O caso chocante de Agostina Vega, a adolescente de 14 anos assassinada e esquartejada na Argentina

Publicado em 02/06/2026, às 18h25
- Foto: Reprodução

BBC News

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A adolescente Agostina Vega, de 14 anos, desapareceu na noite de 23 de maio, por volta das 22h30, na cidade de Córdoba, na Argentina.

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Durante uma semana, familiares, vizinhos e autoridades realizaram buscas pela jovem. No último sábado (30/05) ela foi encontrada esquartejada em um terreno baldio na periferia da cidade.


O caso causou forte comoção em Córdoba e em todo o país. Durante o fim de semana, manifestações foram realizadas em diversas localidades para exigir justiça pela morte da adolescente. Grupos feministas também convocaram novos protestos.


A polícia prendeu Claudio Barrelier, de 33 anos, ex-companheiro da mãe da vítima, apontado até o momento como o principal e único suspeito do feminicídio.


Segundo relato da mãe de Agostina, Melisa Heredia, no dia do desaparecimento a adolescente passou parte do tempo brincando com o irmão de 7 anos. Mais tarde, os dois teriam ido buscar empanadas no comércio do avô, localizado próximo à residência da família.

"Quando meu filho voltou, perguntei se Agostina estava no comércio do avô e ele respondeu: 'Não, mãe, a Agos não está lá'", contou Heredia ao jornal argentino La Nación.


Ao perceber a ausência da filha, a mãe tentou contato por telefone por volta das 22h30. "O celular tocou quatro vezes e depois nunca mais", relatou.


Durante os dias de busca, Melisa fez um apelo emocionado à filha: "Seja forte, meu amor. Aguente mais um pouco, porque nós vamos te encontrar. Toda Córdoba está procurando por você".

Mas Agostina não seria encontrada com vida.

Ariel, a testemunha-chave

A última pessoa a ver Agostina antes do desaparecimento foi o taxista que a levou para encontrar o principal suspeito do assassinato.

Trata-se de Ariel, que deu detalhes à imprensa local sobre tudo o que viu naquela noite.

Ele contou que a adolescente o abordou e pediu que a levasse até o cruzamento das ruas Juan del Campillo e Fragueiro, no bairro Cofico, onde estava Claudio Barrelier.

"Perguntei quantos anos ela tinha e ela me disse que tinha 14", lembra,

"Também perguntei por que estava indo até aquele local e ela me disse que ia se encontrar com o namorado da mãe e que eles iam fazer uma surpresa", acrescentou.

Mas a situação ficou estranha quando eles encontraram Barrelier.

"Quando ela o viu, me disse: 'Aquele rapaz ali vai pagar a corrida'. Ele estava usando um casaco preto, se aproximou e perguntou quanto era a corrida. Quando respondi 11.300 pesos, ele disse que não tinha o dinheiro todo, apenas 9.500 pesos. Achei suspeito o fato de ele não olhar para o meu rosto. Ficou de lado, apoiado entre as portas dianteira e traseira do carro. Eu tentei olhar para ele, mas ele estava de capuz. Como não tinha dinheiro suficiente, me entregou um dólar para completar", relatou Ariel.

Dias depois, o taxista descobriu que Agostina havia desaparecido.

"Eu estava no celular quando vi a foto da menina e percebi que era a mesma jovem que eu tinha levado até aquela casa. Procurei informações nas redes sociais, consegui entrar em contato com a mãe dela e deixei meu número", afirmou.

Um dos principais elementos que ligaram Claudio Barrelier ao desaparecimento da adolescente foi uma gravação obtida por câmeras de segurança.

As imagens mostram Agostina entrando na residência do homem de 33 anos na mesma noite em que desapareceu.

O imóvel foi posteriormente alvo de buscas realizadas pelas autoridades, que procuravam reunir provas para a investigação do caso.

O fim das buscas

Poucas horas antes de completar uma semana do desaparecimento, o corpo de Agostina foi encontrado na região de Ampliación Ferreyra, área que vinha sendo periciada pelas autoridades havia mais de 24 horas.

Ao local — uma propriedade de aproximadamente 240 hectares — compareceram o pai da vítima, o promotor Raúl Garzón e o secretário de Segurança da província de Córdoba, Juan Pablo Quintero.

Ali se constatou que a adolescente havia sido esquartejada pelo autor do crime, com as partes do corpo enterradas em diferentes pontos do terreno.

De acordo com a imprensa argentina, a operação de buscas mobilizou mais de 200 policiais, além de cães farejadores, helicópteros e drones.

Em entrevista coletiva, o promotor Raúl Garzón afirmou que o homicídio teria ocorrido entre as 23h30 de sábado, do dia 23/05, e 1h ou 2h da madrugada de domingo, 24/05.

"Ainda precisamos esclarecer por que Agostina estava naquela casa naquele dia. De forma alguma a investigação está concluída. Tanto o ambiente familiar quanto pessoas fora do círculo familiar continuam sendo alvo de apuração. Até o momento não há outros acusados, mas eventuais responsabilidades serão determinadas conforme o avanço das investigações e a produção de provas", declarou.

Em entrevista ao canal Todo Noticias (TN), o secretário de Segurança, Juan Pablo Quintero, falou sobre uma pista que foi fundamental para encontrar Agostina.

Com a suspeita de que Barrelier estivesse envolvido no desaparecimento da menina, os investigadores identificaram, na segunda-feira, registros que mostravam ele em uma residência do bairro Cofico, dirigindo um Ford Ka.

Na quarta-feira, explicou Quintero, foi possível confirmar que o mesmo veículo havia chegado ao bairro de Ampliación Ferreyra, onde os restos mortais seriam encontrados posteriormente.

"Naquele momento, ainda estávamos otimistas em encontrá-la viva, mas mantivemos absoluto sigilo para não atrapalhar a investigação", disse o secretário.

Seguir o trajeto desse carro foi "a pista fundamental", segundo o oficial.

Posteriormente, uma análise de dados de telefonia permitiu verificar que o suspeito ficou no mesmo ponto por cerca de 40 minutos.

Foi a partir dessa informação que as equipes concentraram as buscas na área onde Agostina acabou sendo encontrada.

"Estou evitando dar detalhes por respeito à família, mas estamos diante do pior cenário possível", acrescentou o ministro, observando que o suspeito "mentiu desde o início".

A mídia local noticiou que, após sua prisão, Barrelier teria manifestado intenções suicidas dentro do Complexo Penitenciário de Bouwer. Ele precisou ser socorrido por funcionários da prisão.

"Ainda estou em choque. Mal consigo acreditar em tudo isso. Não quero ligar a televisão", disse a mãe do acusado, Viviana Brizuela, à imprensa.

"Eu pensava que ele era inocente. Não o criei com esses valores. Eu o criei com educação, com princípios", acrescentou.

 

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