Pessoas solteiras podem ser mais felizes do que quem está em um relacionamento

Publicado em 29/05/2026, às 21h36
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Galileu

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A ideia de que qualquer relacionamento amoroso é melhor do que a solteirice acaba de sofrer um duro golpe científico. Um amplo estudo longitudinal publicado em janeiro na revista Personality and Individual Differences concluiu que pessoas solteiras apresentam maior bem-estar emocional do que aquelas presas a relacionamentos considerados ruins ou medianos.

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O trabalho foi conduzido pelo pesquisador Menelaos Apostolou, da Universidade de Nicósia, no Chipre, em parceria com Elyakim Kislev, da Universidade Hebraica de Jerusalém, em Israel. Para chegar às suas conclusões, os autores analisaram dados de 13 ondas do estudo alemão Pairfam, que acompanhou cerca de 12 mil participantes ao longo de vários anos.

“Nossos resultados indicam claramente que não se trata apenas de estar em um relacionamento. A qualidade da relação é o fator decisivo para a nossa saúde emocional”, afirma Kislev, em comunicado à imprensa. “Se um relacionamento é ruim ou mesmo apenas mediano em termos de qualidade, a satisfação com a vida e as emoções positivas de um indivíduo são significativamente menores do que se ele tivesse permanecido solteiro.”

Quando o relacionamento piora a saúde emocional

Para medir a qualidade das relações, os autores utilizaram uma escala de satisfação de 0 a 10. Relações avaliadas entre 0 e 3 foram classificadas como ruins; entre 4 e 6, moderadas; e, por fim, entre 7 e 10, boas.

Os pesquisadores observaram que participantes em relacionamentos classificados como ruins ou moderados relataram menos emoções positivas, menor satisfação com a vida e mais sentimentos negativos do que em períodos nos quais estavam solteiros. Em contrapartida, indivíduos em relacionamentos considerados bons apresentaram os maiores índices de bem-estar emocional.

Tais resultados também mostraram que, embora pessoas em qualquer relacionamento tendessem a sentir menos solidão do que solteiros, uniões negativas estavam associadas a níveis mais altos de tristeza, desânimo, depressão e melancolia.

Segundo os autores, a solidão parece funcionar de maneira distinta de outros indicadores emocionais. O estudo sugere que esse sentimento possui uma função social específica, ligada à necessidade humana de conexão e companhia íntima. Por isso, mesmo relações ruins ainda conseguem reduzir a sensação de isolamento.

Diferenças entre homens e mulheres

A pesquisa ainda identificou diferenças entre homens e mulheres. Os homens solteiros apresentaram níveis ligeiramente maiores de emoções negativas em comparação às mulheres solteiras, incluindo solidão, tristeza e depressão.

Já as mulheres solteiras relataram sentir menos segurança do que os homens na mesma condição. Para os pesquisadores, essa diferença pode refletir fatores históricos e culturais relacionados à percepção de proteção física e apoio emocional dentro das relações afetivas.

O que o estudo ainda não consegue responder

Outro dado relevante que chamou a atenção dos autores é o de que apenas cerca de 16% dos participantes estavam em relacionamentos classificados como ruins ou moderados ao longo das diferentes etapas do estudo. Segundo eles, isso provavelmente ocorre porque muitas pessoas tendem a encerrar relações percebidas como insatisfatórias antes que elas se prolonguem por muitos anos.

Apesar dos resultados, os autores reconhecem limitações importantes. O levantamento não diferencia tipos de solteirice — como pessoas solteiras por escolha, indivíduos entre relacionamentos ou aqueles que enfrentam dificuldades para encontrar parceiros. Além disso, os dados se concentram exclusivamente na população alemã, o que pode limitar comparações culturais mais amplas.

Mesmo assim, os autores afirmam que o estudo oferece evidências robustas de que mudanças no estado civil e, sobretudo, na qualidade dos relacionamentos afetam diretamente o bem-estar emocional ao longo do tempo.

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