Família de Amanda Ruanne rebate versão da PM e cobra justiça: "Era cidadã, mãe e trabalhadora"

Publicado em 07/09/2026, às 13h57
Amanda Ruanne Lopes da Silva, de 32 anos, deixou dois filhos - Reprodução
Amanda Ruanne Lopes da Silva, de 32 anos, deixou dois filhos - Reprodução

Por TNH1

Amanda Ruanne Lopes da Silva, de 32 anos, foi morta durante uma abordagem policial em Maceió, gerando protestos da família que contesta a versão da Polícia Militar sobre o incidente, alegando que ela não agrediu o policial antes de ser baleada.

A prima de Amanda relatou que a mulher estava apenas tentando entender a situação quando houve uma discussão com o policial, que a empurrou antes de disparar, resultando em sua morte.

A Polícia Militar afirmou que a abordagem se deu em resposta a uma denúncia de tráfico de drogas e que o disparo foi uma reação a uma suposta tentativa de agressão, mas se comprometeu a investigar o caso e a conduzir apurações administrativas sobre a conduta dos envolvidos.

Resumo gerado por IA

A família de Amanda Ruanne Lopes da Silva, que tinha 32 anos e foi morta durante uma abordagem da Polícia Militar na noite do último sábado, 05, rebateu a versão da PM sobre o caso e cobrou justiça. A situação aconteceu na Comunidade Aldeia do Índio, na região da Grota do Cigano, no bairro Jacintinho, em Maceió.

Em entrevista à TV Pajuçara, Wyllyany Ryelly, prima de Amanda, afirmou que ela não agrediu o policial e que o PM errou durante a abordagem. Veja os relatos nos trechos abaixo:

"Eu estava no local quando tudo aconteceu. A Amanda estava vindo da barbearia com o filho dela, uma criança de 11 anos que tinha ido cortar o cabelo. Quando a Amanda voltou, que subiu a ladeira, a guarnição já estava lá fazendo a abordagem. De costume, a gente gosta de olhar, porque eles costumam agredir a população. Nós, que somos família, meu irmão estava sendo parte da abordagem, a gente gosta de olhar. A mulher do meu irmão foi lá averiguar o que estava acontecendo, o policial não quis deixar ela passar. Ela só chamou ele de amostradinho. Ele já estava agitado, começou a se alterar".

"A Amanda disse que estava lá justamente para saber porque ele esculhambou ela, se ela não fez nada com ele. Ele começou a se alterar, começou a peitar minha prima, foi para cima dela. Houve uma discussão entre os dois. Ele deu um empurrão nela, em momento nenhum minha prima agrediu ele fisicamente. Ele que já empurrou ela. Quando ele a empurrou, ela deu um passo para trás, foi o tempo dele sacar a arma e atirar. Quando ele atirou, ela não tinha percebido que o tiro tinha pegado nela, o sangue começou a sair, ela botou a mão no peito e disse: 'Wylly'. Ela deu três passos para frente e já caiu morta".

"Ele foi para a viatura. Ele tinha desligado a câmera dele. Se estão dizendo que ele é certo, manda puxar as imagens da câmera que ele estava. A minha prima caiu no chão, os amigos dele da guarnição falaram: 'Ele atirou. Ele atirou'. Ficaram todos desesperados. Eu comecei a gritar por socorro, por chamar a ambulância. Eles não iam socorrê-la, só que viram que eu comecei a gritar, aí eles: 'Vamos socorrer a moça'. Pegaram minha prima como se fosse nada, jogaram ela na viatura como se ela fosse um lixo, como se não tivesse valor nenhum".

Wyllyany Ryelly em depoimento emocionado no velório da prima (Foto: Reprodução / TV Pajuçara)

"Ele saiu dirigindo a viatura, saiu desesperado, quebrou a calçada da mulher. Porque ele sabia que estava errado, ele sabia que cometeu erro. A vida da minha prima foi embora assim em questão de minutos. Quem a conhecia sabia que ela era uma pessoa boa, mãe de família, ela não ia em nenhum momento tirar a arma de um policial, uma mulher não tem força para um policial. Em nenhum momento ela o agrediu fisicamente, ele que começou a agressão.

"Quero justiça. Sei que a justiça de Deus vai ser feita. Isso é para o nome de Deus ser glorificado. Eu sou evangélica, eu sei o Deus que eu sirvo. E sei que Deus vai fazer justiça, porque minha prima morreu inocentemente. Ela era uma cidadã, mãe de família, trabalhadora. Ela era pai e mãe dos filhos dela, ela lutava para sustentar os filhos dela. Quem conhece a Amanda sabe do que eu estou falando. Deus é a prova viva do que eu estou falando, eu conheço a minha prima e sei que ela não ia fazer isso".


O que disse a PM

Na manhã desta segunda-feira, 07, a Polícia Militar divulgou nota oficial para a TV Pajuçara, no Balanço Geral Alagoas. Leia na íntegra:

"A Polícia Militar de Alagoas (PM-AL), por meio do 13º BPM, atuou na averiguação de uma denúncia de uso e tráfico de entorpecentes por um grupo de homens em via pública. Segundo a denúncia, um dos envolvidos estaria armado, no bairro do Jacintinho, na cidade de Maceió, nesse sábado (05).

A guarnição foi até a comunidade Aldeia do Índio, onde militares constataram a denúncia. No curso da intervenção, o motorista da viatura foi surpreendido por uma aglomeração de pessoas que avançou em sua direção.

Conforme as informações registradas, uma mulher do grupo, familiar de um dos abordados, discutiu com o motorista da guarnição e tentou ultrapassar o perímetro de segurança estabelecido para a ocorrência, mesmo após receber ordens para manter distância.

Em seguida, a mulher avançou em direção ao militar, empurrando-o e tentando pegar a arma dele. O policial, diante da ameaça à integridade física de todos e da aglomeração de pessoas ao redor, reagiu e efetuou um único disparo.

Após o ocorrido, a guarnição priorizou o socorro da mulher à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Jacintinho, onde ela faleceu.

Enquanto isso, outra equipe da PM permaneceu para dar continuidade à averiguação da denúncia que havia motivado a presença policial, dada a interrupção motivada pela conduta da mulher. E após uma varredura, os policiais encontraram uma sacola contendo 30 pinos de cocaína nas proximidades do local do fato.

A Polícia Militar lamenta profundamente o ocorrido e ressalta que a atuação da Polícia é orientada por protocolos operacionais e pelos princípios legais que regem a atividade.

A Corporação reitera que não compactua com qualquer tipo de arbitrariedade e que, caso tenha ocorrido alguma neste caso, ela será devidamente investigada.

A ocorrência e o material apreendido foram apresentados à Polícia Civil para adoção das medidas cabíveis".

Ao TNH1, na tarde desta segunda-feira, a PM reforçou que a ocorrência foi registrada junto à Polícia Civil.

"A Polícia Militar de Alagoas (PM-AL) informa que a ocorrência foi registrada junto à Polícia Civil para a adoção das medidas pertinentes, no âmbito das atribuições da Polícia Judiciária.

Na esfera administrativa da PM-AL, a corporação ressalta que eventuais condutas de seus integrantes são apuradas conforme os regulamentos e as normas institucionais vigentes, por meio dos procedimentos cabíveis.

Dessa forma, não serão antecipadas conclusões, responsabilidades ou eventuais sanções antes da conclusão das respectivas apurações.

Caso surjam novas informações passíveis de divulgação, serão comunicadas à medida que houver elementos oficialmente confirmados".

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