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O que acontece quando o coração para? Estudo encontra sinais surpreendentes no cérebro

Publicado em 03/11/2026, às 23h47
- Reprodução/Redes Sociais

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Pesquisadores encontraram sinais de consciência em pacientes cujos corações pararam por vários minutos, aproximando os cientistas de entender o que realmente ocorre após a morte — um dos maiores mistérios da Humanidade.

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Mais de 140 pacientes, que corriam risco de parada cardíaca, em 13 hospitais no Reino Unido e na Espanha, voluntariaram-se para um experimento no qual sons — incluindo música — seriam reproduzidos por meio de um alto-falante durante os dois primeiros minutos de reanimação, caso seus corações parassem. O trabalho publicado na renomada revista científica internacional "The Innovation", nvolveu equipes da Universidade Pontifícia Comillas, na Espanha, e da Manchester Metropolitan University e da Liverpool John Moores University, na Inglaterra.

Após a recuperação, os sobreviventes realizaram um teste de memória com dez itens, que misturava sons reproduzidos durante a reanimação com outros que não haviam sido tocados.

"As descobertas sugerem que a consciência pode ser preservada mesmo durante estados de morte clínica reversível", escreveu o grupo de cientistas ao anunciar o resultado da pesquisa.

Os pesquisadores constataram que níveis mais baixos de oxigênio no cérebro estavam associados a experiências de quase morte mais intensas e a um melhor reconhecimento dos sons reproduzidos durante a reanimação. O achado levanta novas questões sobre como a mente processa informações sob estresse físico extremo.

Os resultados reforçam a ideia de que a consciência pode persistir após a interrupção dos batimentos cardíacos — uma possibilidade central no debate sobre a vida após a morte. O estudo se concentrou em experiências vívidas das quais as pessoas se lembravam, ocorridas em períodos em que, clinicamente, elas deveriam estar inconscientes. Nesse contexto, "morte clínica" significa que o coração parou, mas a pessoa ainda pode ser reanimada. A reanimação cardiopulmonar pode levar uma certa quantidade de sangue ao cérebro; portanto, uma parada cardíaca não implica, necessariamente, o fim de toda a atividade cerebral.

Como foi o estudo

O experimento contou com três grupos, nos quais sons eram reproduzidos por meio de um alto-falante conectado a um computador durante a reanimação.

Um dos grupos ouviu sons naturais familiares, como o canto de pássaros, chuva e o barulho de ondas.

Outro grupo ouviu melodias criadas especificamente para o estudo, elaboradas para reduzir o risco de que os pacientes confundissem os sons do experimento com lembranças de suas vidas anteriores.

Para ambos os grupos, um computador quântico ajudou a determinar se cada som seria reproduzido ou não. O método utilizava o emaranhamento, que conecta os bits quânticos do computador — chamados de qubits — de modo que os resultados de suas medições fiquem interligados.

Esses resultados funcionavam como interruptores que controlavam a reprodução de sons, permitindo aos pesquisadores testar se esse método de seleção sonora estava associado a uma melhor capacidade de recordação.

Um terceiro grupo ouviu as novas melodias por meio de um sistema que não utilizava o emaranhamento.

Em seguida, os sobreviventes realizaram um teste de reconhecimento composto por dez itens: cinco sons que haviam sido reproduzidos e cinco que não haviam sido.

Os dois primeiros grupos obtiveram, em média, cerca de seis ou sete acertos de um total de dez, enquanto o grupo de comparação teve uma média de cinco acertos — número esperado caso as respostas fossem dadas ao acaso.

Os resultados também fazem referência a pesquisas anteriores que registraram surtos de atividade organizada em cérebros em processo de morte, incluindo padrões elétricos associados ao processamento consciente. Essa atividade poderia, potencialmente, ajudar a explicar experiências relatadas por alguns sobreviventes, como ver uma luz, recordar cenas de suas vidas ou sentir uma clareza mental incomum.

Os autores sugeriram que um cérebro sob estresse severo pode, por um breve período, preservar atividade suficiente para sustentar experiências ou memórias, mesmo quando suas funções normais começam a falhar.

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