Flávio Gomes de Barros
As campanhas eleitorais têm servido, ao longo dos tempos, de oportunidade para a políticos explorarem a religiosidade da população.
Ao longo do ano isso acontece com certa regularidade, sendo bastante comum a participação de candidatos e pré-candidatos em eventos religiosos, normalmente em procissões, romarias e festas dos padroeiros das cidades.
No Nordeste, ai do político que se recusar a reverenciar Frei Damiãp de Bozano e patrocinar romarias a Juazeiro do Norte, no Ceará, terra do Padre Cícero, padrinho de muitos devotos.
Nesta quinta-feira, 4 de junho, o presidente Lula (PT) faltou à Marcha para Jesus, em São Paulo, e sua ausência gerou controvérsias, como vevela o jornalista Duda Teixeira, na revista Crusoé:
"Uma única coisa move o presidente Lula: seu desejo de se reeleger.
Nos múltiplos eventos da Presidência ou de sua campanha que envolvem religião, o petista não se orienta pela fé, que ele não tem, mas pela sua vontade de ficar mais quatro anos no Planalto.
Isso faz com que Lula assuma posições totalmente antagônicas com semanas de distância uma da outra.
Em abril deste ano, em plena campanha, Lula ajoelhou-se no banco da Basílica Sagrada Família, em Barcelona, e apoiou a testa nas mãos, permanecendo alguns minutos em silêncio.
'Um momento de paz, oração e reflexão em um lugar que inspira união e esperança', escreveu o presidente em um vídeo no Instagram.
Janja sentou-se no banco de trás e abaixou a cabeça, sem se ajoelhar (foto).
No final de maio, em evento na Petrobras, em Sergipe, o presidente voltou a tocar no tema religião, em um contexto que nada tinha a ver com isso.
'Eu não sou comunista, não, porque eu sou um católico fervoroso. Eu sou mais cristão que comunista', afirmou.
Na terça, 2, o petista participou de um ato político na cidade de Catalão, em Goiás.
'Como Deus escreve certo por linhas tortas, nada acontece de graça para um homem cristão como eu, um homem obediente a Deus, o que aconteceu hoje para se contrapor à medida do Trump? A China aceitou que o Brasil está nacionalmente livre da febre aftosa, que a nossa carne está livre para entrar no mercado chinês', afirmou o presidente.
Mas eis que, nesta quinta, 4, Lula optou por não comparecer à Marcha para Jesus, em São Paulo.
'Eu vou lhe contar por que eu não vou. Eu não participo de nada religioso em época de eleição, porque eu não quero passar a ideia de que eu estou tentando tirar proveito político de uma coisa sagrada', disse Lula em uma conversa pelo celular com o apóstolo Estevem Hernandes, gravada para as redes sociais.
É pura piada.
A verdade é que Lula não quis aparecer para não ser vaiado por uma maioria de brasileiros conservadores que não acreditam na propaganda política comandada por Sidônio Palmeira.
Lula não tem fé nenhuma. O que ele tem é cálculo político."
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