Passageiro chileno é preso sob suspeita de racismo contra comissário de bordo brasileiro

Publicado em 17/05/2026, às 14h54
Passageiro chileno é preso sob suspeita de racismo contra comissário de bordo brasileiro - Reprodução / X

Isabela Palhares / Folhapress

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Um executivo chileno foi detido no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, acusado de fazer comentários racistas e homofóbicos contra um comissário de bordo em um voo da Latam na última sexta-feira (15). As ofensas foram registradas em vídeo.

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O caso ocorreu em um voo que seguia para Frankfurt, na Alemanha. Durante a viagem, o homem chamou um funcionário de "preto" e "macaco" e imitou o animal. Ele ainda disse que o comissário tinha "cheiro de negro brasileiro" e que ser gay "é um problema" para ele.

Desde el 11 de enero de 2023 en Brasil esta conducta se sanciona con penas de 2 a 5 años de cárcel.

"Artículo 2-A. Insultar a alguien, ofendiendo su dignidad o decoro, por motivos de raza, color, etnia u origen nacional."
Pena: prisión de 2 (dos) a 5 (cinco) años y multa. pic.twitter.com/qitpFVdCp3

— Carlos Gajardo Pinto (@cgajardop) May 16, 2026

A reportagem não conseguiu descobrir quem responde pela defesa do chileno, tampouco teve acesso ao que ele alegou à polícia.

O caso aconteceu no dia 10 de maio, mas Germán Naranjo Maldini, o passageiro que proferiu as ofensas, foi detido no dia 15, quando retornou da Alemanha. O comissário de bordou comunicou a Polícia Federal sobre as agressões, e foi instaurado um procedimento investigativo que resultou na decretação da prisão preventiva do investigado pela Justiça Federal.

Na sexta-feira, Maldini passou por audiência de custódia em que o juiz manteve sua prisão preventiva. Ele foi encaminhado ao CDP (Centro de Detenção Provisória) de Guarulhos, onde se encontra à disposição da Justiça.

Maldini teria iniciado as agressões após tentar abrir a porta do avião e ser impedido pela tripulação. O comportamento agressivo do chileno a bordo do voo foi gravado por um passageiro. No vídeo é possível ouvir os comentários ofensivos e discriminatórios dirigidos a um integrante da tripulação.

O agressor atuava como gerente de uma empresa chilena de alimentos e biotecnologia marinha, a Landes. Na sexta-feira, a empresa informou que ele seria afastado "formal e preventivamente" de suas funções.

"A companhia condena de forma categórica e inequívoca todos os atos de discriminação, racismo e homofobia. Esse tipo de comportamento é totalmente incompatível com os valores da Landes e com sua Política de Não Discriminação, que se aplica a todos os funcionários da empresa. A empresa está reunindo mais informações para tomar as decisões adequadas, de acordo com seus protocolos internos e regulamentações vigentes", informou a empresa, em nota.

A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) aprovou, em março, uma resolução que endurece a punição para passageiros que causarem transtornos em voos nacionais. A nova regra entrará em vigor em 14 de setembro, com punições que vão do pagamento de multa de até R$ 17,5 mil ao banimento do passageiro autuado dos aeroportos do país por 12 meses.

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