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O corpo do pedreiro Marcelo da Cruz Silva, de 41 anos, morto pela Polícia Militar no Jardim Catarina, é velado nesta quinta-feira no Cemitério São Miguel, também na cidade de São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio.
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Seu colega Edivan Felipe de Assis, de 46, que também morreu baleado, será velado no dia seguinte, por decisão de sua família. Segundo testemunhas, os dois homens teriam sido alvejados após os agentes confundirem as ferramentas que carregavam com armas.
A esposa de Marcelo, Carol, precisou ser consolada por amigos presentes e se manteve ao lado do caixão a todo tempo. O pedreiro deixa um filho, Victor Almeida, do primeiro casamento. A mãe do menino de 8 anos, Lúcia da Silva Almeida, relatou o sofrimento do filho
— Meu filho me faz perguntas e eu não sei o que responder. Ele diz que quer ser trabalhador, mas não quer trabalhar muito para não precisar sair tanto para a rua e isso não acontecer — lamenta a dona de casa. — Marcelo sempre foi um pai presente. Estou revoltada. Como vou dizer ao meu filho o que quem matou o pai dele foi a Segurança?
Durante o velório, o menino viu a mãe chorar e também se expressou:
— Na bolsa do meu pai tinha ferramenta e prego — disse o menino.
Na Capela São Miguel, onde mais de 50 pessoas se despediram do pedreiro mais jovem, seu irmão Inaldo Vicente da Silva se indignou e se emocionou. Ele ressaltou ainda que moradores do Ipuca, no Jardim Catarina, impediram que a cena onde os pedreiros foram mortos fosse completamente modificada pelos policiais responsáveis pelas mortes.
— Meu irmão estava indo para uma obra em Icaraí (Niterói) com amigos. Ele estava saindo a caminho do trabalho, como faz sempre, e foi executado pelos policiais. Não estava tendo operação, falaram que estava, eu tenho relatos de que não estava tendo operação.
Disseram que confundiram meu irmão com pessoas suspeitas. Ele estava com a régua de pedreiro, de alumínio. Não dá para confundir com uma arma. Quando trocaram os policiais, pegaram essa régua e jogaram dentro do matagal. Uns 20 metros depois. Até agora não recebemos nenhuma assistência, nem resposta — desabafou Inaldo, que trabalha como eletricista.
Investigação aberta
A polícia analisa as imagens das câmeras corporais dos policiais para investigar informações de testemunhas, que relatam, por exemplo, que não houve abordagem nem havia operação na comunidade.
A Polícia Militar diz que afastou os policiais do 7º BPM (Alcântara) e que as imagens das câmeras dos uniformes dos agentes foram entregues para a Polícia Civil, assim como estão sob análise da corregedoria interna. A investigação está a cargo da Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí.
Em nota, a Polícia Militar informa que um "um procedimento apuratório sobre o caso foi instaurado e está sendo conduzido pela Corregedoria Geral da corporação". Ainda de acordo com a PM, a corporação "segue colaborando integralmente com os procedimentos investigativos e reitera seu compromisso com a apuração transparente e irrestrita dos fatos”.
Já a Polícia Civil recolheu o tripé e a régua de obra que estavam com os pedreiros e que teriam sido confundidas com armas quando foram alvejados. "Outras testemunhas também foram ouvidas, e diligências seguem em andamento para o completo esclarecimento dos fatos", informa a polícia.
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