Galileu
Erwin Bankowski, de 50 anos, e sua filha, Karolina Bankowski, de 26, venderam mais de 200 obras de arte falsificadas para casas de leilão e galerias nos Estados Unidos. Nesta semana, pai e filha se declararam culpados em um tribunal federal pela operação do esquema. As obras de arte foram atribuídas a artistas de renome do mundo da arte, como Andy Warhol, Banksy e Pablo Picasso, o que pode lhes render até 20 anos de prisão. Além disso, eles também falsificaram pinturas de artistas nativos estadunidenses, o que poderá lhes custar penalidades especiais.
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Você, leitor, deve estar se perguntando: como as casas de leilão e as galerias foram enganadas? Como os compradores não notaram que as obras eram falsas? Na verdade, os Bankowskis não forjaram apenas as pinturas, mas também os documentos que comprovaram a sua procedência.
Muitas pinturas constavam como pertencentes a coleções particulares, expostas em galerias fechadas ou propriedades de empresas extintas. Em alguns casos, a dupla consultou livros antigos para falsificar certificados de autenticidade em papel envelhecido e, assim, dificultar as tentativas dos negociantes de verificar o passado dos quadros de arte.
Em comunicado, James C. Barnacle Jr., do Federal Bureau of Investigation (FBI), afirmou que pai e filha “não apenas venderam arte falsificada: eles minaram a confiança, exploraram os compradores e tentaram lucrar com a fraude”. A enganação foi ainda mais proveitosa quando atingiu pessoas sem experiência e sem vínculos com o mundo da arte.
A falsificação de obras de arte é um negócio lucrativo. Uma das obras vendidas pela dupla, erroneamente assinada por Andy Warhol, retratava um casal nu envolto em luz neon e amarela. A peça é uma cópia de uma das serigrafias pop art do artista verdadeiro, da série Love (1983) e foi vendida por US$ 5.500 – cerca de R$ 28 mil.
Outra obra falsificada é uma cópia das que foram originalmente distribuídas por Banksy durante uma manifestação contra a Guerra do Iraque, ocorrida em Londres, em 2003. Os Bankowskis arremataram o quadro por US$ 2.000 – o equivalente a quase R$ 10 mil –, valor esse que é cerca de quinze vezes menor do que os valores de uma obra autêntica do artista.
E os ganhos não pararam por aí: uma pintura de 1963, do artista letão-americano Raimonds Staprans, chamada Triple Boats, foi vendida por quase R$ 300 mil , isto é, US$ 60 mil.
Mas, “este esquema de obras de arte não apenas engana os compradores, ele [também] rouba de artistas nativos estadunidenses e mina a integridade de todo um mercado cultural”, disse Doug Ault, em entrevista à revista Smithsonian. Afinal, uma das falsificações mais lucrativas da dupla lhes rendeu US$ 160 mil – quase R$ 800 mil – por uma obra originalmente pertencente ao artista negro e nativo americano Richard Mayhew.
Esse caso específico lhes rendeu uma penalidade adicional e também resultou em uma acusação federal por deturpação de produtos trazidos por nativos dos Estados Unidos, incluindo outras obras indígenas, como as assinadas pelo pintor Luiseño Fritz Scholder.
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