em que Galípolo teria defendido a compra do Master pelo BRB.
O dirigente do BC negou que tenha afirmado isso e até o final da sessão a gravação prometida por Renan não apareceu...
Quem aborda a questão é portal "O Antagonista":
"O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, entrou em confronto direto com o senador Renan Calheiros (MDB-AL) durante sessão da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, nesta terça-feira, 19, após o parlamentar atribuir ao chefe da autoridade monetária uma declaração que ele negou ter feito.
O desentendimento expôs divergências sobre o papel público do BC no episódio que envolveu a tentativa de venda do Banco Master ao BRB, instituição financeira estatal.
O atrito teve início quando Renan Calheiros, que preside a CAE, afirmou que Galípolo teria declarado, em sessão anterior da comissão, que a operação de compra do Master pelo BRB era correta. O presidente do BC rejeitou a afirmação de forma categórica: 'O Banco Central jamais diria que a operação é correta, porque o Banco Central não comenta sobre instituição particular — eu não posso fazer isso'.
O senador anunciou que apresentaria uma gravação como prova da declaração, mas o áudio não chegou a ser exibido durante a sessão. Galípolo defendeu a conduta da instituição no caso, argumentando que a decisão de barrar a venda foi a medida adequada diante da situação do banco. 'No entanto, não havia o que salvar no Master. Por isso, a proibição da venda para o BRB foi correta' afirmou.
Renan cobrou de Galípolo uma manifestação pública mais clara no momento em que lideranças do Congresso apresentaram projeto que permitiria ao Legislativo destituir o presidente e os diretores do BC — medida interpretada como ameaça à autonomia da instituição.
Para o senador, a ausência de uma resposta aberta foi 'gravíssima. A reação pública de Vossa Excelência naquele momento era pedagógica para a autonomia do BC, e isso não foi feito', disse Calheiros.
Galípolo discordou da avaliação e defendeu que a própria decisão técnica cumpriu o papel de sinalizar a independência do BC. 'O Banco Central não tem que pegar a televisão, gravar um Instagram, um TikTok fazendo isso. O Banco Central não é palanque. O Banco Central toma a decisão correta, independente de quem está jogando pedra e fazendo barulho', respondeu.
A sessão encerrou em clima de tensão, com o presidente do BC reclamando da dificuldade de se fazer ouvir enquanto Calheiros conduzia os trabalhos: 'Eu não consigo falar. Gente, eu queria só um minuto para falar'.
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