Um estudo da Universidade de Marburg revelou que substâncias extraídas de múmias egípcias podem ter propriedades que ajudam a proteger contra sintomas de gripe, destacando a relevância histórica dos egípcios na medicina moderna.
A pesquisa identificou que a 'mumia vera aegyptiana' continha materiais humanos e plantas como a babosa, que agora é reconhecida como um componente de embalsamamento, embora seu uso pareça ter sido limitado a práticas específicas.
Os pesquisadores enfatizam que, apesar dos efeitos moderados observados em cicatrizações e dores de cabeça, não há evidências conclusivas de que o remédio fosse eficaz contra a gripe em humanos, e a descoberta da babosa abre novas perspectivas para estudos sobre práticas médicas antigas.
Os egípcios foram responsáveis por diversos avanços que contribuem para a sociedade moderna até hoje. Recentemente, um estudo da Universidade de Marburg, na Alemanha, revelou que uma substância extraída de múmias pode apresentar propriedades capazes de proteger os seres humanos contra sintomas de gripe.
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A pesquisa, publicada na revista PNAS (Proceedings of the National Academy of Sciences), sugere que a "mumia vera aegyptiana", um medicamento utilizado principalmente na Idade Média, continha materiais derivados de humanos embalsamados, faixas, cera de abelha, pele e tecido mumificado. Os médicos da época também acreditavam que as propriedades curativas dos mortos poderiam ser transmitidas aos vivos.
Um dos extratos da análise apresentou um efeito protetor moderado para cicatrizações de ferimentos, dores de cabeça e danos induzidos pelo vírus da gripe. Mas, a pesquisa ressalta que os resultados não fornecem evidências de que o remédio histórico fosse eficaz contra a gripe em humanos, apesar de fontes textuais indicarem seu uso para sintomas graves de resfriado, como tosse, dor de garganta e tontura.
Outras duas amostras da análise também indicaram compostos associados à planta babosa, usada atualmente para fins de saúde e bem-estar, como loções pós-sol. A pesquisa acredita que essa seja a primeira vez que a babosa foi identificada em materiais de embalsamento por meio de análise molecular.
No entanto, como ela apareceu em poucos objetos, acredita-se que seu uso possa ter sido restrito a certas práticas.
“Esta descoberta é significativa para a pesquisa por dois motivos: até agora, a babosa não havia sido identificada como um componente dos materiais de embalsamento do antigo Egito por meio de análise molecular. Ao mesmo tempo, a babosa foi associada a materiais de múmias usados como medicamento em séculos posteriores, particularmente em textos medievais", disse a Dra. Tanja Pommerening, que dirige o único Instituto de História da Farmácia e da Medicina da Universidade de Marburg.
Textos medievais mencionavam ligações entre a babosa e medicamentos feitos com material de múmias, mas os cientistas acreditavam que os autores estavam apenas especulando.
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