Perseguição, arma e câmera apreendidas: o que diz a Polícia Civil sobre caso Amanda Ruanne

Publicado em 08/09/2026, às 14h53
Amanda Ruanne Lopes da Silva, de 32 anos, deixou dois filhos - Reprodução / Redes sociais

TNH1

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A Polícia Civil de Alagoas informou ao TNH1, nesta terça-feira, 08, que investiga a ocorrência que resultou na morte de Amanda Ruanne Lopes da Silva, de 32 anos, registrada nesse sábado, 05, no bairro do Jacintinho, em Maceió. O caso aconteceu durante uma abordagem feita por uma equipe da Polícia Militar.

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A apuração está sendo conduzida pela Divisão Especial de Investigação Criminal (DEIC), da DRACCO, sob responsabilidade do delegado Igor Diego, com a participação de delegados e policiais civis da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

"Por determinação do delegado-geral da Polícia Civil, com uma investigação ampla e transparente sobre as circunstâncias do ocorrido", citou a PC.

Veja a nota:

"Segundo as informações preliminares apuradas pela investigação, policiais militares foram acionadas após informes de inteligência da Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP) indicando a presença de indivíduos suspeitos de envolvimento com o tráfico de drogas nas proximidades da Grota do Cigano.

Durante a abordagem, os suspeitos, todos homens, teriam fugido do local, sendo perseguidos pelos policiais que realizavam a incursão. Enquanto isso, um dos militares, responsável pela condução do veículo, permaneceu nas proximidades da viatura. Nesse momento, algumas mulheres teriam se aproximado do militar e questionado a ação policial.

De acordo com os relatos colhidos até o momento, uma das mulheres teria avançado contra o policial e tentado retirar sua arma de fogo, ocasião em que ocorreu um disparo que atingiu Amanda.

O delegado Igor Diego ressalta que a investigação busca esclarecer, de forma técnica e imparcial, a dinâmica dos fatos e verificar se a atuação do policial ocorreu dentro dos parâmetros legais ou se houve eventual excesso.

Todos os policiais envolvidos na ocorrência já foram ouvidos. A arma de fogo utilizada pelo militar foi apreendida e será submetida à perícia. Também foi apreendida uma câmera que estava no colete do policial. Segundo a investigação, o equipamento pertence ao próprio militar e não se trata de uma câmera fornecida institucionalmente pela Polícia Militar ou pelo Estado.

As equipes da Polícia Civil também estão realizando diligências para localizar e analisar imagens de câmeras de segurança existentes nas proximidades do local da ocorrência, além de identificar e ouvir pessoas que presenciaram os fatos, incluindo mulheres que estavam no local e familiares da vítima.

O delegado esclarece ainda que a ocorrência foi apresentada inicialmente à DRACCO e que não houve encaminhamento do caso à DHPP para posterior transferência à DRACCO.

Igor Diego informou que foi determinada a formação de uma comissão integrada por policiais civis e delegados DRACCO e da DHPP para atuarem em conjunto no caso".


O que diz a PM

Ao TNH1, na tarde dessa segunda-feira, 07, a PM reforçou que a ocorrência foi registrada junto à Polícia Civil.

"A Polícia Militar de Alagoas (PM-AL) informa que a ocorrência foi registrada junto à Polícia Civil para a adoção das medidas pertinentes, no âmbito das atribuições da Polícia Judiciária.

Na esfera administrativa da PM-AL, a corporação ressalta que eventuais condutas de seus integrantes são apuradas conforme os regulamentos e as normas institucionais vigentes, por meio dos procedimentos cabíveis.

Dessa forma, não serão antecipadas conclusões, responsabilidades ou eventuais sanções antes da conclusão das respectivas apurações.

Caso surjam novas informações passíveis de divulgação, serão comunicadas à medida que houver elementos oficialmente confirmados".


Família contesta versão da PM

Em entrevista à TV Pajuçara, Wyllyany Ryelly, prima de Amanda, afirmou que ela não agrediu o policial e que o PM errou durante a abordagem.

"Ele saiu dirigindo a viatura, saiu desesperado, quebrou a calçada da mulher. Porque ele sabia que estava errado, ele sabia que cometeu erro. A vida da minha prima foi embora assim em questão de minutos. Quem a conhecia sabia que ela era uma pessoa boa, mãe de família, ela não ia em nenhum momento tirar a arma de um policial, uma mulher não tem força para um policial. Em nenhum momento ela o agrediu fisicamente, ele que começou a agressão".


Policial já responde a processo por tentativa de homicídio, diz MP-AL

Nesta manhã, a promotora Karla Padilha, que acompanha o caso, afirmou que o policial que efetuou o disparo contra Amanda já responde a um processo por tentativa de homicídio.

“A informação que tivemos é de que esse policial, autor dos disparos, já foi denunciado pelo Ministério Público por tentativa de homicídio. Ele continuava atuando ostensivamente na mesma área, que fica no bairro do Jacintinho. Esse primeiro episódio foi registrado em 2024. Então temos dois anos e ele continua exercendo a sua atividade com uma denúncia criminal e com medidas restritivas impostas pelo juízo criminal, e ocorre um fato como esse”, disse Padilha.


Câmera corporal apreendida

O policial militar que efetuou o disparo estaria usando uma câmera corporal, equipamento que teria sido desligado antes do tiro no peito que matou a comerciária. A câmera foi localizada, apreendida e será periciada pela Polícia Civil.

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