O que é a Guarda Revolucionária do Irã e qual seu papel no conflito atual?

Publicado em 02/03/2026, às 14h46
Mísseis iranianos foram vistos cruzando a Faixa de Gaza em direção a Israel - Thenews2 / Folhapress

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A Guarda Revolucionária do Irã centraliza parte importante do poder militar, político e econômico do país e lidera a resposta militar aos bombardeios coordenados de Estados Unidos e Israel.

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O conflito já deixou pelo menos 555 mortos e 747 feridos em solo iraniano. Segundo grupos humanitários, os ataques de EUA e Israel atingiram 131 cidades, incluindo a capital Teerã.
O governo iraniano descartou qualquer negociação para encerrar o conflito. O chefe de segurança Ali Larijani rejeitou a proposta de diálogo do presidente americano, Donald Trump, e avisou que não fará acordo com os rivais.

Ahmad Vahidi assumiu o comando da Guarda após a morte da cúpula iraniana. Ele substitui Mohammad Pakpour, morto em ataque recente que também vitimou o líder supremo Ali Khamenei e o antecessor Hossein Salami.

O novo chefe é procurado pela Interpol por terrorismo. Vahidi é suspeito de planejar o atentado à AMIA na Argentina, em 1994, e liderou a repressão violenta a protestos no Irã nos últimos anos.

ORIGEM DA GUARDA REVOLUCIONÁRIA NO IRÃ

A Guarda Revolucionária do Irã é uma das organizações mais poderosas do país. Ela foi fundada com objetivos militares e atua na defesa do regime iraniano e de grupos militantes islâmicos contra Israel e os Estados Unidos.

O grupo surgiu após a Revolução Islâmica de 1979, que derrubou o xá Mohammad Reza Pahlavi. O monarca era apoiado pelos EUA e conduzia um processo de ocidentalização, mas foi deposto e substituído por uma teocracia que deu amplos poderes ao líder supremo, cargo ocupado então pelo aiatolá Ruhollah Khomeini.

Líderes clericais criaram a Guarda para proteger o novo sistema de governo e servir de contrapeso às Forças Armadas tradicionais. O objetivo dos fundamentalistas era garantir a sobrevivência do regime clerical muçulmano xiita e, até hoje, a corporação atua para defender essa estrutura de poder.

A Guarda se reporta diretamente ao líder supremo do Irã. De acordo com o IISS (Instituto Internacional de Estudos Estratégicos), ela tem mais de 190 mil soldados sob seu comando, divididos em forças terrestres, paramilitares, navais, aéreas e cibernéticas.

PODER, AVANÇO E ECONOMIA

O braço externo da corporação, as Forças Quds, organiza a atuação de aliados fora do Irã. A Guarda patrocina grupos armados não estatais como o Hamas, o Hezbollah libanês e milícias no Iraque e no Iêmen, descritos como um "eixo de resistência" antiocidental desde a década de 1980.

O corpo também opera o arsenal de mísseis balísticos do Irã, usado em ações fora do país. Esses mísseis já foram empregados contra militantes muçulmanos sunitas na Síria e contra grupos de oposição curdos iranianos no norte do Iraque.

O poder da Guarda se expandiu com o tempo e avançou sobre a política e a economia. A corporação passou a intervir mais em assuntos políticos quando um veterano do grupo, Mahmoud Ahmadinejad, virou presidente em 2005; hoje, ex-oficiais ocupam cargos-chave no establishment, do governo ao parlamento.

No setor econômico, a Guarda construiu uma rede de negócios bilionária após a guerra Irã-Iraque. Ela se envolveu na reconstrução do país e ampliou interesses para áreas como construção e telecomunicações, além de projetos de petróleo e gás.

NOVO COMANDANTE

Novo chefe da Guarda, Ahmad Vahid é procurado pela Interpol por suspeita de planejar o atentado à AMIA (Associação Mutual Israelita Argentina). O ataque ao centro comunitário judaico em Buenos Aires matou 85 pessoas em 1994, quando ele comandava a Força Quds, braço paramilitar da Guarda que opera no exterior.

O militar acumula sanções e cargos estratégicos no regime. Aos 67 anos, ele está na lista de sanções dos EUA e da União Europeia e já atuou como ministro da Defesa (2009-2013) e do Interior (2021-2024).

O comandante liderou a repressão violenta a protestos recentes. Coube a Vahid conter as manifestações após a morte de Mahsa Amini, em 2022, e os protestos de comerciantes em dezembro de 2025, quando já era vice-comandante da corporação.

A troca de comando ocorre após a morte de 40 integrantes da cúpula iraniana. Vahid substitui Mohammad Pakpour, assassinado no ataque de sábado que também vitimou o líder supremo Ali Khamenei.

A Guarda Revolucionária enfrenta instabilidade com assassinatos em série de líderes. Pakpour comandava a força apenas desde junho de 2025, quando substituiu Hossein Salami, também morto em uma ação israelense.

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