Contextualizando

No muro: Aécio Neves sinaliza neutralidade do PSDB

Em 6 de Junho de 2026 às 15:00

O PSDB, que foi predominante na política brasileira por muitos anos, perdeu muito o espaço dos tempos áureos e ultimamente é mero figurante no contexto.

Da glória de ter Fernando Henrique Cardoso duas vezes seguidas na Presidência da República e participado ativamente de várias outras disputas ao Palácio do Planalto, a legenda alimentou a esperança de ter Ciro Gomes concorrendo este ano.

Mas Ciro resolveu tentar voltar ao governo do Ceará e, na ausência de um candidato competitivo, a é tendência liberar seus filiados para votar em quem quiser para presidente, como diz a jornalista Letícia Fernandes:

"O presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, vem dando sinais de que pode liberar o partido para as eleições presidenciais de outubro e se manter neutro na disputa.

Com a negativa deCiro Gomes de concorrer à Presidência pelo partido, o dirigente tucano ainda avalia a possibilidade de lançar outro nome, mas o mais provável é que não apoie publicamente nem Flávio Bolsonaro (PL-RJ), muito menos o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A avaliação foi feita pouco antes de se tornarem públicos diálogos entre Flávio e o banqueiro Daniel Vorcaro, que o presidenciável do PL chegou a chamar de 'irmão', mas as revelações tendem a reforçar a posição de neutralidade de Aécio.

O dirigente tucano tem confidenciado a aliados que, no esforço de tentar reconstruir o PSDB e fazer uma bancada de 35 deputados federais nas eleições, vai focar em 'segurar' o partido no centro e centro-direita, o mais longe possível do bolsonarismo radical.

'Continuo acreditando que o Brasil é muito maior que Lula e Bolsonaro somados', disse Aécio Neves à Coluna do Estadão, afirmando querer seguir na busca de um caminho entre os dois candidatos.

'O PSDB ainda acredita na possibilidade de construir um caminho ao centro para o Brasil e intensificará nas próximas semanas conversas com outros atores de dentro e fora do partido, para pelo menos qualificarmos o debate sobre o Brasil que até agora, em razão dessa polarização tão rasa, ainda não ocorreu', completou.

Caso não tome partido nas eleições deste ano, Aécio avalia que 70% dos Estados tendem a apoiar o senador Flávio Bolsonaro, enquanto os demais migrariam para Lula.

Aécio, que é pré-candidato ao Senado, já foi procurado tanto pela campanha de Flávio como por emissários do presidente do PT, Edinho Silva, mas ainda não conversou com nenhum deles.

O deputado também vem sendo sondado por candidatos em polos políticos opostos na disputa ao governo de Minas Gerais, Estado que governou entre 2003 e 2010.

Ele tem conversado com o ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexsndre Kalil (PDT), que poderá dar palanque a Lula no Estado com a desistência de Rodrigo Pacheco (PSB-MG) em concorrer, mas também foi sondado para conversas com o senador Cleitinho (Republicanos), que lidera a pesquisa Genial/Quaest mais recente e tem o apoio da família Bolsonaro. Por ora, Aécio aguarda a definição dos palanques de Lula e Flávio, ainda embolados no Estado, para se posicionar.

O PSDB enfrentou a pior eleição da sua história em 2022. Perdeu o governo de São Paulo, que comandava há 28 anos, e viu sua bancada federal diminuir ainda mais. Também sofreu com a debandada de prefeitos e figuras históricas, como Geraldo Alckmin, hoje vice-presidente da República de Lula e filiado ao PSB.

'Mesmo menorzinho, nós temos que registrar a importância do PSDB. Existe vida inteligente fora dos extremos', afirmou Aécio em 2023.

O tucano teve mais de 51 milhões de votos em 2014, quando disputou a Presidência da República contra Dilma Rousseff, e apenas 85.341 em 2022."

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